Micron sobe enquanto Apple testa chips da chinesa CXMT
As ações da Micron (MU) subiram 1,4% no pré-mercado de segunda-feira, cotadas a US$ 883,96. O avanço ocorreu apesar dos relatos de que a Apple testou chips de memória da chinesa ChangXin Memory Technologies, conhecida como CXMT.
No acumulado do ano, os papéis da Micron avançaram mais de 200%. Ainda assim, o possível uso de componentes da CXMT em aparelhos vendidos na China chamou a atenção dos investidores.
Ações avançam apesar da aproximação entre Apple e CXMT
A Apple manteve conversas iniciais com a CXMT sobre o fornecimento de componentes de memória. Esses chips seriam destinados a dispositivos comercializados no mercado chinês.
Nesse contexto, a Apple buscava a aprovação do governo Trump para avançar com o plano. A eventual parceria poderia ampliar a presença da fabricante chinesa na cadeia de fornecimento de eletrônicos.
A CXMT abriu capital recentemente na China e expandiu rapidamente sua atuação no segmento convencional de DRAM. De acordo com a Counterpoint Research, a companhia alcançou 7% do mercado global em receita no segundo trimestre.
Contudo, fabricantes dos Estados Unidos ainda precisam de autorização governamental para comprar memória produzida pela CXMT. Ao mesmo tempo, a empresa chinesa prioriza clientes domésticos, o que limita a ameaça imediata aos negócios da Micron.
A principal preocupação envolve uma possível entrada da CXMT no segmento de memória HBM. Essa tecnologia tem papel essencial nos servidores usados para inteligência artificial.
Conforme a SemiAnalysis, a participação chinesa no fornecimento global de wafers HBM pode aumentar de 1% em 2025 para 12% em 2028. Enquanto isso, os ADRs da sul-coreana SK Hynix avançaram 0,6% nas negociações iniciais de segunda-feira.
Citi reduz preço-alvo da Micron
Em 7 de agosto, Atif Malik, analista do Citi, reiterou a recomendação de compra para as ações da Micron. Porém, ele reduziu o preço-alvo de US$ 1.400 para US$ 1.150.
O Citi diminuiu o múltiplo usado na avaliação da companhia. Além disso, o banco revisou para baixo suas estimativas de lucro para os anos fiscais de 2027 e 2028.
Apesar do corte, a instituição espera que os preços de DRAM e NAND continuem subindo. Entretanto, esse avanço deve ocorrer em ritmo menor.
Pelas projeções do banco, os preços das memórias devem atingir o pico por volta do segundo trimestre do próximo ano. Nesse cenário, o aumento da capacidade chinesa representa o maior risco de longo prazo.
Na avaliação do Citi, a oferta adicional da China pode reduzir o poder de precificação da Micron fora dos Estados Unidos. Por outro lado, a demanda ligada à inteligência artificial continua apoiando o mercado de memória avançada.
Lucros e ciclo global de memória
Adam Parker, CEO da Trivariate Research, afirmou à CNBC que a Micron pode dobrar de valor até o fim do atual ciclo de memória. A declaração ocorreu na sexta-feira anterior ao avanço das ações.
Para Parker, os investidores podem estar precificando uma deterioração excessiva dos lucros após o pico do ciclo. Em contrapartida, o desempenho financeiro da empresa apresenta outros indicadores relevantes.
O executivo argumentou que o mercado concentra atenção excessiva na demonstração de resultados da Micron. Já a melhora do balanço patrimonial pode sustentar a avaliação da companhia.
Parker também destacou as margens brutas elevadas e o potencial de geração de fluxo de caixa livre. Além disso, ele recomendou que os investidores distribuam sua exposição entre diferentes empresas de semicondutores ligados à inteligência artificial.
Essa estratégia considera a volatilidade persistente do setor. Ainda assim, o executivo mantém uma perspectiva positiva para a Micron durante o ciclo atual.
Atualmente, as ações da fabricante são negociadas a uma relação preço/lucro próxima de 19,8. Analistas esperam lucro de US$ 31,29 por ação no trimestre de setembro.
No mesmo período do ano anterior, a Micron registrou lucro de US$ 3,03 por ação. Portanto, a projeção representa uma expansão expressiva na comparação anual.
A receita estimada alcança US$ 50,82 bilhões, contra US$ 11,31 bilhões registrados um ano antes. O próximo balanço da Micron está previsto para 22 de setembro de 2026.