Mercado reage à possível indicação de Warsh ao Fed

O mercado global segue atento à escolha de Donald Trump para o comando do Federal Reserve, enquanto o Bitcoin apresenta movimentos sensíveis diante dos rumores envolvendo Kevin Warsh. Fontes da Reuters e do Wall Street Journal indicam que o ex-governador do Fed é o nome mais cotado para assumir o posto, o que aumenta a volatilidade dos ativos de risco.

Warsh esteve reunido com Trump na Casa Branca na quinta-feira, reforçando as expectativas em torno de sua indicação. O ex-presidente afirmou que o anúncio ocorreria nesta sexta e sugeriu que o escolhido já havia sido considerado para o cargo no passado, uma sinalização direta ao período em que Warsh disputou a posição com Jerome Powell.

Uma movimentação intensa surgiu nos mercados de previsão, onde a plataforma Polymarket elevou a probabilidade de indicação de Warsh a cerca de 93 por cento. Esse salto, conforme traders, pode refletir informações antecipadas que influenciam o comportamento dos participantes. Além disso, uma reportagem da Bloomberg revelou que a equipe de Trump se prepara para oficializar a escolha, ampliando a leitura de que o processo se aproxima de um desfecho.

Reações do mercado e efeitos na volatilidade

Traders macro consideram que o cenário converge para um único resultado, enquanto analistas descrevem Warsh como flexível em cortes de juros, mas rígido quanto ao tamanho do balanço do Fed. Segundo o trader Alex Krüger, Warsh defende uma reformulação estrutural do banco central e a construção de um novo acordo com o Tesouro.

Krüger acrescenta que Warsh vê ganhos de produtividade gerados por inteligência artificial como fatores desinflacionários, o que permitiria cortes mais agressivos. No entanto, o economista argumenta que o ex-governador se mantém contrário a políticas de afrouxamento quantitativo, defendendo a redução expressiva do balanço do Fed.

O ex-trader do Fed Joseph Wang avaliou que um Fed comandado por Warsh aceitaria preços de ativos mais baixos em troca de juros reduzidos. Portanto, parte do chamado efeito riqueza observado na gestão Bernanke poderia ser revertido. Para o Bitcoin e outros ativos de risco, essa visão sinaliza que cortes de juros não significam, necessariamente, condições financeiras mais frouxas.

A economista Anna Wong, da Bloomberg, lembrou em 22 de janeiro, que Warsh defendia postura dura contra a inflação já em 2009, mesmo em ambiente de baixa pressão inflacionária. Assim, o potencial indicado apresenta histórico de firmeza em decisões monetárias.

Avaliação de Warsh sobre inflaçãoFonte: @AnnaEconomist no X


E ontem à noite, 28 de janeiro, ela comentou no X:

Reação do mercado às notícias de Warsh (títulos de 10 anos, ouro, futuros de ações, dólar, bitcoin). O título de 10 anos está seguindo a tendência do Polymarket em perfeita sintonia.

Fonte: @AnnaEconomist

Posições sobre ativos digitais e impacto no Bitcoin

James E. Thorne, estrategista-chefe da Wellington-Altus, afirmou que Warsh une credibilidade de mercado à disposição para adotar regras rígidas no Fed. Além disso, Thorne avalia que Warsh apoia cortes quando necessário, sem abrir mão de disciplina monetária, o que pode alinhar suas decisões aos interesses do governo Trump.

No universo do Bitcoin, Warsh mantém postura considerada equilibrada. Em entrevista ao Hoover Institution, em julho de 2025, ele declarou que o ativo não ameaça o dólar e funciona como ferramenta de feedback para formuladores de políticas.

“Penso nele como um ativo importante que pode ajudar a informar os formuladores de políticas quando estão fazendo certas coisas corretamente ou não. Não é um substituto para o dólar.”

Warsh também diferenciou inovadores de imitadores no mercado de cripto e ressaltou o papel do Bitcoin como indicador de confiança monetária.

No momento da apuração, o Bitcoin era negociado a US$ 82.695.

Gráfico de preço do Bitcoin

Fonte: BTCUSDT no TradingView.com

A possível indicação de Warsh ocorre em meio a revisões rápidas nas expectativas de juros. Decerto, o que aumenta a sensibilidade do Bitcoin a qualquer anúncio oficial de Trump. Além disso, a combinação de cortes potenciais com maior rigor monetário mantém o mercado em alerta. E reforça a atenção sobre as próximas decisões do Fed.