Ledger adia IPO nos EUA e avalia captação privada
A fabricante de carteiras físicas de criptomoedas Ledger decidiu adiar seus planos de abertura de capital nos Estados Unidos, refletindo um ambiente menos favorável para empresas do setor. A informação foi divulgada pelo CoinDesk, com base em fontes próximas ao tema.
Segundo os relatos, o cenário atual reduziu o apetite de investidores por companhias ligadas ao mercado cripto. Ainda assim, a Ledger mantém sua estratégia de expansão e, nesse sentido, passou a considerar uma rodada de captação privada como alternativa ao IPO.
Sediada em Paris, a empresa já vendeu mais de sete milhões de dispositivos e afirma proteger mais de US$ 100 bilhões em ativos digitais. Anteriormente, a Ledger avaliava uma abertura de capital que poderia elevar sua avaliação para mais de US$ 4 bilhões, acima dos US$ 1,5 bilhão registrados em 2023.
Além disso, a companhia chegou a trabalhar com bancos como Goldman Sachs, Jefferies e Barclays. No entanto, não houve submissão formal do formulário S-1 à SEC, reguladora do mercado financeiro dos Estados Unidos.
O CEO Pascal Gauthier destacou a relevância do mercado norte-americano ao afirmar que “o dinheiro está em Nova York hoje para cripto”. Mesmo assim, a empresa optou por adotar uma postura mais cautelosa diante da volatilidade recente.
Queda do mercado afeta planos de listagem
A decisão ocorre em um momento de retração no mercado de criptomoedas. O Bitcoin, por exemplo, caiu de cerca de US$ 100.000 no fim de 2025 para aproximadamente US$ 75.000 em abril de 2026, uma queda de 25% em poucos meses.
Ao mesmo tempo, o Ethereum era negociado próximo de US$ 2.340 em maio. Além da desvalorização, a atividade também perdeu força. O volume de negociações à vista recuou 19% entre fevereiro e março, enquanto os investimentos de capital de risco despencaram 74% entre março e abril.
Esse ambiente mais restritivo impacta diretamente empresas que planejam abrir capital. A Kraken, por exemplo, também suspendeu seu IPO multibilionário no início de 2026, apesar de ter realizado um registro confidencial junto à SEC anteriormente.
Por outro lado, nem todas as companhias recuaram. A BitGo abriu capital em janeiro de 2026, levantando cerca de US$ 213 milhões com ações precificadas em US$ 18. Embora tenha registrado alta superior a 20% no primeiro dia, os papéis recuaram posteriormente para cerca de US$ 11,78 em maio, uma queda de aproximadamente 36%.
Captação privada e expansão nos EUA
Diante desse cenário, a Ledger avalia alternativas consideradas mais seguras. A captação privada surge como opção viável em meio à volatilidade, permitindo maior flexibilidade estratégica.
Apesar da suspensão do IPO, a empresa segue ampliando sua presença nos Estados Unidos. Em março, contratou John Andrews como diretor financeiro e abriu um escritório em Nova York voltado ao atendimento institucional.
Essa movimentação indica que, embora tenha pausado a listagem, a Ledger continua focada no mercado norte-americano, que segue como um dos principais polos globais de investimento em criptomoedas.
Fundamentos seguem sólidos apesar da cautela
Fundada em 2014, a Ledger se consolidou como uma das principais fornecedoras de infraestrutura de segurança para o mercado cripto. A empresa atende tanto investidores individuais quanto instituições que administram grandes volumes de ativos digitais.
Em 2025, a companhia registrou receita recorde, impulsionada pela crescente demanda por soluções de custódia e proteção. Entre seus investidores estão nomes como True Global Ventures e 10T Holdings.
Ao mesmo tempo, o interesse por IPOs no setor permanece. Empresas como Circle, Gemini e Bullish avançaram com listagens nos Estados Unidos, especialmente após mudanças no ambiente político e regulatório.
Em suma, a decisão da Ledger reflete uma estratégia pragmática diante das condições atuais. Ao priorizar flexibilidade e preservação de valor, a empresa se posiciona para retomar planos de abertura de capital quando o mercado apresentar sinais mais consistentes de recuperação.