MiCA: UE avança para centralizar supervisão cripto

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Os ministros das Finanças da União Europeia chegaram a um acordo político para transferir à ESMA a supervisão dos maiores prestadores de serviços de criptoativos. A agência assumiria a fiscalização direta das empresas mais relevantes do bloco. Além disso, a medida integra um pacote destinado a unificar os mercados financeiros europeus.

Em 9 de outubro, o Conselho da União Europeia alcançou um acordo político sobre a proposta. No entanto, o entendimento ainda não altera a legislação de forma imediata. O Conselho precisa adotar formalmente sua posição antes das negociações com o Parlamento Europeu.

Passaporte do MiCA amplia alcance das licenças

O sistema de passaporte do MiCA permite que uma empresa licenciada em um país membro atenda clientes nos 27 países do bloco. Com isso, a companhia não precisa manter presença física em cada mercado onde oferece serviços autorizados. O mecanismo também reduz duplicidades para prestadores com operações internacionais.

Por outro lado, o modelo concentra grande responsabilidade na autoridade nacional que concede a licença inicial. As operações, os ativos dos clientes e os sistemas tecnológicos podem crescer muito além do país de origem. Dessa forma, uma decisão regulatória local pode afetar consumidores em toda a União Europeia.

Contudo, o compromisso atual ficou mais restrito que o plano inicial da Comissão Europeia. Segundo a estimativa divulgada, apenas 10 a 15 dos cerca de 360 provedores entrariam na supervisão centralizada. Ainda assim, a mudança alcançaria empresas com ampla presença regional e operações relevantes.

Revisão da ESMA aponta limites nacionais

Nesse contexto, uma revisão da ESMA, publicada em julho de 2025, colocou a fiscalização nacional em debate. O documento analisou uma autorização concedida pela Autoridade de Serviços Financeiros de Malta. A análise não identificou o prestador de serviços de criptoativos envolvido.

Os avaliadores questionaram a aprovação enquanto questões materiais permaneciam sem solução. Também encontraram evidências insuficientes sobre governança, conflitos de interesse, infraestrutura tecnológica e custódia. Entretanto, a revisão não concluiu que todas as licenças concedidas em Malta apresentavam falhas.

O documento também apontou riscos relacionados à prevenção à lavagem de dinheiro. Ao mesmo tempo, reconheceu a experiência setorial e os recursos de supervisão do regulador maltês. Por isso, a ESMA recomendou melhorias no processo de autorização.

Posteriormente, Malta informou que implementava as recomendações apresentadas na revisão. Em contraste, o regulador rejeitou a transferência da supervisão à ESMA em uma manifestação de setembro de 2025. A autoridade defendeu a continuidade do modelo conduzido pelos reguladores nacionais.

ESMA usará critérios para assumir grandes empresas

As autoridades maltesas argumentaram que o MiCA ainda era recente para justificar outra camada regulatória. Além disso, alertaram que a centralização poderia ampliar a burocracia e prejudicar a competitividade. Assim, o debate revelou divergências entre reguladores nacionais sobre o nível adequado de fiscalização.

Pelo rascunho do Conselho, a ESMA supervisionaria diretamente empresas com pelo menos 15 milhões de usuários ativos na União Europeia. A agência também assumiria provedores que cumprissem três de cinco critérios adicionais de relevância. Entre esses parâmetros estão base de clientes, ativos sob custódia, volumes de transações e interconexão financeira.

Os critérios conhecidos incluem mais de 1 milhão de usuários ativos e mais de 1 bilhão de euros em ativos de clientes sob custódia. Além disso, consideram transações anuais de clientes superiores a 4 bilhões de euros. Desse modo, a escala das operações e as conexões financeiras definiriam a transferência de supervisão.

Nesse regime, a ESMA poderia solicitar informações, realizar inspeções e investigar possíveis infrações. A agência também teria poder para aplicar multas, restringir serviços ou retirar autorizações. Enquanto isso, a maioria dos prestadores continuaria sob fiscalização das autoridades nacionais.

Negociações definirão alcance da supervisão

Mesmo assim, a ESMA usaria diretrizes, revisões entre pares e investigações coordenadas para reduzir diferenças na aplicação das regras. O plano também cria um conselho executivo permanente dentro da agência. Esse grupo teria um presidente e cinco membros independentes para tomar decisões operacionais e específicas sobre empresas.

Já os reguladores nacionais permaneceriam envolvidos na coordenação de políticas e na supervisão do mercado. Durante a transição de dois anos, equipes conjuntas transfeririam informações, responsabilidades e conhecimento técnico. Por sua vez, as licenças MiCA existentes continuariam válidas, sem exigência automática de nova autorização.

Agora, o Conselho precisa formalizar sua posição antes de iniciar as negociações com o Parlamento Europeu. Em seguida, as conversas definirão os limites finais, os recursos da ESMA e o tratamento das empresas próximas dos critérios. Por consequência, o processo determinará quantas companhias migrarão para a supervisão europeia e quando a mudança ocorrerá.

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