Micron cai com ADRs da SK Hynix sul-coreana
As ações da Micron Technology, Inc. recuavam no pré-mercado de sexta-feira, com queda de 1,4%, a US$ 977,92. O movimento coincidiu com a estreia dos recibos de depósito americanos, os ADRs, da SK Hynix, da Coreia do Sul, na Nasdaq. Assim, investidores dos Estados Unidos passaram a ter uma nova forma de acessar o segmento de chips de memória, justamente quando a Micron acumula forte valorização em 2026.
A pressão veio um dia depois de a ação da Micron subir 7,8% e fechar a US$ 1.022 na quinta-feira. Ainda assim, o papel mais do que triplicou de valor em 2026. Apesar disso, segue abaixo das máximas acima de US$ 1.200 registradas no fim de junho.
ADRs nos EUA ampliam disputa em memória
A chegada da SK Hynix às bolsas dos Estados Unidos tende a mudar a forma como investidores acessam o setor de memória. Na avaliação atribuída à Barron’s, os ADRs da companhia podem oferecer uma porta de entrada mais barata para a tese de crescimento ligada à memória usada em inteligência artificial, em comparação com a Micron. Dessa forma, parte do mercado pode optar por dividir exposição entre as duas fabricantes.
Além disso, a SK Hynix está levantando US$ 26,5 bilhões com a listagem. Com efeito, esse volume de capital pode financiar expansão de capacidade industrial e elevar o nível de concorrência para a Micron nos próximos anos.
Mesmo com essa pressão potencial, analistas ainda não veem motivo para alarme. Vivek Arya, analista da BofA Global Research, reiterou nesta semana recomendação de compra para a Micron, com preço-alvo de US$ 1.550.
“Acreditamos que o mercado está subestimando a transição para contratos de maior duração e preços mais previsíveis”, escreveu Vivek Arya. “À medida que a memória evolui de uma commodity cíclica para um habilitador estratégico de IA, os múltiplos devem se expandir.”
Arya baseou o preço-alvo de US$ 1.550 em um modelo de soma das partes. Nele, o analista aplica uma relação preço sobre valor patrimonial de cerca de 3 vezes para o negócio tradicional de memória da Micron. Além disso, usa um múltiplo de 31 vezes preço sobre lucro para o segmento de memória de alta largura de banda. Ambos os cálculos consideram estimativas para 2028.
IA e nuvem sustentam tese otimista
Parte importante da visão positiva para a Micron está ligada à expectativa de expansão dos investimentos em infraestrutura digital. Segundo Vivek Arya, os gastos das Big Tech com infraestrutura global de nuvem e inteligência artificial devem chegar a cerca de US$ 1,5 trilhão em 2027. Isso representaria alta de 40% a 50% sobre os níveis atuais.
Nesse total, a memória deve responder por algo entre 35% e 40%. Portanto, o dado reforça a leitura de que o mercado de chips de memória pode continuar recebendo forte impulso de demanda, sobretudo nas categorias mais avançadas e voltadas para cargas de trabalho de IA.
Ao mesmo tempo, o interesse por fabricantes de semicondutores cresce entre investidores que acompanham tecnologia e inteligência artificial. Nesse sentido, a Micron continua no centro dessa tese, pois combina exposição à DRAM tradicional com presença em memória de alta largura de banda.
Micron eleva plano de investimento nos EUA
Na quinta-feira, a Micron anunciou a ampliação de seu plano de investimentos nos Estados Unidos para US$ 250 bilhões até 2035. Antes, o compromisso era de US$ 200 bilhões. Segundo a empresa, o reforço está alinhado à meta de produzir domesticamente 40% de sua produção de DRAM.
Além disso, o projeto inclui um investimento de US$ 100 bilhões no estado de Nova York, anunciado originalmente em 2022. No entanto, a produção não deve começar antes de 2030.
A Micron também informou que investirá até US$ 3 bilhões para fortalecer a cadeia de suprimentos de semicondutores nos Estados Unidos. Parte desse montante envolve apoio financeiro de US$ 500 milhões à GlobalWafers, com o propósito de avançar uma instalação de wafers de silício bruto em Sherman, no Texas, respaldada por um acordo de fornecimento de 10 anos.
Mercado projeta demanda acima da oferta em 2027
Embora os investimentos aumentem, nem todos no mercado acreditam em um futuro excesso de oferta. Hendi Susanto, gestor de portfólio do Gabelli Global Technology Leaders ETF, rebateu as preocupações com uma possível inundação de capacidade produtiva.
“Os principais participantes, Samsung, SK Hynix e Micron, têm demonstrado disciplina na expansão de capacidade há muitos anos”, afirmou Hendi Susanto. “A perspectiva atual de mercado ainda aponta para demanda acima da oferta em 2027.”
Dessa maneira, o mercado associou a queda no pré-mercado mais a um ajuste após a estreia de um novo concorrente acessível ao investidor americano do que a uma ruptura na tese da Micron.
Em suma, o cenário combina três fatores centrais: a estreia da SK Hynix na Nasdaq com captação de US$ 26,5 bilhões, a manutenção da recomendação de compra da BofA Global Research com preço-alvo de US$ 1.550 para a Micron e a decisão da fabricante de ampliar seu compromisso de investimento nos Estados Unidos para US$ 250 bilhões até 2035. Ainda assim, o mercado segue projetando demanda superior à oferta em 2027.