Metaplanet supera Coinbase em Bitcoin com 10.000 BTC

Empresa japonesa amplia tesouraria e sobe no ranking

A Metaplanet ampliou sua reserva de Bitcoin para 10.000 BTC após uma nova compra. Com isso, a empresa japonesa com ações em Tóquio superou a Coinbase em tesouraria corporativa conhecida.

A aquisição mais recente somou 1.112 BTC por 16,88 bilhões de ienes. O valor equivale a cerca de US$ 117 milhões, conforme as referências usadas no anúncio. Além disso, o custo médio de compra da Metaplanet passou para aproximadamente 13,9 milhões de ienes por unidade, ou cerca de US$ 96.400 por BTC.

O avanço chama atenção pela velocidade. Apenas duas semanas antes, a Metaplanet havia alcançado a posição de oitava maior detentora corporativa de Bitcoin. Agora, com 10.000 BTC, a empresa ultrapassou a Coinbase, que mantém 9.267 BTC em sua tesouraria conhecida.

Nesse sentido, o marco tem peso simbólico. Uma firma japonesa de investimentos passou a deter mais Bitcoin em reserva própria do que uma das empresas mais conhecidas da indústria de criptomoedas.

A estratégia da Metaplanet combina compras agressivas e divulgação pública de valores, quantidades e custo médio. Dessa forma, o mercado acompanha o ritmo de acumulação e a base de custo da companhia. O preço médio em torno de US$ 96.400 também indica entradas em diferentes faixas de preço.

Esse movimento amplia a visibilidade global da empresa. Afinal, a tese de tesouraria em Bitcoin ganhou força após operações semelhantes conduzidas pela Strategy. Ao mesmo tempo, a Metaplanet adapta essa lógica ao mercado japonês e busca capturar a demanda por exposição indireta ao ativo.

Compra recente muda comparação com a Coinbase

A superação da Coinbase altera o ranking das tesourarias corporativas de Bitcoin e fortalece a presença do Japão nesse segmento. A Coinbase continua entre as empresas mais reconhecidas do setor e atua como uma das maiores custodiantes e plataformas de negociação de Bitcoin do mundo.

A comparação, contudo, separa dois modelos de exposição. A Coinbase guarda grandes volumes de Bitcoin para clientes. Já a Metaplanet direciona capital corporativo para sua própria reserva. Em outras palavras, a companhia japonesa transformou o ativo em peça central de sua estratégia financeira.

Metaplanet aprova US$ 210 milhões para novas compras

No mesmo dia em que informou a compra de 1.112 BTC, a Metaplanet anunciou uma nova frente de financiamento. O conselho aprovou a emissão de US$ 210 milhões em títulos sem juros. Segundo a empresa, os recursos devem financiar novas aquisições de Bitcoin.

Essa estrutura importa porque instrumentos tradicionais de dívida corporativa exigem pagamentos periódicos de juros. Ao recorrer a títulos sem juros, a companhia busca captar recursos sem despesas financeiras recorrentes. Assim, desde que a estrutura ofereça compensação aos investidores, a empresa pode direcionar o capital para a compra do ativo.

Além disso, o modelo reforça uma tendência entre empresas que adotam reservas em Bitcoin. Em vez de depender apenas do caixa operacional, essas companhias usam dívida, emissões de ações e estruturas conversíveis a fim de acelerar a acumulação. Com efeito, esse roteiro ganhou notoriedade nos Estados Unidos, e a Metaplanet segue lógica semelhante no Japão.

Se os US$ 210 milhões forem totalmente usados na referência de cerca de US$ 96.400 por BTC, a empresa poderia comprar aproximadamente 2.100 BTC adicionais. Nesse cenário, sua posição total chegaria a cerca de 12.100 BTC. Como resultado, a distância para o próximo grupo de grandes detentoras corporativas diminuiria.

