Mercado Bitcoin sofre ataque de até US$ 49 milhões

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A Mercado Bitcoin, maior exchange de criptomoedas do Brasil, sofreu um ataque a hot wallets na madrugada de 2 de novembro de 2026. O incidente movimentou entre US$ 38 milhões e US$ 49 milhões em até 17 blockchains. Apesar de especulações iniciais, não há evidências de ligação com Satoshi Nakamoto.

A exchange afirmou em um comunicado no X que identificou e conteve rapidamente o incidente de segurança. Como precaução, a plataforma suspendeu depósitos e saques. Na ocasião, a empresa declarou que os clientes não tiveram perdas e que não ocorreu vazamento de dados.

Rastreamentos indicam saídas em várias redes

A estimativa de US$ 49 milhões ganhou força após o rastreamento da Chainalysis. A empresa identificou movimentações próximas desse valor em 17 blockchains. Além disso, a análise indicou que o invasor retirou os recursos em ondas coordenadas, e não em uma única operação.

Estimativa da Chainalysis
Cerca de US$ 49 milhões
Estimativa dos recursos roubados e movimentados em 17 blockchains durante o incidente.

 

Por sua vez, a Arkham identificou ao menos US$ 46 milhões drenados em dez blockchains. Conforme o rastreamento, as retiradas começaram na rede Base às 01h22 UTC. A empresa também encontrou uma transferência de 104,43 BTC às 06h41 UTC, avaliada em cerca de US$ 8,16 milhões naquele momento.

A movimentação de Bitcoin corresponde à transação ada3bb23…5fcf9. Posteriormente, a Mercado Bitcoin informou à CoinDesk que a perda líquida ficou próxima de US$ 38 milhões. Outros US$ 11 milhões foram congelados com a colaboração da Tether, Circle e Chainalysis.

Na madrugada, a Mercado Bitcoin, maior exchange de criptomoedas do Brasil, sofreu um incidente de segurança que resultou no roubo de aproximadamente US$ 49 milhões. Nas primeiras horas de 2 de novembro, um invasor começou a movimentar recursos mantidos em 17 blockchains. As retiradas ocorreram em ondas para drenar os valores estimados.

Chainalysis no X

Como a exposição das hot wallets ampliou o ataque

Exchanges centralizadas mantêm hot wallets conectadas à internet para processar depósitos e saques com rapidez. Em contrapartida, as reservas em cold storage permanecem desconectadas da rede. Essa estrutura oferece liquidez operacional, mas amplia a exposição dos recursos usados nas operações diárias.

O rastreamento da Arkham mostra que o invasor agiu de forma organizada em várias redes. Nesse contexto, os dados sugerem o comprometimento de chaves privadas ou credenciais com acesso a diferentes sistemas de gestão. Até a publicação, nenhuma autoridade havia atribuído o ataque a um grupo ou indivíduo.

Transações assinadas dificultam a recuperação

Depois que uma chave privada assina uma transferência, a blockchain registra a operação de forma definitiva. No entanto, emissores de stablecoins permissionadas conseguem bloquear endereços e congelar saldos. Esse mecanismo interrompeu a movimentação de US$ 11 milhões em USDT e USDC durante o incidente.

Bitcoin, Ether e a maioria dos demais ativos não possuem um recurso semelhante. Dessa forma, os US$ 38 milhões representam a perda líquida que a empresa não conseguiu congelar ou recuperar. A diferença entre as estimativas decorre dos métodos usados para calcular saídas brutas e perdas líquidas.

Incidente reforça riscos de custódia e DeFi

O caso envolveu uma exchange centralizada, e não uma exploração tradicional de contrato inteligente. Ainda assim, o episódio destaca riscos que também afetam usuários de DeFi. Custódia, assinatura de transações e falhas em contratos inteligentes representam vetores distintos de perda.

O risco de custódia surge quando uma terceira parte perde recursos mantidos sob sua guarda. Por outro lado, o risco de assinatura ocorre quando um usuário ou sistema autoriza uma transferência maliciosa. Já o risco de contrato inteligente decorre de códigos vulneráveis que permitem retiradas não autorizadas.

