MEXC e Vugar Usi avaliam mercados 24 horas na Ásia
Vugar Usi, CEO da MEXC, afirmou que traders asiáticos buscam acesso ininterrupto aos mercados. Assim, eles conseguem reagir a eventos que movimentam preços fora do horário convencional.
Em entrevista antes da CoinFest Asia 2026, em Bali, Usi abordou a migração de investidores para exchanges centralizadas, conhecidas como CEXs. O executivo também destacou o potencial de ativos do mundo real, como ouro, ações e índices.
Investidores asiáticos buscam negociação ininterrupta
Para os traders asiáticos, o acesso contínuo permite ajustar posições após o fechamento dos mercados tradicionais. A pesquisa citada pela MEXC mostrou que 75,1% dos participantes enfrentaram um evento relevante nesse período. Outros 61,5% classificaram os horários das corretoras tradicionais como limitados.
Quando os preços oscilam fora desse intervalo, os investidores procuram administrar a exposição antes da reabertura. Muitos usuários da Ásia já negociam e mantêm recursos em CEXs. A elevada adoção regional também leva parte desses investidores a guardar capital de negociação em stablecoins.
Como os recursos permanecem na plataforma, os traders conseguem agir rapidamente diante de uma oscilação. Usi afirmou que usuários habituados ao mercado cripto ininterrupto começam a esperar acesso semelhante em outros mercados.
A pesquisa indicou ainda que 79% dos usuários asiáticos considerariam uma plataforma de criptomoedas para negociar ouro ou petróleo fora do pregão. Entretanto, a operação contínua depende de preços confiáveis e liquidez suficiente durante esses períodos.
CEXs ganham espaço diante das corretoras tradicionais
Entre os usuários asiáticos com experiência em finanças tradicionais, 77,9% migraram de corretoras convencionais para exchanges de criptomoedas. Para Usi, essa mudança ocorre quando uma CEX simplifica o acesso aos mercados que esses investidores já desejam negociar.
Um usuário com USDT em uma CEX pode acessar criptomoedas, ouro, ações ou índices pela mesma conta. Dessa maneira, ele evita transferir recursos ao banco ou aprender a operar em uma segunda plataforma.
Entre os entrevistados, 42,6% citaram a complexidade da abertura de contas em corretoras tradicionais. Enquanto isso, 53,8% apontaram taxas mais elevadas como uma razão para a mudança.
As CEXs já representam o principal ambiente de negociação de criptomoedas para 83,9% dos usuários asiáticos consultados. Como essas contas possuem saldo e interfaces conhecidas, o acesso a mercados tradicionais torna-se mais direto.
Tokenização ainda enfrenta desafios de liquidez
Usi avalia que as CEXs podem se tornar um importante ponto de acesso aos mercados tradicionais e digitais. Nesse cenário, os usuários manteriam stablecoins em uma conta e alternariam entre criptomoedas, ouro, ações e índices.
Entre junho de 2024 e junho de 2025, o valor das transações onchain na Ásia-Pacífico cresceu 69% em relação ao período anterior. Portanto, muitos usuários da região já administram recursos por meio de plataformas de criptomoedas.
Apesar do avanço, os mercados à vista ainda têm amplo espaço para desenvolvimento. Ativos do mundo real, câmbio e ações tokenizadas representam menos de 2% do volume à vista das CEXs. Em contrapartida, os futuros cresceram com maior rapidez.
Para o setor avançar além das operações alavancadas, a liquidez à vista precisa melhorar. Os usuários também devem entender se possuem direitos sobre o bem subjacente ou apenas um derivativo vinculado ao preço.
Ouro lidera potencial entre commodities tokenizadas
A pesquisa mostrou que 91,9% dos entrevistados asiáticos esperam crescimento no mercado de commodities tokenizadas. Conforme Usi, o otimismo reflete a familiaridade dos investidores com muitos dos produtos em processo de tokenização.
Os ETFs asiáticos de ouro receberam US$ 25 bilhões em entradas líquidas no primeiro trimestre de 2026. Ao mesmo tempo, 62,6% dos usuários asiáticos nativos do mercado cripto negociam principalmente metais preciosos por CEXs.
Outro dado mostra que 87,2% dos participantes já negociaram derivativos de CEXs ligados a metais preciosos. Diante desse cenário, Usi apontou o ouro como o mercado de maior potencial no curto prazo.
Na sequência, o executivo destacou ações líquidas dos Estados Unidos e índices amplos do mercado acionário. O petróleo também ganha relevância, pois eventos geopolíticos podem provocar oscilações durante o fechamento dos mercados convencionais.
Por outro lado, produtos sem um mercado subjacente profundo enfrentam dificuldades para alcançar liquidez. A MEXC também considera a liquidez nos fins de semana um ponto central para esse avanço.
Quando o mercado subjacente fecha, os formadores de mercado encontram menos opções para proteger suas posições. Como resultado, os spreads podem aumentar, enquanto os volumes disponíveis diminuem mesmo com negociação ininterrupta.
Alavancagem pode ampliar escrutínio sobre o setor
Usi acrescentou que os futuros crescem mais rapidamente do que o mercado à vista. Contudo, a forte concentração em produtos alavancados aumenta o risco de liquidações para os investidores.
O executivo considera provável que esse crescimento atraia maior escrutínio sobre as plataformas e seus produtos. Com o amadurecimento do setor, ele espera que uma parcela maior da demanda migre para os mercados à vista.
Paralelamente, plataformas descentralizadas também ampliam sua presença em ações, commodities e índices. A expansão, porém, continuará dependendo de liquidez, transparência e mecanismos confiáveis de formação de preços.