Mineração de Bitcoin reduz custos e estabiliza redes
A mineração de Bitcoin recebe novo embasamento técnico graças à análise do pesquisador independente Daniel Batten, que indica efeitos positivos dessa atividade sobre redes elétricas. O estudo Common Bitcoin Energy Misconceptions reforça que mineradores contribuem para estabilidade e redução de custos, contrariando críticas frequentes sobre impacto energético.
Batten apresentou dados revisados por pares e informações de operadores de rede que mostram como operações de mineração funcionam como cargas flexíveis. Isso permite ajustes rápidos diante de variações de oferta e demanda, além de auxiliar em serviços essenciais de equilíbrio.

Fonte: CNBC (Screenshot)
Impactos da mineração no desempenho das redes elétricas
O pesquisador destaca que a mineração de Bitcoin atua como ferramenta eficiente para lidar com oscilações de fontes renováveis, como solar e eólica. Além disso, Batten cita um documento técnico da Duke University que demonstra como cargas controláveis evitam investimentos bilionários em infraestrutura, fortalecendo o desempenho das redes.
No Texas, maior polo de mineração do mundo, a ERCOT reportou impactos amplamente positivos. Programas de resposta à demanda e regulação de frequência contam com a participação ativa dos mineradores. Assim, operações absorvem excedentes de energia eólica e reduzem o consumo quase instantaneamente quando necessário.
Segundo Brad Jones, ex-CEO interino da entidade, esse comportamento garante maior segurança ao sistema. Apesar de um episódio isolado de instabilidade em abril de 2024, a mineração ajudou em iniciativas críticas de estabilização, como o suporte emergencial registrado na onda de calor de julho de 2022.
Efeitos diretos na redução de custos para consumidores
Parte importante da percepção negativa envolve tarifas supostamente mais altas em regiões com mineração. No entanto, dados do Texas entre 2021 e 2024 mostram um aumento total de 23,8%, ou 7% ajustado pela inflação, índice inferior à média nacional dos Estados Unidos.
Batten cita cinco fatores que reduzem custos para consumidores:
• monetização de excedentes renováveis;
• maior competição em serviços auxiliares;
• menor necessidade de usinas a gás complementares;
• redução de taxas de desligamento de energia renovável;
• adiamento de investimentos em expansão de rede.
Jones afirma que a participação dos mineradores nos serviços auxiliares diminui custos para toda a população. Após apagões em 2021, propostas de construção de novas usinas a gás, estimadas em US$18 bilhões, foram substituídas pela adoção de mineração como carga flexível.
Casos internacionais reforçam o argumento. Na Noruega, tarifas subiram 20% após a saída de mineradores. Já no Quênia, uma microrede reduziu o preço da energia de 35 para 25 centavos por kWh ao monetizar excedentes hidrelétricos por meio da mineração.
Eficiência ambiental e dados atualizados sobre resíduos
O estudo rebate ainda métricas imprecisas sobre consumo por transação, destacando que o indicador não reflete o funcionamento real da rede Bitcoin. Além disso, dados de Cambridge revelam que estimativas antigas superestimaram resíduos eletrônicos em mais de mil por cento, posicionando o valor real em 2,3 quilotoneladas anuais.
Batten também aponta que a mineração ultrapassou 50% de uso de energia sustentável, superior à média global. Em 2025, de fato, a dificuldade de mineração atingiu 148,2 trilhões e deve alcançar 149 trilhões no início de 2026. Apesar da maior exigência computacional, discussões internacionais continuam avaliando a mineração como ferramenta estratégica, incluindo debates recentes sobre o uso da Usina Nuclear de Zaporizhzhia.
Portanto, o conjunto de dados analisados reforça que a mineração de Bitcoin traz benefícios consistentes, fortalecendo redes elétricas, reduzindo custos e aumentando a eficiência energética em diferentes regiões do mundo.