A reação do mercado também ganhou destaque. O anúncio da emissão saiu junto com o comunicado da compra. Por conseguinte, as ações responderam com forte valorização. Isso sugere que investidores atribuem prêmio à tese da companhia no mercado acionário e na demanda por seus instrumentos de dívida.

Mercado vê prêmio na tese de tesouraria em Bitcoin

Esse comportamento acompanha ciclos anteriores de empresas com exposição relevante ao ativo. Quando companhias anunciam compras significativas de Bitcoin, suas ações frequentemente sobem, sobretudo em fases favoráveis do mercado cripto. A lógica é direta: se o ativo valoriza, a tesouraria da empresa também ganha valor.

Assim, ações de companhias com grandes reservas de Bitcoin passaram a funcionar como uma via indireta de exposição. Para investidores que não querem ou não podem manter o ativo diretamente, esse tipo de papel oferece acesso dentro de uma estrutura listada e regulada.

Meta de 210.000 BTC até 2027 amplia a aposta

A ambição de longo prazo da Metaplanet é ainda maior. A companhia estabeleceu a meta de alcançar 210.000 BTC até o fim de 2027. Como já possui 10.000 BTC no balanço, precisaria adquirir mais 200.000 BTC ao longo de cerca de 18 meses.

A dimensão desse objetivo é extraordinária. Um total de 210.000 BTC representa aproximadamente 1% da oferta máxima de 21 milhões de Bitcoins. Considerando o preço de US$ 96.400 por unidade, os 200.000 BTC restantes custariam cerca de US$ 19,3 bilhões.

Portanto, o programa atual de títulos sem juros oferece apenas parte da resposta. Os US$ 210 milhões aprovados cobrem somente uma fração do capital necessário para atingir a meta. Dessa maneira, a Metaplanet provavelmente terá de combinar novas emissões de dívida, captações via ações, geração operacional de receita ou essas frentes em conjunto. Até o momento, a empresa não detalhou um plano completo de financiamento além da emissão atual.

Do ponto de vista da estrutura de mercado, um comprador corporativo desse porte pode influenciar a oferta disponível de Bitcoin. A oferta líquida do ativo já enfrenta limitações por causa de detentores de longo prazo e da redução da emissão após cada halving. No evento mais recente, em abril de 2024, a recompensa por bloco caiu de 6,25 BTC para 3,125 BTC. Com isso, a emissão diária de novas moedas ficou próxima de 450 BTC.

Para adquirir 200.000 BTC em 18 meses, a Metaplanet precisaria absorver, em média, cerca de 365 BTC por dia. Em outras palavras, isso representaria uma parcela expressiva da emissão diária. Embora a companhia não compre apenas moedas recém-mineradas, sua demanda adiciona um vetor estrutural relevante ao mercado.

Ações sobem mais de 22% em Tóquio

As ações da Metaplanet, sob o código 3350.T na Bolsa de Tóquio, avançaram mais de 22% na segunda-feira posterior ao anúncio. Os papéis chegaram momentaneamente a 1.860 ienes. Assim, a reação reforçou a leitura de que o mercado enxergou a ampliação da estratégia em Bitcoin como catalisador positivo para a companhia.

No quadro mais amplo, o episódio mostra que a adoção corporativa de Bitcoin segue avançando em diferentes jurisdições, incluindo o Japão. Além disso, o uso de instrumentos de mercado de capitais se torna cada vez mais sofisticado. A combinação entre títulos sem juros, mercado acionário e uma meta pública de acumulação indica um estágio mais maduro desse modelo.

Em suma, a compra de 1.112 BTC por 16,88 bilhões de ienes levou a Metaplanet a 10.000 BTC. A empresa superou a Coinbase, fixou custo médio próximo de US$ 96.400 por unidade e manteve a meta de alcançar 210.000 BTC até o fim de 2027. Agora, avalia financiar novas aquisições com a emissão de US$ 210 milhões em títulos sem juros.