Micron recua com venda do CEO e IPO da CXMT

As ações da Micron Technology recuavam 0,8% no pré-mercado desta quarta-feira, negociadas a US$ 974,83, depois de avançarem 4,9% na sessão anterior. O mercado passou a precificar dois fatores ao mesmo tempo: a expansão da chinesa ChangXin Memory Technologies, ou CXMT, e a sequência de vendas de ações feita por executivos da própria companhia, incluindo o CEO Sanjay Mehrotra.

Cartão da ação MU

CXMT busca US$ 8,55 bilhões em IPO

A fabricante chinesa de chips de memória ChangXin Memory Technologies pretende levantar US$ 8,55 bilhões em uma oferta pública inicial no mercado STAR de Xangai. Além disso, o valor quase dobra a meta inicial e implica uma avaliação próxima de US$ 85,5 bilhões. Assim, a empresa amplia sua capacidade de investimento e reforça a competição global no setor.

Atualmente, a CXMT ocupa a quarta posição entre as fabricantes mundiais de DRAM. A Counterpoint Research estima que sua participação global subiu de 3% no primeiro trimestre de 2025 para 8% no primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, a Micron mantém 22% desse mercado, atrás apenas de SK Hynix e Samsung.

A exposição da Micron ao segmento de DRAM ajuda a explicar a sensibilidade do papel. Afinal, quase 80% da receita da empresa vem dessa divisão, incluindo a memória de alta largura de banda que servidores de inteligência artificial utilizam. Dessa forma, qualquer mudança no equilíbrio competitivo afeta diretamente a percepção sobre crescimento, margem e valuation.

Ao mesmo tempo, a CXMT ainda enfrenta limites importantes. As sanções dos Estados Unidos impedem a empresa de fornecer para companhias americanas e restringem o acesso a equipamentos avançados de fabricação. Com isso, a chinesa segue fora, por enquanto, do nicho mais lucrativo da Micron, que inclui memórias de alta largura de banda para IA.

Executivos vendem ações após máxima histórica

Além da concorrência, investidores monitoram as vendas de ações feitas por insiders depois que a Micron atingiu sua máxima intradiária histórica de US$ 1.255,00 em 25 de junho. Desde então, o papel perdeu força. Além disso, documentos registrados na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, mostraram um volume relevante de realizações por parte da administração.

O CEO Sanjay Mehrotra vendeu 28.506 ações em 26 de junho por cerca de US$ 32,7 milhões. Em seguida, registros adicionais elevaram o total vendido por ele para mais de US$ 45 milhões. Já a diretora Lynn Dugle vendeu 1.300 ações em 2 de julho por aproximadamente US$ 1,5 milhão, a um preço médio acima de US$ 1.150 por papel.

O vice-presidente executivo Sumit Sadana também reduziu sua posição, com vendas que somaram US$ 10,7 milhões. Ainda assim, ele manteve mais de 248 mil ações em carteira. Além disso, o fluxo vendedor ganhou apoio de rebalanceamentos institucionais, já que o peso da Micron em ETFs de semicondutores subiu rapidamente. Isso levou a vendas em bloco à medida que os índices eram ajustados.

“Nem mesmo nossos clientes conseguiam prever essa demanda”, afirmou Sanjay Mehrotra, mantendo um discurso otimista apesar das vendas.

Em contrapartida, o analista sênior de ações da Morningstar, William Kerwin, avaliou que o papel da companhia está “absurdamente sobrevalorizado”. Assim, o contraste entre a confiança da gestão e a leitura mais cautelosa do mercado reforçou a volatilidade recente.

Ação antitruste e Nasdaq aumentam pressão

Outro fator de pressão surgiu no fim de junho, quando uma ação coletiva antitruste passou a mirar Micron, Samsung e SK Hynix. O processo alega que as três empresas coordenaram restrições de oferta de DRAM com o propósito de inflar preços. Portanto, a acusação adiciona risco jurídico a um quadro que já reúne dúvidas sobre valuation e aumento da concorrência.

Também pesa sobre a Micron a movimentação da SK Hynix, cujo conselho aprovou uma listagem na Nasdaq com data-alvo em 10 de julho. Analistas esperam que parte do capital institucional migre para a ação quando ela estrear em Nova York. Como resultado, a competição por fluxo de investidores dentro do setor pode aumentar.

Mesmo com essas pressões, a Micron havia ultrapassado US$ 1 trilhão em valor de mercado no fim de maio. A empresa também assegurou perto de US$ 100 bilhões em receita mínima contratada por meio de 16 acordos estratégicos com clientes. Além disso, um contrato de fornecimento de longo prazo com a General Motors ajudou a sustentar a visão positiva sobre a companhia.

No momento da publicação, a Micron marcava US$ 974,83 no pré-mercado, abaixo do fechamento de terça-feira. Nesse meio tempo, a CXMT acelera sua expansão, Sanjay Mehrotra acumula mais de US$ 45 milhões em vendas de ações, a companhia enfrenta uma ação antitruste e a SK Hynix se prepara para sua listagem na Nasdaq.