Money20/20 Europe 2026 coloca IA, stablecoins e disputa por infraestrutura financeira no centro do setor

Começa hoje, 02 de junho, em Amsterdam, a edição europeia do Money20/20, considerado o principal encontro global da indústria de fintechs e serviços financeiros

Enquanto bancos, fintechs e Big Techs aceleram investimentos em inteligência artificial e pagamentos digitais, o Money20/20 Europe 2026 começa nesta semana, em Amsterdam, em meio a uma nova corrida global por dados, automação financeira e controle da infraestrutura de pagamentos. 

O evento, considerado o principal encontro global da indústria financeira, reúne executivos, reguladores e investidores de mais de 100 países em um momento de forte pressão competitiva no setor. Entre os principais temas da edição estão o avanço das stablecoins, a expansão da IA nas operações financeiras, novas regulações digitais e o crescimento dos pagamentos instantâneos em escala global.

A sensação no mercado é de mudança acelerada. Depois de anos focado apenas em digitalização, o setor financeiro agora entra em uma disputa mais ampla: quem terá controle sobre os dados, a inteligência e a infraestrutura das transações financeiras nos próximos anos. 

O tamanho dessa transformação aparece nos números. O mercado global de fintechs deve atingir US$ 1,5 trilhão em receitas até 2030, segundo o relatório “Global Fintech: Reimagining the Future of Finance”, impulsionado principalmente por inteligência artificial, pagamentos digitais e novas infraestruturas financeiras.

IA acelera disputa por automação financeira

Um dos temas centrais do Money20/20 Europe 2026 será o avanço de modelos de inteligência artificial capazes de tomar decisões e executar tarefas financeiras de forma autônoma, conceito conhecido no setor como “IA agentic”.

Na prática, a IA começa a assumir funções antes concentradas em operações humanas, atuando em concessão de crédito, prevenção a fraudes, compliance, investimentos e gestão financeira em tempo real. O movimento acelera uma disputa entre bancos, fintechs e empresas de tecnologia pela capacidade de automatizar decisões, reduzir custos operacionais e ampliar escala. 

Para Gustavo Siuves, CRO da Azify e representante brasileiro no evento, o setor financeiro atravessa sua maior mudança desde a ascensão do mobile banking. “A inteligência artificial começa a assumir funções centrais dentro das operações financeiras e deve mudar a dinâmica de competição do setor nos próximos anos. A principal disputa do mercado não será apenas por clientes, mas sobre quem controla dados, infraestrutura financeira e capacidade de decisão automatizada”, afirma.

Stablecoins e pagamentos instantâneos pressionam mercado global

A transformação da infraestrutura financeira também deve ocupar espaço central nos debates em Amsterdam. Temas como stablecoins, tokenização de ativos, moedas digitais de bancos centrais, identidade digital e pagamentos instantâneos aparecem entre os principais focos da programação.

O avanço das stablecoins vem ampliando discussões sobre liquidação financeira em tempo real, pagamentos transfronteiriços e redução de custos operacionais. Ao mesmo tempo, a expansão dos pagamentos instantâneos aumenta a pressão sobre bancos tradicionais e acelera a corrida por sistemas financeiros mais integrados e automatizados. 

Para Gustavo Siuves, o avanço dessa infraestrutura também amplia os desafios relacionados à segurança digital. “À medida que os sistemas financeiros se tornam mais rápidos, integrados e automatizados, cresce também a demanda por soluções voltadas à segurança, autenticação e inteligência antifraude. Esse passa a ser um tema estratégico para o setor”, afirma.

Europa acelera regulações para IA e ativos digitais

Outro tema que deve ganhar espaço no Money20/20 Europe 2026 é o avanço das regulações voltadas a criptoativos, Open Finance, inteligência artificial e prevenção à lavagem de dinheiro.

Nos últimos anos, a Europa acelerou a criação de marcos regulatórios para o setor financeiro digital, movimento acompanhado de perto por bancos, fintechs e empresas de tecnologia que tentam equilibrar inovação, escalabilidade e adaptação regulatória. 

“As discussões regulatórias ganham cada vez mais relevância à medida que novas tecnologias financeiras avançam em escala global. Temas como inteligência artificial, ativos digitais e interoperabilidade financeira devem exigir um equilíbrio maior entre inovação, segurança e adaptação regulatória”, afirma, Siuves. 

Brasil ganha espaço internacional com Pix e Open Finance

Os debates do Money20/20 Europe 2026 também devem ampliar as discussões sobre o papel do Brasil no avanço da infraestrutura financeira digital. Nos últimos anos, o país passou a ser citado internacionalmente como um dos principais mercados em pagamentos instantâneos, Open Finance e digitalização bancária, impulsionado principalmente pela expansão do Pix.

Hoje, o Pix ultrapassa 160 milhões de usuários cadastrados e se consolidou como uma das maiores infraestruturas de pagamentos instantâneos do mundo. O Open Finance brasileiro também passou a ser observado internacionalmente pelo nível de integração bancária e compartilhamento de dados financeiros.

Segundo Gustavo Siuves, o mercado brasileiro deve continuar atraindo atenção internacional pela velocidade de adoção tecnológica e pela integração entre serviços financeiros. “O Brasil passou a ocupar uma posição relevante nas discussões internacionais sobre infraestrutura financeira digital, especialmente pela velocidade de adoção de soluções como Pix e Open Finance e pela capacidade de integração entre diferentes serviços financeiros”, conclui.

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*Comunicado de imprensa.