Metaplanet supera Coinbase em reservas de Bitcoin

Compra de US$ 117 milhões leva empresa japonesa ao top 7

A Metaplanet ampliou sua tesouraria em Bitcoin para 10.000 BTC após comprar mais 1.112 BTC por 16,88 bilhões de ienes, cerca de US$ 117 milhões. Com isso, a companhia listada em Tóquio ultrapassou a Coinbase, que detém 9.267 BTC, e alcançou a sétima posição entre as empresas de capital aberto com maior reserva do ativo.

Além disso, a nova aquisição reforça a guinada da Metaplanet para uma estratégia corporativa centrada em Bitcoin. O custo médio de aquisição da posição total ficou em aproximadamente 13,9 milhões de ienes por BTC, o equivalente a cerca de US$ 96.400 por moeda. Dessa forma, o preço médio de entrada segue abaixo dos níveis atuais de mercado, o que indica ganhos não realizados relevantes.

A superação da Coinbase chama atenção porque a exchange está entre as marcas mais conhecidas do mercado de criptomoedas. Em contrapartida, a Metaplanet adotou o Bitcoin como principal ativo estratégico de tesouraria. Nesse sentido, o avanço no ranking mostra que a disputa entre empresas públicas com reservas em Bitcoin segue mais intensa.

Ao mesmo tempo, a companhia japonesa trata o ativo não como uma alocação secundária, mas como o eixo central de sua estrutura financeira. Essa postura aproxima a empresa de modelos mais agressivos de acumulação corporativa, como o adotado pela Strategy.

Dívida sem juros vira peça central da estratégia

A Metaplanet também indicou que pretende continuar comprando. Recentemente, a empresa anunciou um plano para emitir US$ 210 milhões em títulos sem juros, com o objetivo específico de captar recursos para novas aquisições de Bitcoin. Portanto, a operação revela até onde a companhia aceita usar o próprio balanço para ampliar sua exposição.

Esse tipo de estrutura foge do padrão da gestão de tesouraria corporativa. Afinal, ao emitir dívida sem pagamento periódico de juros, a empresa reduz o custo recorrente dos cupons. Ainda assim, precisa quitar o principal no vencimento. Na prática, a tese depende da valorização do Bitcoin ao longo do prazo da dívida.

Em outras palavras, a Metaplanet aposta que a alta futura do ativo poderá cobrir o pagamento e ainda gerar retorno aos acionistas. Contudo, a estratégia eleva o risco financeiro, sobretudo em cenários de queda prolongada. Por isso, analistas tendem a acompanhar de perto a execução da companhia.

A meta declarada pela empresa é alcançar 210.000 BTC até o fim de 2027. Para isso, porém, a Metaplanet precisará comprar mais 200.000 BTC nos próximos 18 meses. Como resultado, o plano se tornou um dos mais ambiciosos entre as empresas listadas expostas ao Bitcoin.

Ações avançam mais de 22% na Bolsa de Tóquio

A reação do mercado veio de forma imediata. As ações da Metaplanet subiram mais de 22% na Bolsa de Tóquio e chegaram a 1.860 ienes durante o pregão. Além disso, no acumulado do ano, os papéis registram alta superior a 417%.

Esse desempenho foge do padrão para uma empresa japonesa de investimentos. Ainda mais, ele reflete a confiança de parte do mercado na estratégia baseada em Bitcoin. Os investidores parecem precificar tanto o potencial de novas compras quanto os ganhos não realizados sobre a posição atual de 10.000 BTC.

Ao mesmo tempo, o movimento indica que investidores de varejo e institucionais no Japão aceitam melhor a exposição indireta ao Bitcoin por meio de ações. Com essa dinâmica, a Metaplanet passou a funcionar como um veículo listado para essa tese.

Por outro lado, a forte valorização também levanta dúvidas sobre valuation. Os papéis negociam com prêmio relevante em relação ao valor dos Bitcoins detidos pela companhia. Assim, o mercado não precifica apenas a posição atual, mas também a expectativa de execução da meta de 210.000 BTC. Se a empresa falhar nesse plano, ou se o preço do Bitcoin recuar de forma significativa, esse prêmio pode encolher rapidamente.

Corrida corporativa por Bitcoin pode ganhar novo impulso

A ultrapassagem da Coinbase reforça uma disputa crescente entre companhias abertas. Nesse cenário, o tamanho da tesouraria em Bitcoin virou um indicador visível de convicção no ativo. Além disso, reservas maiores tendem a atrair investidores que preferem exposição ao mercado acionário regulado em vez da compra direta de criptomoedas.

Para a Metaplanet, uma tesouraria crescente também funciona como ferramenta de visibilidade. Dessa maneira, a empresa amplia cobertura de mercado, ganha atenção institucional e pode facilitar futuras captações. Do ponto de vista do Bitcoin, esse tipo de demanda corporativa representa pressão compradora persistente, já que muitas dessas empresas compram para manter em carteira.

Se a companhia executar ao menos parte do plano de adquirir mais 200.000 BTC nos próximos 18 meses, o impacto sobre a demanda poderá ser significativo. Contudo, a questão central seguirá em sua capacidade de levantar capital por meio de dívida e outros instrumentos sem enfrentar resistência de investidores ou reguladores.

O ambiente regulatório japonês também deve influenciar esse processo. Embora o país já tenha regras mais definidas para ativos digitais, o uso de dívida corporativa para financiar compras de Bitcoin por uma empresa aberta fica na interseção entre regulação de valores mobiliários e política para ativos digitais. Por isso, o tema pode atrair atenção maior caso a prática se expanda.

Por enquanto, os números sustentam a narrativa de execução. A Metaplanet alcançou 10.000 BTC, superou os 9.267 BTC da Coinbase, anunciou planos para emitir US$ 210 milhões em títulos sem juros e viu suas ações acumularem alta superior a 417% no ano, após um salto diário de mais de 22% até 1.860 ienes. O ranking de empresas públicas com Bitcoin consolidou a companhia japonesa entre os principais nomes da corrida corporativa pelo ativo.