Libertação antecipada de Caroline Ellison reacende caso FTX
Caroline Ellison, ex-co-CEO da Alameda Research e figura-chave no colapso da FTX, deixará a prisão nesta semana após quase um ano antes do previsto. Segundo o Bureau of Prisons dos Estados Unidos, a executiva de 31 anos será transferida na quarta-feira, 21 de janeiro, para um programa de reintegração residencial em Nova York, etapa que marca sua saída do regime fechado.

A liberação antecipada decorre de sua colaboração com autoridades federais nos desdobramentos do colapso da FTX em 2022. O evento expôs um rombo bilionário, acusação de desvio de fundos de clientes e falta de liquidez nas operações da corretora. Em dezembro daquele ano, Caroline admitiu sete acusações, incluindo fraude eletrônica, fraude de valores mobiliários, fraude de commodities e conspiração para lavagem de dinheiro.
Depoimentos revelaram operação interna da FTX
Procuradores afirmaram que a Alameda Research, sob sua liderança, operava com uma linha de crédito ilimitada dentro da FTX. Com esse acesso, bilhões de dólares de depósitos de clientes foram usados para cobrir prejuízos, financiar investimentos arriscados e bancar doações políticas. Muitos usuários acreditavam que seus recursos estavam protegidos e segregados dentro da plataforma.
No tribunal, Caroline relatou que essas movimentações ocorreram seguindo ordens de Sam Bankman-Fried, fundador da FTX e principal responsável pela estrutura empresarial. Seu testemunho foi decisivo para explicar o funcionamento interno do esquema e reforçar as acusações do governo. Portanto, suas declarações desempenharam papel essencial na condenação de Bankman-Fried.
Durante o julgamento do empresário em 2023, Caroline Ellison permaneceu três dias descrevendo como a Alameda utilizava depósitos de forma irregular, sem controles de risco aplicados aos demais participantes da corretora. Ao final, Bankman-Fried recebeu pena de quase 25 anos e a obrigação de ressarcir até US$ 11 bilhões em prejuízos.
Colaboração rendeu pena reduzida
A cooperação de Caroline rendeu benefícios significativos. Em setembro de 2024, ela foi condenada a dois anos em regime fechado, pena especialmente branda se comparada ao impacto do caso. Em novembro, iniciou o cumprimento na unidade de baixa segurança em Danbury, Connecticut. Já em outubro de 2025, avançou para confinamento comunitário, etapa que antecede a atual liberação.
Além disso, autoridades ajustaram a projeção de liberação para janeiro de 2026 como reconhecimento da boa conduta e da colaboração substancial com investigadores federais.
Consequências ainda seguem para Caroline Ellison e ex-executivos
O programa de reintegração residencial exige supervisão constante. Moradores têm circulação limitada, passam por testes recorrentes e contribuem financeiramente para os custos. Assim, apesar da saída do regime fechado, Ellison continuará sob regras rígidas até o encerramento do processo.
Com sua liberação, chega ao fim o período de custódia das principais testemunhas que cooperaram com o governo no caso FTX. Outros ex-executivos, como Gary Wang e Nishad Singh, também colaboraram e evitaram penas de prisão. No entanto, Ryan Salame, que optou por não cooperar, recebeu mais de sete anos de condenação.
Mesmo em liberdade, Caroline enfrenta, igualmente, consequências severas. Ela permanece sujeita à ordem de confisco de US$ 11 bilhões e além disso, segue sob análise da Securities and Exchange Commission. Por conseguinte, a agência busca impedir que Ellison, Wang e Singh assumam cargos de diretoria ou liderança em empresas de capital aberto por vários anos.
Assim, embora deixe a custódia federal, Caroline Ellison continua vinculada às obrigações legais e financeiras decorrentes do acordo firmado com as autoridades, mantendo seu nome no centro dos desdobramentos do caso FTX.