MARA grava constituição dos EUA em bloco do Bitcoin

A MARA Holdings, uma das maiores mineradoras de Bitcoin com ações negociadas em bolsa, registrou o texto completo da constituição dos Estados Unidos e da Bill of Rights, a Declaração de Direitos, no bloco 879.613 da rede. A empresa minerou o bloco em 17 de janeiro de 2025 e usou seu próprio pool de mineração para inserir os documentos diretamente na blockchain. Além disso, apresentou a iniciativa como uma forma de preservar os “princípios eternos da América” na rede que chamou de mais resistente à censura já construída.

Como os documentos entraram na blockchain

Desde 2023, o protocolo Ordinals permite que usuários gravem dados arbitrários diretamente em satoshis, a menor unidade do Bitcoin. Assim, cada inscrição recebe uma numeração sequencial e passa a compor um registro permanente na blockchain. Esse registro não pode ser alterado, apagado ou censurado dentro da própria rede.

Na prática, esse modelo ampliou o uso do espaço em bloco para além das transações financeiras. Ainda assim, o texto da Constituição dos Estados Unidos não estreou esse tipo de registro. A primeira inscrição conhecida do documento foi a de número 1893, que preservou integralmente a Constituição pouco depois do lançamento do Ordinals. Posteriormente, usuários realizaram pelo menos outras 13 inscrições do mesmo documento.

O diferencial da ação da MARA Holdings esteve no método. Em vez de recorrer ao processo convencional de inscrições via Ordinals, acessível a qualquer usuário, a companhia usou sua própria posição como mineradora. Dessa forma, incluiu os documentos diretamente em um bloco produzido por ela mesma. Por isso, o caso ganhou relevância no debate sobre como mineradores podem usar o espaço em bloco que controlam.

Por que o bloco 879.613 ganhou relevância

No bloco 879.613, a MARA Holdings transformou documentos centrais da história política dos Estados Unidos em registros permanentes dentro da blockchain do Bitcoin. Além disso, fez isso com infraestrutura própria. Esse ponto diferencia a iniciativa de uma inscrição comum realizada por um usuário externo.

A dinâmica da rede permite que mineradores escolham quais transações e dados entram nos blocos que produzem. Portanto, quando uma empresa do porte da MARA Holdings usa esse espaço para armazenar documentos históricos, ela também demonstra seu poder operacional dentro do ecossistema. Ao mesmo tempo, o episódio reforça a discussão sobre os limites e os usos não financeiros da blockchain.

Impacto para mineradores e taxas da rede

A gravação da Constituição na blockchain não provocou impacto no preço do Bitcoin e também não criou novos tokens. No entanto, o episódio reforçou uma tendência importante para a economia da rede: a demanda real por espaço em bloco para usos não financeiros.

Desde o lançamento do Ordinals em 2023, esse tipo de atividade já mostrou capacidade de gerar receitas adicionais com taxas para mineradores em períodos de maior volume de inscrições. Assim, quando a procura por espaço em bloco aumenta, as taxas de transação também tendem a subir. Esse movimento beneficia diretamente empresas de mineração, como a MARA Holdings.

Além disso, a iniciativa se conecta ao debate sobre a segurança de longo prazo do Bitcoin. A recompensa por bloco cai aproximadamente a cada quatro anos por meio do halving. Por consequência, as taxas de transação tendem a ganhar mais peso no modelo de incentivo da rede ao longo do tempo. Nesse sentido, inscrições e outros usos não financeiros podem ajudar a sustentar a receita dos mineradores.

Uso não financeiro reforça debate econômico

Esse ponto importa porque a sustentabilidade econômica da mineração depende cada vez mais da combinação entre subsídio por bloco e taxas pagas pelos usuários. Portanto, qualquer nova fonte consistente de demanda por espaço em bloco tende a atrair atenção do mercado. Ainda que o caso da MARA Holdings não tenha alterado a cotação do ativo, ele serviu como exemplo concreto de uso da infraestrutura do Bitcoin para armazenar informação permanente.

Em suma, a iniciativa da MARA Holdings não inaugurou o registro da Constituição dos Estados Unidos na blockchain. A inscrição número 1893 e ao menos outras 13 versões posteriores do documento já existiam. Contudo, o episódio se destacou porque a própria mineradora inseriu os textos em um bloco que produziu. Assim, o caso ampliou o debate sobre censura, monetização do espaço em bloco e o papel dos mineradores na evolução econômica da rede Bitcoin.