Na data da pesquisa, o Bitcoin era negociado a US$ 77.142. Ao mesmo tempo, o Índice de Medo e Ganância marcava 26 pontos, indicando medo no mercado. Esses dados oferecem contexto sobre o ambiente de negociação, mas não determinam o valor do ataque.

Referência de mercado do Bitcoin
US$ 77.142
Preço à vista do Bitcoin no momento da pesquisa, apresentado apenas como contexto de mercado.

 

Aprovações ilimitadas e assinaturas cegas

Protocolos DeFi frequentemente solicitam aprovações ilimitadas de ativos no primeiro contato com um contrato. Assim, um contrato autorizado pode retirar todo o saldo aprovado sem exigir nova confirmação. Um invasor também pode explorar essa permissão caso comprometa o protocolo.

Muitos usuários aceitam essas autorizações sem conferir o endereço do recebedor ou o limite aprovado. Além disso, carteiras físicas e extensões de navegador podem exibir dados em hexadecimal ou hashes incompletos. Essa limitação aumenta o risco de confirmar uma operação diferente daquela apresentada pela interface.

Por isso, assinar mensagens Permit2, ordens Seaport ou operações entre redes sem compreender os dados equivale a uma assinatura cega. Interfaces falsas que imitam protocolos legítimos exploram esse comportamento. Na prática, a carteira executa a autorização válida mesmo quando o usuário não entende seus efeitos.

Pontos que permanecem sem confirmação

A Mercado Bitcoin ainda não publicou uma análise técnica completa do incidente. A empresa também não detalhou publicamente a diferença entre a perda líquida de US$ 38 milhões e a estimativa bruta de US$ 49 milhões. Embora coopere com autoridades, nenhum regulador havia divulgado um posicionamento público até então.

A identidade do invasor permanece desconhecida. A Arkham informou que nenhum grupo havia sido associado ao ataque na data da publicação. Também não existia confirmação sobre o destino dos 104,43 BTC, que poderiam permanecer guardados, misturados ou enviados a uma exchange.

Medidas após uma assinatura suspeita

Usuários que assinarem uma aprovação suspeita devem revogá-la imediatamente em ferramentas que consultam permissões ativas. A revogação não desfaz uma transferência concluída. Contudo, ela encerra a autorização antes de uma possível retirada posterior.

No caso de stablecoins, o usuário pode contatar Tether ou Circle com o endereço da carteira e o hash da transação. O incidente mostrou que os emissores conseguem congelar recursos durante a movimentação quando recebem o alerta rapidamente. Antes de transferências relevantes, convém verificar contratos, limitar aprovações e conferir o endereço de destino.

Uma estrutura com duas carteiras também reduz a superfície de ataque. A primeira deve manter apenas os valores necessários para operações DeFi diárias. Enquanto isso, uma carteira-cofre protegida por hardware deve permanecer desconectada de interfaces DeFi.

Perguntas frequentes sobre a Mercado Bitcoin

Satoshi Nakamoto perdeu US$ 49 milhões?

Não há evidência verificada que sustente essa afirmação. Os comunicados e rastreamentos disponíveis apontam as hot wallets da Mercado Bitcoin como origem dos recursos drenados. A associação com Satoshi parece ter surgido de especulação da comunidade ou de um possível rótulo de carteira.

Os recursos roubados podem ser recuperados?

Emissores de USDT e USDC podem congelar saldos vinculados a endereços específicos. Esse recurso permitiu interromper US$ 11 milhões durante o incidente. Entretanto, a recuperação de Bitcoin e Ether depende de devolução, apreensão policial ou bloqueio em plataformas identificadas.

Como armazenar valores usados em DeFi?

A prática recomendada consiste em separar uma hot wallet operacional de uma carteira-cofre protegida por hardware. A carteira-cofre deve autorizar operações somente pelo dispositivo físico e não deve interagir com interfaces desconhecidas. Para valores mantidos em exchanges, dividir a custódia reduz o risco de um único ponto de falha.

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