Mastercard lança ferramenta antifraude para stablecoins
Mastercard reforça prevenção em pagamentos digitais
Na segunda-feira, a Mastercard apresentou o Stablecoin Security durante a conferência Money20/20 USA. O serviço permite que instituições financeiras avaliem uma transação com stablecoin antes da movimentação dos recursos. Com isso, os bancos recebem uma pontuação de risco antes da liquidação do pagamento. A ferramenta busca impedir que operações suspeitas avancem até a etapa final.
Para isso, o Stablecoin Security combina dados de pagamentos com análises de blockchain. Em seguida, a solução rastreia a origem dos recursos e identifica possíveis vínculos com fraudes, golpes ou violações de sanções. O sistema também examina o contexto de cada operação antes de determinar a classificação de risco. Depois, a Mastercard envia as informações por API aos sistemas bancários de fraude e conformidade.
No entanto, as transferências em blockchain apresentam um desafio específico para as instituições. Quando uma transação termina, recuperar recursos roubados costuma ser difícil. Por esse motivo, a análise anterior à liquidação representa o principal recurso do serviço. Ann Johnson, vice-presidente executiva de Security Solutions da Mastercard, afirmou que os bancos precisam de inteligência e controles adequados para atuar nesse mercado com confiança.
Fonte: Knockoutstocks
Transações complexas ampliam o desafio
Nesse cenário, as stablecoins acrescentam complexidade à análise de risco. Os valores podem passar por várias carteiras e blockchains antes de alcançar o destinatário final. Assim, acompanhar todo o percurso exige mais do que uma avaliação isolada. A Mastercard criou o Stablecoin Security para oferecer essa leitura antes da conclusão do pagamento.
De acordo com um estudo citado pela empresa, o Banco de Compensações Internacionais analisou o uso desses instrumentos digitais. O levantamento examinou 593 milhões de eventos de transferências em 141 milhões de transações na Ethereum durante 2025. Quase 60% dos eventos ocorreram dentro de operações complexas, compostas por várias etapas. Já os pagamentos simples entre duas partes representaram a minoria.
Borderless.xyz e Keyrails iniciam parceria
Enquanto amplia o serviço, a Mastercard anunciou Borderless.xyz e Keyrails como as primeiras parceiras da solução. Ambas participaram do programa Start Path Blockchain and Digital Assets, mantido pela empresa. A Borderless.xyz conecta instituições financeiras a provedores licenciados de stablecoin em mais de 113 países e 72 moedas. Por sua vez, a Keyrails atua em pagamentos internacionais de alto valor, principalmente nos mercados emergentes.
Em agosto, Mastercard e Borderless.xyz anunciaram um projeto-piloto do Crypto Credential. O projeto também envolve Infinia, Walapay e Koywe. Além disso, a iniciativa acrescenta sinais de confiança aos pagamentos internacionais com stablecoin. Essa cooperação reforça a estratégia das empresas para operações internacionais baseadas em instrumentos digitais.
Expansão comercial global está prevista para 2027
A iniciativa ocorre depois que a Mastercard concluiu a aquisição da BVNK em agosto. Antes disso, a companhia anunciou em março o acordo de até US$ 1,8 bilhão. Na semana passada, a empresa também lançou a Global Money Platform. A plataforma reúne contas fiduciárias e de stablecoin, conversão em tempo real, gastos com cartão e pagamentos bancários locais em uma única API.
A Mastercard espera incluir a BVNK nos planos do Stablecoin Security no próximo ano. Assim, a integração deve avançar em 2027, junto com a expansão mais ampla do serviço. Inicialmente, a empresa lançará a ferramenta na América do Norte. Depois, a oferta comercial global deverá chegar a outros mercados ao longo de 2027.
Embora a oferta de dólares digitais tenha desacelerado neste ano, o volume de transações continuou crescendo. Ainda assim, o cenário geral do mercado permanece misto. Remessas e pagamentos internacionais contribuíram para o aumento da atividade. Segundo um relatório recente do Standard Chartered, o mercado de stablecoins pode alcançar US$ 2 trilhões em 2030, dois anos após a previsão inicial do banco.
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