Mercado cripto avança com cautela e risco no radar
Mercado cripto inicia a semana em alta contida, com cautela institucional no radar
O mercado de criptomoedas começou a semana com leve viés positivo, mas sem sinal claro de retomada de força. A capitalização total avançou 0,6% nas últimas 24 horas, alcançando US$ 3,2 trilhões. Ainda assim, o movimento carece de convicção. No momento da redação, 63 das 100 maiores criptomoedas operavam em queda diária, o que reforça o caráter defensivo do pregão.
Além disso, o volume total negociado no mercado cripto soma US$ 87,2 bilhões, patamar significativamente inferior ao observado nas semanas anteriores. Esse dado indica redução do apetite ao risco, mesmo com preços relativamente estáveis.
Desempenho misto entre as principais criptomoedas
Com a abertura da semana, o desempenho entre as dez maiores criptomoedas por valor de mercado mostrou equilíbrio. Desconsiderando as stablecoins, quatro ativos registraram queda nas últimas 24 horas, enquanto outros quatro avançaram.
O Bitcoin apresentou leve valorização de 0,7% no período, sendo negociado próximo a US$ 91.271. Apesar da recuperação, o ativo segue em consolidação após falhar em sustentar níveis acima de US$ 92.000 durante o pregão asiático.

O Ethereum teve desempenho um pouco superior, com alta de 1,2%, negociado a US$ 3.128. Entre os grandes destaques positivos do dia, a Solana liderou os ganhos, avançando 3,6% e atingindo US$ 141. Em seguida, o Lido Staked Ether subiu 1,3%, sendo cotado a US$ 3.124.
No campo negativo, o XRP registrou a maior queda entre os grandes ativos, recuando 2,1% para US$ 2,05. O Dogecoin caiu 2%, negociado a US$ 0,1368. Já o BNB recuou 1,2%, para US$ 902, enquanto o Tron apresentou leve baixa de 0,2%, cotado a US$ 0,2977.
Destaques entre as 100 maiores criptomoedas
Entre as 100 maiores criptomoedas por capitalização de mercado, apenas um ativo registrou queda de dois dígitos. A Pol (POL) caiu 11,3%, sendo negociada a US$ 0,1584. Logo atrás, a Provenance Blockchain (HASH) recuou 9,5%, para US$ 0,02155. As demais perdas do grupo ficaram abaixo de 5%.
Por outro lado, três ativos apresentaram valorização expressiva. O Monero disparou 18,1%, alcançando US$ 569, refletindo a continuidade da demanda por tokens focados em privacidade. A Canton (CC) avançou 10,9%, negociada a US$ 0,1459, enquanto a MYX Finance subiu 10,2%, cotada a US$ 5,51.
Ruído regulatório nos EUA e abertura institucional na Ásia
No campo regulatório, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos nos Estados Unidos. A Coinbase afirmou que pode retirar apoio a projetos legislativos relevantes sobre criptomoedas caso o Senado inclua restrições adicionais às recompensas de stablecoins além das exigências de transparência. O posicionamento elevou a tensão antes da votação prevista para 15 de janeiro.
Enquanto isso, no outro extremo do globo, a Coreia do Sul pode estar prestes a encerrar uma proibição de nove anos ao investimento corporativo em criptomoedas. O país trabalha em novas diretrizes que permitirão que empresas listadas e investidores profissionais negociem ativos digitais, o que representa um potencial catalisador estrutural para o mercado asiático.
Bitcoin reage a risco institucional e tensões macroeconômicas
Segundo Petr Kozyakov, cofundador e CEO da Mercuryo, o Bitcoin perdeu força após superar US$ 92.000, refletindo a retração das ações de tecnologia dos EUA em um ambiente de maior aversão ao risco. De acordo com ele, o mercado responde às crescentes tensões entre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nesse cenário, investidores globais voltam a buscar ativos de proteção, como ouro e prata. Ainda assim, no universo cripto, a narrativa de fortalecimento de tokens de privacidade segue relevante. Monero e Zcash, por exemplo, avançaram 16% e 4%, respectivamente, mantendo uma tendência observada nos últimos meses de 2025.
Analistas da Bitunix acrescentaram um componente adicional de incerteza ao destacar que promotores federais dos EUA iniciaram uma investigação criminal envolvendo Jerome Powell. Do ponto de vista macro, esse movimento representa mais do que um risco jurídico pontual. Trata-se, segundo eles, de um desafio direto à percepção de independência do banco central americano.
Caso o mercado passe a questionar essa neutralidade, as estruturas globais de precificação de ativos podem ser reavaliadas. Nesse contexto, o Bitcoin tende a reagir de forma sensível, pois ativos descentralizados costumam incorporar prêmios de risco baseados em narrativas institucionais.
Níveis técnicos de Bitcoin e Ethereum
Tecnicamente, o Bitcoin permanece em consolidação. Após negociar lateralmente, o ativo caiu até a mínima intradiária de US$ 90.244, subiu até US$ 92.356 e voltou a corrigir. Na última semana, o BTC oscilou entre US$ 89.799 e US$ 94.420, acumulando queda de 2,1%.
Um fechamento acima de US$ 91.520 pode abrir espaço para avanço até US$ 93.011 e, posteriormente, US$ 94.800. Por outro lado, a perda do suporte em US$ 91.000 pode levar o preço para US$ 89.241 e, em um cenário mais negativo, para US$ 87.921.

O Ethereum segue padrão semelhante. O ativo oscilou entre US$ 3.095 e US$ 3.163 no intradiário e acumula queda semanal de 1,5%. Caso consiga fechar acima de US$ 3.180, pode buscar US$ 3.250 e testar novamente a região de US$ 3.300. Uma perda consistente abaixo de US$ 3.100, porém, aumenta o risco de queda abaixo de US$ 3.000.

Sentimento do mercado e fluxo dos ETFs
O sentimento do mercado segue enfraquecendo gradualmente. O índice de medo e ganância permanece em 40, na zona neutra, mas em trajetória descendente. Isso indica cautela crescente enquanto investidores aguardam novos sinais macroeconômicos e geopolíticos.
No mercado institucional, os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA fecharam a semana com saídas líquidas. Na sexta-feira, os fundos registraram resgates de US$ 249,99 milhões. Apenas a Fidelity teve fluxo positivo, com entrada de US$ 7,87 milhões. Já a BlackRock e a Bitwise registraram saídas relevantes.

Por outro lado, a BlackRock registrou saídas de US$ 251,97 milhões, enquanto a Bitwise desembolsou US$ 5,89 milhões.

Além disso, os ETFs de ETH dos EUA também registraram fluxos negativos em 9 de janeiro. As saídas de capital no dia totalizaram US$ 93,82 milhões . O fluxo líquido total de entrada agora é de US$ 12,43 bilhões.
Dos nove fundos, dois registraram saídas de capital. Nenhum apresentou novas entradas, assim como na quinta-feira.
A BlackRock desembolsou US$ 83,78 milhões, enquanto a Grayscale registrou saídas de US$ 10,04 milhões no mesmo dia.

Entretanto, os investidores retiraram quase US$ 750 milhões das duas maiores categorias de ETFs atrelados a criptomoedas durante a primeira semana completa de negociações do ano.
Por fim, dados da CryptoQuant indicam que o nível de US$ 79.000 no Bitcoin coincide com o preço médio de compra dos ETFs americanos. Abaixo desse patamar, muitos investidores institucionais passariam a operar no prejuízo, o que aumenta o risco de vendas mais agressivas caso esse suporte seja testado.