Metaplanet entra no top 3 de tesourarias de Bitcoin

A Metaplanet, empresa de investimentos listada em Tóquio, ampliou sua exposição ao Bitcoin após registrar cerca de US$ 19 milhões em receita operacional no primeiro trimestre de 2026. O resultado decorre de uma estratégia estruturada com derivativos do ativo digital.

Além disso, a receita foi gerada fora do caixa principal. Ainda assim, os valores vêm sendo reinvestidos na compra de Bitcoin, o que reforça o posicionamento de longo prazo da companhia no mercado de criptomoedas.

Estratégia com derivativos sustenta expansão

A Metaplanet adota uma abordagem em duas frentes. Em primeiro lugar, mantém um portfólio voltado à geração de renda com contratos de opções lastreados em colateral. Dessa forma, busca criar fluxo de caixa recorrente.

Em seguida, ao fim de cada ciclo, os ganhos são convertidos em compras diretas de Bitcoin. Assim, a empresa amplia continuamente sua reserva do ativo.

Dados divulgados em 2 de abril indicam que essa divisão gerou cerca de US$ 71,5 milhões nos últimos 12 meses. Desse total, aproximadamente US$ 54 milhões foram registrados ao longo de 2025. Portanto, o modelo sugere consistência operacional.

Ao mesmo tempo, a companhia intensificou aquisições no primeiro trimestre. Foram comprados 5.075 Bitcoins a um preço médio de US$ 79.898 por unidade, totalizando cerca de US$ 405 milhões investidos.

Como resultado, a Metaplanet passou a deter 40.177 Bitcoins. Com isso, posiciona-se como a terceira maior tesouraria corporativa do ativo entre empresas de capital aberto, segundo dados do Bitcoin Treasuries.

Métrica interna indica aumento de exposição

O CEO Simon Gerovich afirmou que o rendimento em Bitcoin por ação atingiu 2,8% em 2026. No entanto, esse indicador mede o aumento da exposição ao ativo, não representando diretamente lucro ou receita operacional.

Ao mesmo tempo, a empresa mantém foco na expansão de sua base em Bitcoin. Dessa maneira, a estratégia combina geração de renda com acumulação patrimonial.

Custo médio elevado exige atenção

Apesar do avanço, um ponto relevante chama atenção. O custo médio de aquisição dos Bitcoins da Metaplanet está em US$ 104.106 por unidade. Em contrapartida, o ativo era negociado próximo de US$ 66.550 no momento do anúncio.

Assim, há uma diferença significativa entre o valor pago e o preço de mercado. Embora esse cenário possa ocorrer em estratégias de longo prazo, ele amplia a exposição à volatilidade no curto prazo.

Gráfico Bitcoin

BTC/USD sendo negociado próximo de US$ 66.851 no gráfico de 24 horas. Fonte: TradingView

Em resposta, o mercado reagiu de forma moderada. As ações da empresa recuaram cerca de 2%, de US$ 308 para US$ 302, conforme dados do Yahoo Finance. Ainda assim, a Metaplanet manteve suas projeções para 2026.

Movimentos no setor reforçam riscos

Enquanto isso, outras empresas ajustam suas posições. A Nakamoto, por exemplo, vendeu 284 Bitcoins por cerca de US$ 20 milhões em março. Além disso, reduziu sua participação na própria Metaplanet, assumindo prejuízo.

Esse movimento reforça o nível de risco associado ao Bitcoin, conhecido por sua volatilidade. Ainda assim, companhias seguem adotando estratégias agressivas de exposição ao ativo.

Por outro lado, a Metaplanet mantém sua diretriz. A empresa continua combinando derivativos com acumulação direta. Dessa forma, busca equilibrar geração de caixa e crescimento patrimonial ao longo do tempo.

Por fim, a companhia manteve sua perspectiva para o exercício fiscal encerrado em 31 de dezembro de 2026. Nesse sentido, os dados do primeiro trimestre indicam execução consistente da estratégia adotada.