Mercado cripto iraniano movimenta US$ 7,8 bi com foco interno

O mercado cripto iraniano, analisado pela TRM Labs, apresenta um volume expressivo de US$ 7,8 bilhões em transações recentes. A Nobitex, maior exchange do país, concentra a maior parte desse fluxo e reforça seu papel central em um ecossistema majoritariamente doméstico. Além disso, muitos usuários recorrem aos ativos digitais para se proteger da inflação crescente e das restrições do sistema bancário local, o que mantém a liquidez circulando internamente.

Fluxo doméstico domina o mercado cripto do Irã

Segundo a TRM Labs, cerca de 88% dos recursos que entram no mercado cripto iraniano vêm de fontes internas. Esse padrão indica um ciclo fechado de liquidez, no qual fundos se movem entre exchanges domésticas e carteiras privadas. Assim, a cripto se transforma em uma alternativa acessível para uma população que enfrenta desvalorização constante do Rial e limitações bancárias rígidas.

Esse comportamento também cria desafios para reguladores ocidentais. No entanto, distinguir o uso civil da possível utilização estatal da infraestrutura cripto permanece difícil. Portanto, autoridades precisam equilibrar o combate à evasão de sanções com a proteção de usuários que dependem desses ativos para necessidades financeiras básicas.

Relatórios de empresas como Chainalysis e Elliptic apontam picos de movimentação após ataques aéreos recentes, sugerindo que tensões geopolíticas influenciam saques e deslocamentos de fundos.

Nobitex mantém estabilidade apesar de tensões

A Nobitex atua como núcleo de liquidez do Irã e já acumulou dezenas de bilhões em volume desde sua criação. Após ataques atribuídos aos Estados Unidos e Israel, analistas esperavam fuga de capitais mais intensa. Contudo, a TRM Labs observou apenas aumentos pontuais. Parte das transações superiores a US$ 35 milhões representava operações rotineiras de tesouraria, com a migração de fundos de carteiras quentes para armazenamento a frio diante do risco geopolítico.

A demanda por conversão entre Rial e cripto se mantém firme. Além disso, análises de clusters de carteiras mostram que os fundos continuam circulando internamente, reforçando a ideia de um sistema fechado. No entanto, a presença de instituições estatais adiciona complexidade, pois relatórios anteriores associaram setores do IRGC ao uso de cripto, misturando atividades civis e operacionais em um mesmo fluxo.

O ataque de 2025, atribuído ao grupo Predatory Sparrow e que causou perdas estimadas em US$ 90 milhões, também revelou vulnerabilidades relevantes. As movimentações posteriores das carteiras de grande porte destoaram do comportamento de usuários comuns, enquanto estudos da Elliptic destacaram a falta de alinhamento da plataforma às práticas de KYC adotadas em mercados ocidentais.

Stablecoins elevam pressão regulatória global

Dependência de USDT gera riscos adicionais

O ecossistema iraniano depende fortemente de stablecoins, especialmente o USDT, que opera como dólar digital para grande parte dos usuários. Essa dependência coloca emissores como a Tether sob atenção do OFAC. Além disso, a liquidez da Nobitex depende dessas moedas, o que aumenta o escrutínio sobre possíveis conexões com fluxos sancionados.

A exchange usa grandes carteiras coletivas que armazenam fundos de vários usuários. Portanto, um único bloqueio poderia congelar simultaneamente ativos de civis e fundos ligados ao IRGC, criando risco elevado de danos colaterais. Assim, reguladores tendem a evitar medidas amplas que afetem usuários comuns.

Mesmo após o ataque de 2025, a Nobitex restabeleceu suas operações rapidamente e continuou movimentando bilhões. Essa resiliência mostra como o Irã se afasta gradualmente das vias bancárias tradicionais, embora o país siga exposto a ciberataques e possíveis intervenções na camada blockchain.

No curto prazo, a TRM Labs conclui que o mercado cripto iraniano permanece centrado internamente, com a Nobitex como principal pilar de liquidez. Além disso, tensões regionais influenciam o uso da plataforma, enquanto pressões regulatórias internacionais continuam a moldar o futuro desse ecossistema complexo.