Meta abre modelo e Mark Zuckerberg defende superinteligência

Mark Zuckerberg publicou nesta segunda-feira (10) um manifesto de cerca de 6.500 palavras, intitulado “The Future is for Everyone”. No texto, o fundador da Meta afirma que a superinteligência não deve ficar restrita a poucas instituições. Em vez disso, ele defende que a tecnologia alcance bilhões de pessoas.

O documento se apoia em três pilares: fortalecimento individual, incentivo à invenção e equilíbrio de poder como base da segurança. Assim, a linguagem se aproxima de conceitos defendidos há mais de uma década pelo setor de Web3.

No entanto, o argumento chama atenção pela origem. Zuckerberg dirige uma das empresas mais centralizadas do mundo em controle e processamento de dados.

Empresa detalha acesso a modelos e agentes de IA

Além da proposta filosófica, o CEO anunciou medidas concretas. A empresa lançou o Muse Glimmer, um modelo de pesos abertos voltado para agentes locais que rodam na máquina do usuário.

Também afirmou que a companhia abrirá os pesos do Muse Spark 1.2 nas próximas semanas. Segundo o executivo, cada pessoa terá um agente pessoal capaz de trabalhar 24 horas por dia.

Esse agente contará com um modo privado, cuja criptografia Zuckerberg comparou à usada no WhatsApp. Por sua vez, os usuários também poderão interagir com a ferramenta por meio de óculos inteligentes.

O acesso básico será gratuito para bilhões de usuários. Já quem precisar de maior capacidade computacional pagará por meio de um mecanismo de leilão dinâmico.

De acordo com o manifesto, o sistema buscará oferecer o menor preço possível pela inteligência consumida por cada usuário. A Meta ainda criou um conselho independente com autoridade para aprovar critérios de segurança antes de cada lançamento.

Discurso de descentralização mantém limites

Embora a empresa proponha distribuir recursos, o plano reproduz apenas parte dos argumentos recorrentes no universo das criptomoedas. Zuckerberg usou a cibersegurança para ilustrar essa visão.

Na avaliação dele, o mundo ficaria mais vulnerável se apenas uma pessoa controlasse uma superinteligência voltada à cibersegurança. Contudo, a disponibilidade ampla desse recurso fortaleceria os sistemas coletivamente.

Com isso, a lógica se aproxima do código aberto e das redes sem permissão. Da mesma forma, Zuckerberg defendeu a destilação, prática que permite treinar modelos com base em outros modelos.

Para ele, as empresas devem proteger o princípio de aprender com tudo o que alguém pode observar. Ainda assim, a descentralização descrita pela Meta se limita ao acesso, e não ao controle.

Na prática, a computação, o leilão e os agentes permanecem na infraestrutura da companhia. Zuckerberg também reconheceu que a empresa precisará agir com cautela ao decidir quais modelos abrirá.

Essa diferença é central para o Web3. Portanto, distribuir o uso não significa compartilhar a propriedade ou o poder sobre a infraestrutura.

Por outro lado, o manifesto sustenta que não existe uma única superinteligência benevolente. O texto argumenta que a segurança social depende do equilíbrio de poder, não apenas da tecnologia.

Manifesto surge durante corrida por inteligência artificial

Enquanto apresenta essa visão, a Meta investe bilhões para alcançar Anthropic, OpenAI e Google. Os modelos Llama 4 decepcionaram desenvolvedores no ano passado e ampliaram a pressão sobre a companhia.

Paralelamente, a empresa criou a Meta Superintelligence Labs, liderada por Alexandr Wang, cofundador da Scale AI. A iniciativa reforça a disputa pelo desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.

No mercado, as ações da Meta caem mais de 20% em 12 meses e acumulam recuo próximo de 10% no ano. Assim, os investidores ainda não aderiram totalmente à narrativa apresentada pela empresa.

Nesse contexto, o leilão dinâmico e os planos de alugar capacidade computacional a terceiros também podem gerar receita. Desse modo, o manifesto funciona como declaração de princípios e posicionamento diante de Washington e do mercado.

Resta saber se a distribuição proposta oferecerá apenas acesso aos usuários ou também controle efetivo. Há uma década, essa distinção acompanha a indústria de criptomoedas. A resposta definirá o alcance da visão apresentada pela Meta.