Meta Platforms sobe 11% com Muse, apesar da Amazon
Muse impulsiona ações e expectativas da Meta
As ações da Meta Platforms avançaram mais de 11% na segunda-feira. O movimento ocorreu após a rápida adoção inicial do Muse, seu novo agente de inteligência artificial para consumidores. Com isso, o papel registrou a maior alta diária desde abril de 2025. Também fechou no maior nível em quase 11 meses.
A Meta lançou o Muse em 8 de setembro, e o aplicativo rapidamente entrou entre os mais baixados dos Estados Unidos. Dados da Sensor Tower, citados pelo Bank of America, apontaram cerca de 2,5 milhões de downloads no país até 19 de setembro. Nesse período, o aplicativo alcançou aproximadamente 557 mil usuários ativos diários. A recepção inicial aumentou as expectativas sobre o potencial comercial do serviço.
Ao contrário de um chatbot convencional, o Muse executa tarefas em nome dos usuários. O agente pode navegar por sites, gerenciar e-mails, reservar viagens e realizar compras após receber aprovação. Assim, investidores passaram a enxergar o produto como uma possível fonte relevante de assinaturas. A variedade de funções, porém, depende do acesso contínuo a serviços de terceiros.
Em um cenário analisado, a Reuters Breakingviews estimou que a adoção paga do Muse poderia adicionar cerca de US$ 24 bilhões em receita. A avaliação considera a possibilidade de converter usuários para serviços pagos. Ainda assim, esse potencial depende do crescimento, da retenção e da adesão aos planos. Os primeiros dados não garantem o desempenho comercial no longo prazo.
Amazon bloqueia agente de inteligência artificial
O crescimento do Muse já provocou atritos com a Amazon. A varejista bloqueou o agente de fazer compras na Amazon.com. Conforme a empresa, a Meta não recebeu autorização para acessar contas, extrair dados ou processar transações. Por isso, usuários que tentam entrar na plataforma pelo Muse recebem um aviso sobre violação dos termos de uso.
A Amazon defende que agentes de compras de terceiros devem se identificar e respeitar a decisão de cada plataforma. A disputa, contudo, ultrapassa a relação entre as duas empresas. Esses agentes podem ocupar a intermediação entre consumidores e lojas. Dessa forma, varejistas podem perder controle sobre relacionamento, descoberta de produtos e publicidade.
A Amazon já opera suas próprias ferramentas de compras com inteligência artificial. Além disso, a companhia travou uma disputa semelhante com a Perplexity. Em contrapartida, outras plataformas adotaram uma postura diferente. A Shopify anunciou uma parceria que permite compras nos estabelecimentos de seus comerciantes e pagamentos pelo Shop Pay.
Receita adicional depende de execução
O analista Youssef Squali, da Truist, estima que o Muse pode gerar cerca de US$ 28,5 bilhões em receita adicional até 2030. A projeção depende da migração de usuários intensivos para planos pagos. Segundo o analista, o produto representa a tentativa mais clara da Meta de criar uma grande receita fora da publicidade. Portanto, a conversão para assinaturas será decisiva para sustentar a estimativa.
Os principais negócios da companhia ainda dependem fortemente de anúncios. Nesse contexto, um agente baseado em assinaturas poderia criar uma fonte recorrente de receita junto aos consumidores. O desempenho inicial também levou investidores a reavaliar os elevados gastos da empresa com inteligência artificial. Entretanto, a companhia ainda precisa demonstrar que o interesse inicial resultará em receitas duradouras.
A Meta planeja investir fortemente em data centers, chips e desenvolvimento de modelos. Antes da adoção do Muse, as ações enfrentavam pressão diante das dúvidas sobre o retorno desses investimentos. Agora, o aplicativo fortalece a tese de investimento em inteligência artificial da companhia. Mesmo assim, a execução continuará no centro da avaliação do mercado.
Privacidade e retenção permanecem como desafios
O entusiasmo das primeiras semanas não garante retenção no longo prazo. Restrições impostas por plataformas como a Amazon também podem limitar algumas das funções mais úteis do Muse. Ao mesmo tempo, agentes que enviam e-mails, compram e reservam viagens precisam acessar informações pessoais sensíveis. Esse nível de acesso amplia as preocupações relacionadas à privacidade e à segurança.
A Meta também testa recursos adicionais, incluindo um sistema de concierge humano para algumas ligações do Muse. Esse teste levantou questionamentos internos sobre privacidade. Caso o crescimento desacelere ou a conversão paga decepcione, o mercado poderá reduzir suas expectativas. Uma adesão maior ao bloqueio da Amazon também poderia afetar a utilidade do agente.
Até o momento, o Muse liderou rankings de lojas de aplicativos e atraiu milhões de downloads. O avanço das ações ajudou a adicionar quase US$ 200 bilhões ao valor de mercado da Meta em uma única sessão. No entanto, a valorização já incorpora os primeiros dados de adoção. O desempenho futuro dependerá da retenção, das assinaturas e do acesso a grandes plataformas.
| | Receba nossas últimas notícias em primeira mão. Adicione-nos como sua fonte preferida no Google e toque em “Favorito” para priorizar nossas atualizações. |
|---|