Micron recua 12%, mas Wall Street mantém compra
As ações da Micron (MU) abriram a terça-feira cotadas a US$ 861,00, após recuarem cerca de 12% no último mês. O valor também ficou bem abaixo da máxima de 52 semanas, de US$ 1.255,00.
Embora a queda tenha chamado a atenção do mercado, a maioria dos analistas de Wall Street mantém uma visão positiva sobre a companhia.
Resultados fortes sustentam otimismo com a Micron
As ações superaram US$ 1.200 no fim de junho, logo após a empresa divulgar um dos melhores trimestres de sua história. O lucro por ação alcançou US$ 25,11, acima do consenso de US$ 21,39.
Além disso, a receita somou US$ 41,46 bilhões, com alta anual de 345,8%. A companhia também projetou lucro por ação entre US$ 30,00 e US$ 32,00 para o quarto trimestre de 2026.
Apesar dos resultados, o papel perdeu força nas semanas seguintes. A principal preocupação envolve a capacidade da Micron de sustentar margens elevadas em um setor marcado por ciclos de expansão e retração.
Contudo, Vijay Rakesh, analista da Mizuho, rejeitou essa avaliação pessimista. Após uma reunião com executivos, ele reiterou a classificação Outperform, equivalente a desempenho acima do mercado, e o preço-alvo de US$ 1.375.
De acordo com Rakesh, a companhia espera restrições nos mercados de DRAM e NAND até bem depois de 2027. Por isso, uma oferta adicional relevante deve chegar somente em 2028.
Preços-alvo e múltiplos permanecem favoráveis
O analista acredita que os investidores podem ganhar confiança se a Micron mantiver a margem bruta acima de 80%. Nesse contexto, ele considera o cenário possível devido aos novos contratos de fornecimento de longo prazo.
Ao mesmo tempo, outras instituições elevaram suas projeções para a ação. A Raymond James aumentou o preço-alvo de US$ 1.100 para US$ 1.500. A Wells Fargo elevou sua estimativa de US$ 1.220 para US$ 1.525.
Já a Needham subiu o preço-alvo de US$ 1.550 para US$ 1.650 e reiterou a recomendação de compra. Entre 39 analistas, o preço-alvo médio alcança US$ 1.260,31.
Desse grupo, quatro recomendam Strong Buy, enquanto 31 indicam Buy. Apenas três analistas atribuem classificação Hold à ação.
Além disso, parte do mercado enxerga desconto na cotação atual, pois o papel negocia abaixo de seis vezes o lucro projetado. Rakesh avalia a Micron em 5,3 vezes sua previsão de valor patrimonial para 2027.
Atualmente, a empresa negocia a 3,4 vezes o valor patrimonial futuro. Portanto, esse múltiplo permanece abaixo da referência usada pelo analista.
Concorrência chinesa e vendas de executivos
Por outro lado, a concorrência chinesa preocupa parte dos investidores. A Apple teria buscado chips de memória da fabricante chinesa CXMT enquanto avalia alternativas de fornecimento.
Contudo, Rakesh classificou os receios sobre a China como exagerados. Ele argumentou que a CXMT deve manter o foco no mercado doméstico. A fabricante também não teria capacidade relevante no segmento de memória de alta largura de banda.
Na área institucional, a E. Öhman J:or Asset Management AB ampliou sua posição na Micron em 3,7% no segundo trimestre. Enquanto isso, investidores institucionais controlam 80,84% das ações da companhia.
No entanto, executivos venderam papéis recentemente. Nos últimos 90 dias, insiders negociaram 162.179 ações, e as operações somaram cerca de US$ 167,8 milhões.
Em maio, o CEO Sanjay Mehrotra vendeu aproximadamente US$ 36 milhões em ações, ao preço médio de US$ 960,38. A média móvel de 50 dias está em US$ 971,54, acima da cotação atual. Em contrapartida, a média de 200 dias alcança US$ 664,13.
A Micron também paga dividendo trimestral de US$ 0,15 por ação, com rendimento de 0,1%. Assim, a queda mensal convive com projeções elevadas, recomendações favoráveis e dúvidas sobre margens, concorrência e vendas de executivos.