Mastercard usa Polygon em pagamentos de agentes de IA

A Mastercard lançou, em 10 de junho, o Agent Pay for AI, um protocolo para permitir que agentes de inteligência artificial realizem pagamentos entre si e enviem micropagamentos. As permissões concedidas por humanos ficam registradas na rede Polygon, blockchain construída para escalar o Ethereum.

Na prática, a iniciativa mira um problema que os sistemas tradicionais de pagamento ainda tratam com baixa eficiência. Trata-se de transações pequenas, automatizadas e feitas de máquina para máquina. Assim, um agente de IA pode pagar de forma fracionada para acessar dados em um site. Também pode liberar valores gradualmente por um serviço executado em nome de um usuário.

Os trilhos tradicionais de cartões nasceram para operações iniciadas por pessoas e direcionadas a comerciantes. Por isso, esse modelo perde eficiência quando o fluxo envolve automação contínua entre softwares. O Agent Pay for AI surge, portanto, para preencher essa lacuna operacional.

Permissões on-chain sustentam o protocolo

Outro ponto central da arquitetura está no registro das permissões em blockchain pública, e não em banco de dados privado. Dessa forma, diferentes partes podem verificar on-chain se um agente atua dentro dos limites autorizados por um humano.

Além disso, essa estrutura reduz a dependência de uma entidade centralizada para confirmar autorizações. Para a estreia do protocolo, a Mastercard escolheu a Polygon.

Essa decisão reforça o uso de infraestrutura aberta em uma camada operacional sensível. Em vez de tratar a blockchain apenas como apoio periférico, a empresa a aplica no controle de autorização. Também usa a rede para verificar ações executadas por agentes autônomos.

Gráfico ETHUSD no TradingView

ETH em tendência de baixa no gráfico diário. Fonte: ETHUSD no TradingView

Adyen, Coinbase e Cloudflare participam do projeto

Três empresas trabalham com a Mastercard no desenvolvimento do protocolo: a plataforma de tecnologia financeira Adyen, a exchange Coinbase e a gigante de infraestrutura web Cloudflare. Essa combinação reúne um processador de pagamentos, uma empresa nativa do setor de criptomoedas e uma companhia que opera parte relevante do tráfego da internet.

Assim, a Mastercard sinaliza que pretende estruturar o Agent Pay for AI como infraestrutura interoperável, e não como ecossistema fechado. Ademais, esse desenho amplia o potencial de integração com múltiplos ambientes comerciais e técnicos.

Ao mesmo tempo, a concorrência também acelera. Visa e Stripe desenvolveram ferramentas para um cenário em que bots de IA façam compras, administrem contas bancárias e paguem assinaturas. A Coinbase lançou o protocolo x402 para pagamentos de IA. A Stripe, por sua vez, colaborou com a Tempo para desenvolver o Machine Payments Protocol. Além disso, o Google divulgou seu próprio padrão em setembro de 2025.

Mastercard vê maior impacto em cinco anos

Jorn Lambert, Chief Product Officer da Mastercard, adotou tom cauteloso ao tratar das expectativas comerciais de curto prazo. Ele afirmou que não espera que o Agent Pay for AI se torne fonte relevante de receita nos próximos 12 meses.

Ainda assim, em um horizonte de cinco anos, Lambert descreveu a iniciativa como um novo mercado endereçável de peso. O executivo também avaliou que chatbots de IA devem ocupar, no futuro, uma parcela relevante das transações de comércio eletrônico.

Em outras palavras, a Mastercard enxerga o protocolo menos como aposta especulativa e mais como construção antecipada de infraestrutura. O objetivo é preparar a companhia para uma mudança estrutural no comércio digital.

Além disso, o anúncio surgiu uma semana depois de a empresa abrir seus trilhos globais de liquidação para seis stablecoins reguladas em oito redes blockchain. Dessa maneira, a movimentação indica uma incorporação mais profunda de trilhos baseados em criptomoedas à arquitetura da companhia.

Como resultado, a proposta da Mastercard tenta resolver um problema concreto: permitir pagamentos pequenos, contínuos e automatizados entre sistemas, com verificação pública das permissões concedidas por usuários. Para isso, a empresa escolheu a Polygon na estreia do Agent Pay for AI, com apoio de Adyen, Coinbase e Cloudflare. Jorn Lambert indicou que o impacto comercial mais relevante deve aparecer ao longo dos próximos cinco anos, e não no curto prazo.