Microsoft pode subir 43% com avanço da Azure

As ações da Microsoft acumulam queda de cerca de 20% em 2026 e negociavam perto de US$ 386,74. Ainda assim, o recuo não interrompeu o crescimento em áreas centrais da companhia. Para analistas de Wall Street, a correção abriu uma janela de valorização, já que a expansão da Azure, o avanço em inteligência artificial e os múltiplos abaixo da média do setor sustentam uma tese mais construtiva para o papel.

Atualmente, a ação negocia a 20,25 vezes o lucro projetado. Em contraste, a média do setor de tecnologia está em 24,61 vezes. Assim, o desconto chama atenção porque a operação segue acelerando, sobretudo na nuvem.

A Jefferies manteve recomendação de compra para a Microsoft e definiu preço-alvo de US$ 675. Segundo a corretora, a companhia aparece entre as principais oportunidades do atual ciclo de expansão da computação em nuvem, principalmente pela penetração crescente da Azure. Além disso, a leitura positiva considera a capacidade da empresa de converter demanda por inteligência artificial em receita recorrente.

Azure sustenta a tese de alta no papel

O ambiente de mercado continua favorável. No primeiro trimestre de 2026, os gastos globais com infraestrutura de nuvem somaram US$ 129 bilhões, com alta anual de 35%. Ao mesmo tempo, grandes empresas de tecnologia ampliaram seus planos de investimento para 2026 de cerca de US$ 600 bilhões para aproximadamente US$ 750 bilhões. Já as primeiras projeções para 2027 se aproximam de US$ 1 trilhão.

Nesse cenário, a Azure surge como uma das maiores beneficiárias. No terceiro trimestre fiscal de 2026 da Microsoft, a plataforma registrou crescimento de receita de 40% na comparação anual, acima das expectativas de Wall Street. Além disso, a divisão responde por cerca de 21% do mercado global de serviços de infraestrutura em nuvem, atrás apenas da Amazon Web Services.

A administração da empresa informou ainda que a demanda dos clientes permanece acima da capacidade disponível de infraestrutura. Dessa forma, o ritmo de expansão da Azure não depende apenas do apetite corporativo. Ele também exige que a Microsoft amplie data centers e capacidade computacional com rapidez.

Os resultados consolidados do terceiro trimestre fiscal reforçaram essa leitura. A receita total da Microsoft subiu 18%, para US$ 82,9 bilhões. Ao mesmo tempo, o lucro operacional avançou 20%, para US$ 38,4 bilhões. Já o lucro líquido cresceu 23%, para US$ 31,8 bilhões, equivalente a US$ 4,27 por ação diluída.

A receita da Microsoft Cloud atingiu US$ 54,5 bilhões, com crescimento de 29%. Além disso, as obrigações de desempenho remanescentes contratadas praticamente dobraram, com alta de 99%, para US$ 627 bilhões. Em outras palavras, a companhia já concentra um volume expressivo de receita futura contratada, o que fortalece a previsibilidade do negócio.

Nuvem e produtividade sustentam os números

Entre as divisões, a área de Intelligent Cloud cresceu 30%, para US$ 34,7 bilhões. O segmento de Productivity and Business Processes avançou 17%, para US$ 35,0 bilhões. Em contrapartida, More Personal Computing recuou 1%, para US$ 13,2 bilhões. Ainda assim, o desempenho das unidades ligadas a nuvem e software corporativo compensou a fraqueza desse último segmento.

Em 7 de julho, a Citizens reafirmou sua recomendação Market Outperform para a Microsoft, com preço-alvo de US$ 550. Segundo a casa, as iniciativas de soberania em inteligência artificial lideradas pelo CEO Satya Nadella podem ampliar a presença da empresa em governos e grandes corporações. Além disso, a instituição espera aceleração da receita para 17% no ano fiscal de 2026, ante 15% no ano fiscal de 2025, bem como expansão da margem operacional de 46% para 47%.

Em abril de 2026, o analista Yi Fu Lee, da Benchmark, iniciou cobertura da empresa com recomendação de compra. Na avaliação dele, a Microsoft ocupa posição central em inteligência artificial e reúne vantagens em dados difíceis de replicar. A saber, ele citou 1 bilhão de instalações do Windows, 300 milhões de assinaturas do Office e a presença corporativa de LinkedIn, GitHub e Azure.

Dan Ives, analista da Wedbush, também mantém recomendação Outperform para a Microsoft, com preço-alvo de US$ 575. Segundo ele, Wall Street ainda subestima o ritmo de expansão da Azure. Por isso, a combinação entre crescimento, escala e rentabilidade segue no radar dos investidores.

Consenso aponta ganho potencial de 43%

Considerando a cobertura de 50 analistas, o consenso para a ação é Strong Buy, equivalente a compra forte. O preço-alvo médio está em US$ 552,27, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 43% em relação aos níveis atuais. Assim, mesmo após a correção de 2026, a tese de reprecificação permanece viva.

Além do desempenho financeiro, a Microsoft avança em iniciativas que podem sustentar sua infraestrutura e ampliar o uso de inteligência artificial. A companhia fechou um acordo de fornecimento de energia por duas décadas com a divisão Energy Forge One, da Chevron, para desenvolver o Project Kilby no oeste do Texas. O projeto deve gerar cerca de 2,67 gigawatts para apoiar as operações de data centers da empresa.

Na área de saúde, a Microsoft colabora com a Mayo Clinic no desenvolvimento de uma plataforma de inteligência artificial voltada a aplicações médicas com uso de dados de pacientes desidentificados. O foco está em ampliar a capacidade de detecção precoce e apoiar protocolos de tratamento personalizados. Nesse sentido, a estratégia mostra que a monetização de IA vai além de software corporativo e nuvem tradicional.

A Microsoft divulgará o próximo balanço trimestral em 29 de julho. Wall Street projeta lucro por ação de US$ 4,21 no quarto trimestre fiscal de 2026, acima dos US$ 3,65 registrados no mesmo período anterior. Esse número representa crescimento de 15,3%. Para o ano fiscal completo de 2026, a estimativa consensual aponta lucro de US$ 16,76 por ação, acima dos US$ 13,64 de 2025.

No campo regulatório, a autoridade de concorrência da Itália abriu recentemente uma investigação sobre a Microsoft. O órgão apura possível conduta anticompetitiva relacionada a mudanças de preço no Microsoft 365 após a integração dos recursos Copilot e Designer. Contudo, até aqui, Wall Street mantém o foco principal na capacidade da Azure de sustentar crescimento acima do setor.

Balanço e riscos entram no radar

Em resumo, o quadro atual combina ação negociada abaixo da média do setor, crescimento de 40% da Azure no terceiro trimestre fiscal de 2026, receita total de US$ 82,9 bilhões no período e consenso de preço-alvo em US$ 552,27 entre 50 analistas. Além disso, a empresa se prepara para divulgar seu próximo resultado em 29 de julho, evento que pode redefinir expectativas para a ação.

Nesse meio tempo, investidores avaliam se a Microsoft conseguirá transformar demanda por nuvem, inteligência artificial e infraestrutura em crescimento recorrente. A resposta dependerá da expansão da Azure, da execução em data centers e da evolução dos riscos regulatórios ligados ao Microsoft 365.