Libra x Bitcoin – 3 diferenças fundamentais

Mesmo com grande apoio, Libra tem um caminho íngreme para alcançar o Bitcoin

Mesmo sem ainda ter sido lançada, a Libra do Facebook já deu muito o que falar. Na semana passada noticiamos aqui no Webitcoin que a criptomoeda poderia acabar não sendo lançada de fato e, dentre vários motivos, um dos principais seria a intensa pressão regulatória que tem sido imposta sobre a moeda. Você pode ler a matéria completa sobre esse assunto clicando aqui.

Se de fato a moeda verá a luz do dia ou não ainda é uma incógnita. O que podemos fazer agora é conjecturar sobre o que já sabemos e sobre o que esperar para 2020.

Imagem de: Studiobox por Maycow Montemor

 

Volatilidade

Oficialmente a Libra será lançada no primeiro semestre de 2020 e, portanto, de momento é o que temos de realidade. Outra realidade é que a moeda do Facebook deverá ser um Stablecoin, um ativo que de alguma maneira tem vínculo com ativos estáveis (ou pelo menos bem mais estáveis que as criptomoedas), como dólar ou títulos emitidos pelo governo.

Essa é possivelmente a primeira diferença gritante entre a Libra e o Bitcoin. Enquanto é bastante difícil dizer se e quando a volatilidade do Bitcoin irá diminuir a ponto de ele poder ser usado como moeda principal corrente em transações, a Libra foi projetada, desde antes mesmo de seu lançamento, para ser uma moeda com baixa ou nenhuma volatilidade.

(des)Centralização

Independente, livre e descentralizado. Você com certeza já ouviu esses adjetivos em frases que envolvam o Bitcoin. A principal criptomoeda do mercado, de modo geral, é mantida e apoiada pela comunidade, mineradores e investidores, pequenos e grandes, que acreditam no seu potencial como moeda. O Bitcoin não tem um país, não tem um dono e não tem impedimentos para compra/uso por qualquer pessoa ou instituição.

A Libra do Facebook, por outro lado, já deve nascer com uma ampla gama de apoio institucional e financeiro. Para começar, tudo o que de importante é pensado a sobre Libra acontece em Genebra na Suiça. Dentre as principais parcerias, a moeda do Facebook já conta com apoio das gigantes Visa e Mastercard no ramo dos cartões de crédito, a Vodafone nas comunicações, e os jovens gigantes Spotify e Uber. Segundo o site masterinvestor, o número de parcerias da Libra pode chegar a mais de 100 em 2020.

Especulação

Esse é um ponto delicado para o Bitcoin. É inegável que hoje o Bitcoin é mais usado para especulação do que para comércio. Infelizmente ainda são poucos os estabelecimentos que aceitam BTC como forma de pagamento. Poucos também são os usuários que nesse momento estão dispostos a se desfazer de suas moedas para fazer compras. O Bitcoin atualmente é usado basicamente para especulação.

O mesmo vale para um grande número (se não a maioria) de altcoins. A aplicabilidade real das criptomoedas (já existentes) no dia a dia das pessoas ainda não pôde ser vista e, novamente, não sabemos se e quando um dia será vista.

Aqui é a onde a Libra pode ganhar vantagem em cima do Bitcoin. A base de usuários do Facebook é gigantesca. Conforme foi reportado pelo G1 em fevereiro desse ano, o número de usuários de Facebook supera a marca de 2 bilhões de pessoas. Uma em cada quatro pessoas no planeta possui conta no Facebook (aqui estamos, de forma aproximada, excluindo contas fake e duplicadas).

A ideia do Facebook é permitir que esses usuários e outros que também tenham interesse possam utilizar a Libra em transações cotidianas, algo que ainda está muito distante para o Bitcoin. O impacto de uma criptomoeda sendo negociada por bilhões de pessoas poderia mudar radicalmente a forma como tratamos o dinheiro.

Futuro

Aparentemente, incerteza é a palavra que define o futuro da Libra. Ideia funcional, apoio institucional e base sólida de usuários. A receita do sucesso está montada. Contudo, as pressões regulatórias, a questão da segurança de dados para os usuários e a confiança geral podem colocar em xeque o futuro da moeda.

*Imagem de: Gerd Altmann por Pixabay

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.