Merck sobe após FDA aprovar pílula Lipfendra
As ações da Merck & Co., Inc. avançavam cerca de 1% no pré-mercado desta quinta-feira, para US$ 125, após a Food and Drug Administration, a FDA dos Estados Unidos, aprovar o Lipfendra, nome comercial do enlicitide. A decisão saiu antes do prazo previsto no programa acelerado de revisão da agência. Em 2026, os papéis da farmacêutica acumulam alta aproximada de 18%.
A aprovação fortalece a tese de diversificação da companhia. Afinal, o mercado acompanha a busca da Merck por novas fontes de receita antes da perda de patente do Keytruda em 2028. Além disso, o avanço reforça o interesse de investidores por empresas com pipeline robusto e execução comercial relevante.
Lipfendra amplia o alcance terapêutico da Merck
O Lipfendra se torna o primeiro inibidor oral de PCSK9 disponível no mercado. Assim, a Merck passa a oferecer uma nova opção de tratamento para adultos com hipercolesterolemia, como complemento à dieta e ao exercício. A proteína PCSK9 atua no controle do LDL-C, conhecido como colesterol ruim.
"Hoje, anunciamos com orgulho que a FDA dos Estados Unidos aprovou o primeiro inibidor oral de PCSK9, oferecendo uma nova opção de tratamento como complemento à dieta e ao exercício para adultos com hipercolesterolemia, ou colesterol LDL elevado. Saiba mais sobre a aprovação."
Merck no X
Até agora, os medicamentos dessa classe chegavam ao mercado apenas em formulações injetáveis. Portanto, a forma oral pode ampliar a adesão de pacientes que evitam aplicações frequentes. Ao mesmo tempo, o lançamento coloca a Merck em disputa direta com terapias já estabelecidas.
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no mundo. Além disso, respondem por cerca de um quarto de todas as mortes nos Estados Unidos. As estatinas dominam esse tratamento desde a década de 1980. Ainda assim, elas não atendem plenamente todos os pacientes, principalmente aqueles com colesterol alto de origem hereditária.
Em dois estudos clínicos, o Lipfendra reduziu os níveis de LDL-C em 60%. Os ensaios não registraram efeitos colaterais graves. Contudo, cerca de 7% dos participantes relataram diarreia. Um estudo mais longo, voltado a medir desfechos como infarto e AVC, segue em andamento e deve terminar apenas em 2029.
Preço e conveniência podem impulsionar vendas
A Merck entra em um segmento já ocupado por terapias injetáveis de inibição de PCSK9. Ainda assim, o preço de tabela do novo medicamento pode abrir espaço competitivo. A companhia definiu o valor do Lipfendra em US$ 315 por mês, abaixo dos concorrentes injetáveis, que custam mais de US$ 500 mensais.
A empresa afirmou que começará a comercializar a pílula nas próximas semanas. Além disso, analistas projetam que as vendas do Lipfendra possam superar US$ 350 milhões em 2027. Em um cenário de longo prazo, o potencial anual estimado chega a US$ 5 bilhões, caso a adoção comercial acompanhe as expectativas do mercado.
Entre os rivais, o Repatha, da Amgen, registrou vendas de US$ 900 milhões no primeiro trimestre de 2026, com alta de 34% na comparação anual. Da mesma forma, o Leqvio, da Novartis, somou US$ 400 milhões no mesmo período, avanço de 76%. Já o Praluent, da Regeneron, gerou US$ 260 milhões em vendas nos Estados Unidos ao longo de 2025.
Esse quadro mostra um mercado já validado comercialmente. Por isso, a combinação entre conveniência e preço menor pode favorecer a entrada da Merck. Ainda que o segmento tenha líderes bem posicionados, a proposta oral oferece um diferencial concreto para médicos, pacientes e operadoras.
O tema também se conecta à estratégia financeira da farmacêutica. O Keytruda, principal remédio oncológico da Merck e responsável por US$ 32 bilhões em receita anual, perde proteção de patente em 2028. Nesse sentido, o Lipfendra aparece como um dos ativos cotados para ajudar a compensar a futura pressão sobre o faturamento.
Analistas mantêm visão positiva para MRK
Separadamente, o Guggenheim reiterou nesta quinta-feira sua recomendação de compra para MRK, com preço-alvo de US$ 145. Segundo o banco, dados positivos de fase 3 apresentados pela parceira Kelun-Biotech reforçam a visão construtiva sobre a empresa.
O estudo combinou o ADC direcionado a TROP2, sacituzumab tirumotecan, com o Keytruda em pacientes de primeira linha com câncer de pulmão de não pequenas células, ou NSCLC, com tumores não escamosos e PD-L1 negativo. A combinação mostrou melhora relevante na sobrevida livre de progressão e tendência positiva de sobrevida global em relação ao braço de controle.
O mercado espera dados mais detalhados para o encontro da European Society for Medical Oncology, a ESMO, em outubro. Além disso, outras casas também mantêm projeções positivas para a ação. O BMO Capital trabalha com preço-alvo de US$ 142 para MRK. Já o Scotiabank é mais otimista, com US$ 155, apoiado por uma expansão de múltiplo em sua análise de fluxo de caixa.
No momento, MRK negocia perto da máxima de 52 semanas, de US$ 130,29. Para investidores que acompanham ações de saúde, o caso da Merck reúne três vetores centrais: aprovação regulatória, potencial comercial e suporte de analistas.
Concorrência futura segue no radar do mercado
Apesar do impulso inicial, a vantagem do Lipfendra pode não durar sozinha por muito tempo. A AstraZeneca também desenvolve um inibidor oral de PCSK9 concorrente, chamado laroprovstat. Portanto, a disputa nesse nicho tende a aumentar nos próximos anos.
Em suma, a Merck passa a contar com um novo ativo aprovado pela FDA, redução de 60% no LDL-C em dois estudos e preço mensal de US$ 315. A empresa também prevê iniciar as vendas nas próximas semanas. Enquanto isso, analistas mantêm suporte para MRK com preços-alvo entre US$ 142 e US$ 155, e o mercado aguarda novas divulgações sobre o Keytruda em outubro.