Mercado de stablecoin desacelera com taxas de depósitos

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O mercado de stablecoin desacelerou quando bancos dos Estados Unidos elevaram os juros pagos sobre depósitos. Um estudo do Banco de Compensações Internacionais, o BIS, identificou uma relação relevante entre esses mercados. Uma alta de um ponto percentual nas taxas reduziu em 2,8 pontos percentuais o crescimento da capitalização das stablecoins em dez semanas. Contudo, a estimativa não indica uma queda automática no valor total do setor.

A pesquisa analisou dados semanais dos Estados Unidos entre janeiro de 2019 e junho de 2025. Nesse contexto, os resultados sugerem que consumidores e investidores consideram o retorno bancário ao decidir quanto manter em stablecoins. Já o efeito apareceu com maior intensidade na USDC, da Circle, do que na USDT, da Tether. Os pesquisadores também encontraram padrões semelhantes em certificados de depósito bancário.

O estudo observou ainda recursos em stablecoins direcionados a plataformas de empréstimos em finanças descentralizadas. Apesar disso, os dados não comprovam que a adoção desses instrumentos reduziu os depósitos bancários. Tampouco demonstram uma contração na oferta de crédito dos Estados Unidos.

Juros bancários influenciam demanda por stablecoins

O documento de trabalho do BIS investiga se stablecoins e depósitos bancários competem pelos mesmos recursos. Essa concorrência ganha relevância quando os bancos oferecem retornos maiores aos clientes. Afinal, ambos os produtos podem preservar valor com relativa estabilidade e facilitar pagamentos. Entretanto, apenas os depósitos tradicionais costumam remunerar diretamente seus titulares.

No modelo estatístico inicial, uma alta de um ponto percentual nas taxas de depósitos teve impacto relevante. A mudança se associou a 2,8 pontos percentuais a menos no crescimento acumulado das stablecoins em dez semanas. Como referência, a capitalização do setor cresceu, em média, cerca de 15% em cada período equivalente da amostra. Assim, a estimativa reduziria esse ritmo para aproximadamente 12,2%.

Na prática, o resultado aponta uma desaceleração, mas não necessariamente uma retração da capitalização. Os autores também controlaram fatores que poderiam influenciar essa relação. Entre eles estavam os juros dos fundos federais, os rendimentos dos títulos do Tesouro e as variações do dólar.

Modelo alternativo indicou impacto maior

O modelo incluiu ainda o preço do Bitcoin e a volatilidade do mercado acionário. Dessa forma, os pesquisadores buscaram separar o retorno dos depósitos de outras condições econômicas. Depois, a equipe aplicou um modelo de variáveis instrumentais. A abordagem considera que os bancos ajustam mais lentamente os juros pagos aos clientes quando as taxas estão baixas.

Quando a taxa dos fundos federais supera aproximadamente 3%, os rendimentos dos depósitos reagem mais às mudanças monetárias. Com base nessa diferença, o modelo estimou uma redução de 9,1 pontos percentuais no crescimento acumulado das stablecoins. O efeito apareceu novamente após um período de dez semanas. Portanto, a estimativa ficou cerca de três vezes acima do resultado inicial.

Ainda assim, o estudo não afirma que toda alta de um ponto percentual produzirá esse efeito. O método concentra a análise em períodos com juros mais elevados. Por isso, diferentes condições econômicas podem mudar a intensidade da resposta.

USDC reage mais que USDT às taxas bancárias

Na estimativa inicial, uma alta de um ponto percentual nas taxas reduziu em 4,8 pontos o crescimento acumulado da USDC. Para a USDT, o impacto correspondente chegou a 1,9 ponto percentual. Com isso, a reação da USDC foi cerca de 2,5 vezes maior. O período analisado também correspondeu a dez semanas.

Segundo os pesquisadores, essa diferença condiz com a maior proximidade da USDC com investidores institucionais e mercados financeiros dos Estados Unidos. Em contrapartida, a USDT atende uma base internacional mais ampla. As decisões desses usuários podem depender de relações bancárias locais. O acesso a instrumentos denominados em dólar também pode influenciar essas escolhas.

O documento não identifica como cada usuário transferiu recursos entre bancos e stablecoins. Em vez disso, as conclusões resultam de relações estatísticas entre taxas de depósitos e mudanças na capitalização. Logo, o estudo aponta uma associação econômica, sem rastrear movimentações individuais.

Debate bancário acompanha avanço da regulamentação

Os testes mantiveram uma relação negativa quando os autores substituíram as taxas comuns pelos rendimentos de certificados de depósito. De modo semelhante, recursos em stablecoins enviados a protocolos de empréstimos em DeFi apresentaram o mesmo comportamento. Essa relação permaneceu mesmo após o ajuste pelos rendimentos oferecidos pelas plataformas. Assim, o resultado apareceu em diferentes segmentos do mercado.

Enquanto isso, bancos e empresas do setor discutem como stablecoins reguladas devem operar ao lado dos depósitos tradicionais. Representantes bancários questionam se recompensas oferecidas por exchanges e intermediários podem retirar recursos de contas seguradas. Ao mesmo tempo, instituições financeiras exploram produtos baseados em blockchain. Reguladores também elaboram exigências específicas para emissores de stablecoins.

Em junho, Custodia Bank e Vantage Bank testaram um instrumento digital de dupla função. A estrutura pode atuar como depósito em uma rede bancária e como stablecoin fora dela. O BIS não avaliou os efeitos do GENIUS Act sobre a demanda, pois a base de dados termina em junho de 2025. Além do mais, o histórico curto do setor limita conclusões sobre o comportamento bancário no longo prazo.

O documento também não representa uma posição oficial do BIS ou dos bancos centrais associados à instituição. Portanto, os resultados refletem apenas as conclusões dos pesquisadores responsáveis. O estudo oferece evidências sobre a concorrência por recursos, mas não confirma prejuízos ao crédito bancário.

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