Michael Burry alerta para US$ 3 tri em compromissos de IA
Investidor vê risco nas despesas com inteligência artificial
Michael Burry renovou seu alerta sobre os gastos das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial. O investidor ganhou notoriedade ao prever a crise imobiliária dos Estados Unidos em 2008. Agora, ele afirma que o padrão atual se parece com bolhas anteriores, que terminaram com perdas para investidores.
Empresas de IA estão a caminho de gastar mais do que durante a bolha pontocom. Esse tipo de gasto excessivo marcou o topo de todas as grandes bolhas dos últimos 40 anos.
Publicação da Bull Theory no X.
Burry apresentou sua tese em uma publicação no Substack, divulgada em 24 de setembro. Nesse contexto, ele concentrou a análise em Amazon, Meta, Alphabet, Microsoft e Oracle. Além disso, o investidor relacionou a expansão atual ao período da bolha pontocom.
Em seu alerta sobre o setor, Burry destacou o avanço das despesas líquidas de capital entre empresas do S&P 500. Segundo ele, o indicador alcançou sua maior parcela do Produto Interno Bruto em cerca de quatro décadas. Contudo, o investidor não espera que os problemas apareçam imediatamente. Em vez disso, ele estima que baixas contábeis possam surgir entre 2028 e 2029.
Compromissos podem chegar a US$ 3 trilhões
Burry calcula que as cinco empresas acumulam quase US$ 3 trilhões em compromissos ligados à infraestrutura de IA. O montante inclui obrigações de compra, aluguéis futuros, garantias e custos de construção. Dessa maneira, a estimativa supera as despesas já registradas nos balanços.
A Alphabet recebeu a maior atenção na publicação. Burry estima que a companhia tenha quase US$ 900 bilhões em compromissos fora do balanço associados à expansão da IA. Já os contratos de aluguel ainda não iniciados e as obrigações de compra da Meta somam cerca de US$ 700 bilhões.
Com isso, o valor da Meta poderia se aproximar de US$ 1 trilhão após a inclusão de compromissos mais amplos. Burry também questionou a maneira como as empresas contabilizam os chips da Nvidia. Na avaliação dele, os hyperscalers estendem a vida útil dos equipamentos além de um ciclo realista de dois ou três anos. Por consequência, essa prática poderia subestimar a depreciação do setor em cerca de US$ 176 bilhões entre 2026 e 2028.
Nvidia e Micron contestam a avaliação
Entretanto, a Nvidia contestou diretamente as alegações e enviou um memorando de sete páginas a analistas de Wall Street. No documento, a empresa defendeu um período de quatro a seis anos para a depreciação de seus chips. Também corrigiu um número citado por Burry sobre suas recompras de ações.
De acordo com a Nvidia, a empresa recomprou US$ 91 bilhões em ações desde 2018, e não US$ 112,5 bilhões. Enquanto isso, o diretor comercial da Micron afirmou que a demanda por chips de memória supera a capacidade de oferta até 2028. A declaração contrasta com a avaliação de Burry de que a procura atual por IA está superestimada.
Ainda assim, o investidor montou posições vendidas alinhadas à sua tese. Essas apostas incluem Oracle, Nebius, Micron e Palantir. Ao mesmo tempo, Burry vendeu a descoberto o Índice de Semicondutores da Filadélfia mediante opções de venda com vencimento em janeiro de 2027. A maioria das ações envolvidas nessas apostas acumulou ganhos até agosto.
Jeremy Grantham, cofundador da GMO, também classificou as atuais avaliações de IA como uma bolha. Da mesma forma, Jeffrey Gundlach, da DoubleLine Capital, afirmou esperar perdedores na corrida pela inteligência artificial. Portanto, outros nomes do mercado compartilham parte das preocupações apresentadas por Burry.
Burry compra ações descontadas fora do setor
Apesar da visão pessimista sobre parte do mercado, Burry não aposta contra todas as empresas. Ele abriu novas posições compradas em cinco companhias fora do setor de IA. Entre elas estão QXO, Sprouts Farmers Market, Build-A-Bear, Birkenstock e Mercado Libre.
Todas as cinco ações acumulam quedas de dois dígitos no ano. A Build-A-Bear, por exemplo, chegou a recuar 57%. Em seguida, investidores acompanharão o próximo balanço trimestral da Micron. O relatório poderá testar a tese de Burry sobre a força da demanda no setor.
Wall Street espera crescimento anual de 940% nos lucros da Micron, conforme dados do Investor’s Business Daily. Assim, o resultado poderá influenciar a percepção do mercado sobre os gastos com inteligência artificial. Desse modo, o balanço também servirá como referência para o debate sobre demanda, capacidade de oferta e investimentos em infraestrutura.
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