Mineração cripto é proibida em Moscou até 2032

O governo da Rússia oficializou a proibição da mineração cripto e da participação em pools de mineração em Moscou, em todo o Oblast de Moscou e em parte da região de Kursk. A medida entrou em vigor em 15 de agosto e seguirá até o fim de 2032, de acordo com o Decreto Governamental nº 936, datado de 25 de julho e publicado no portal oficial de informações jurídicas do país.

A restrição abrange a capital russa, todo o oblast ao seu redor, além de oito distritos municipais de Kursk e a cidade de Lgov. Assim, com mais de seis anos de duração, a decisão amplia a pressão das autoridades russas sobre um setor que vem sobrecarregando as redes elétricas locais.

Pressão sobre a rede elétrica motivou a medida

O decreto conclui uma proposta apresentada pelo Ministério da Energia no fim de junho. Na ocasião, a pasta anexou uma nota explicativa e alertou para possíveis faltas de eletricidade nos territórios afetados caso a atividade não fosse proibida ao longo de todo o ano.

Os números ajudam a explicar a urgência da medida. Segundo a Interfax, o ministro da Energia do Oblast de Moscou, Sergei Voropanov, estimou que a mineração pode responder por cerca de 1 gigawatt do consumo da rede elétrica da cidade.

Além disso, Voropanov projetou que a capacidade combinada dos centros de dados em Moscou e em seu oblast pode chegar a 3,6 gigawatts até 2032. Isso representaria cerca de 17% da carga máxima prevista para a rede. Embora esse total inclua todo o uso de data centers, e não apenas a mineração.

Rússia amplia regulação regional e nacional

O novo decreto aprofunda uma estratégia regional iniciada pela Rússia no fim de 2024. Quando o país estabeleceu vetos em várias áreas com limitações energéticas. Algumas dessas restrições seguem válidas até 2031, enquanto outras se aplicam de forma sazonal, nos períodos de maior demanda.

Em nível nacional, porém, a escolha foi regular a atividade em vez de bani-la por completo. Em 2024, o presidente Vladimir Putin sancionou uma lei que autoriza empresas e empreendedores registrados em um cadastro especial a minerar criptomoedas. Já os particulares não registrados só podem atuar dentro de limites de consumo definidos.

Posteriormente, em julho de 2025, as autoridades lançaram um registro nacional de equipamentos de mineração para identificar operadores. Medir o consumo de energia e melhorar a arrecadação de impostos.

Ao mesmo tempo, a Rússia avança em um arcabouço regulatório mais amplo. No mês passado, a Duma estatal aprovou uma legislação que, se for promulgada, permitirá o trading regulado de criptomoedas para o varejo sem suspender o veto ao uso de cripto em pagamentos internos.

Caso BitRiver ganha novo desdobramento

O decreto foi divulgado poucos dias depois de um tribunal russo transferir o fundador da BitRiver, Igor Runets, da prisão domiciliar para a prisão preventiva.

Runets responde a acusações de fraude em larga escala cometida por um grupo organizado. Segundo os investigadores, ele e a empresa de mineração teriam participado de um acordo de equipamentos com o conglomerado de energia En+. Que causou um prejuízo de 1 bilhão de rublos, cerca de US$ 12,5 milhões.

Portanto, a nova proibição reforça a estratégia russa de limitar a mineração cripto em regiões sob pressão energética. Ao mesmo tempo, o país mantém uma regulação nacional para operadores autorizados e amplia a supervisão sobre o setor.