Morgan Stanley estreia ETFs de Ethereum e Solana

A Morgan Stanley estreou seus novos fundos negociados em bolsa ligados ao Ethereum e à Solana com cerca de US$ 38 milhões em volume combinado no primeiro dia. Assim, o banco ganhou presença imediata em dois segmentos do mercado de criptomoedas já ocupados por gestoras que chegaram antes. Além disso, a estreia reforça a estratégia da instituição de usar escala em gestão de patrimônio e taxas agressivas para disputar espaço em Wall Street.

O Morgan Stanley Ethereum Trust registrou 933.715 cotas negociadas na terça-feira e recebeu US$ 5,15 milhões em entradas líquidas. Já o Morgan Stanley Solana Trust movimentou 951.216 cotas e gerou cerca de US$ 19 milhões em giro, mas sem criações líquidas. Ambos começaram a negociar na NYSE Arca perto de US$ 20 por cota.

Dados da SoSoValue indicaram que a captação do fundo de Ethereum da Morgan Stanley representou mais de um terço dos cerca de US$ 14,5 milhões que entraram nos fundos de ETH dos Estados Unidos naquela sessão. No mesmo dia, o ETHB, da BlackRock, com staking habilitado, recebeu US$ 5,9 milhões. Enquanto isso, o ETHA, também da BlackRock, somou US$ 3,5 milhões.

Desempenho de estreia do fundo de Ethereum da Morgan Stanley
Desempenho de estreia do fundo de Ethereum da Morgan Stanley

Fonte: SoSoValue

Taxas baixas e staking ampliam a disputa

Ethereum captou, enquanto Solana estreou sob pressão

No mercado da Solana, o movimento foi oposto. O conjunto de fundos já existentes perdeu US$ 18,1 milhões, com saques concentrados integralmente no BSOL, da Bitwise. Ainda assim, esse contraste oferece um primeiro teste sobre quanto espaço a Morgan Stanley pode tomar, mesmo entrando mais tarde nas duas categorias.

Enquanto o produto de Ethereum converteu parte relevante do volume inicial em novos ativos, o fundo de Solana registrou atividade no mercado secundário em um dia de redução de exposição ao setor.

A Morgan Stanley Investment Management lançou os dois veículos em 28 de julho como expansão de sua linha de produtos de criptomoedas. A iniciativa começou com o Morgan Stanley Bitcoin Trust em abril. Até 29 de julho, esse fundo de Bitcoin já havia acumulado mais de US$ 400 milhões em ativos, mesmo competindo em um mercado liderado por BlackRock e Fidelity.

Além da exposição à vista, os novos produtos permitem staking com os ativos subjacentes. Dessa forma, a instituição entra diretamente na disputa por rendimento líquido entregue aos investidores. O MSSE e o MSOL cobram taxa anual de patrocinador de 0,14%. Ao mesmo tempo, a Morgan Stanley não retém parte direta das recompensas de staking. Custodiante e prestadores de staking devem receber, em conjunto, 5% das recompensas brutas.

Essa estrutura fica abaixo de vários concorrentes. Em Solana, o BSOL, da Bitwise, cobra taxa de administração de 0,20% e repassa 6% das recompensas de staking a prestadores de serviço. O GSOL, da Grayscale, cobra 0,19% e cede 7%, enquanto o SOEZ, da Franklin Templeton, retém 8% das recompensas. Segundo dados da Farside Investors, essa parcela sobe para pelo menos 10% na 21Shares, 15% na Fidelity e 25% na VanEck.

Taxas de patrocinador e staking dos ETFs de Solana
Taxas de patrocinador e staking dos ETFs de Solana

Fonte: Farside Investors

No mercado de Ethereum, o quadro é semelhante, segundo a Farside Investors. O produto de menor custo da Grayscale cobra 0,15% de taxa de administração e 6% sobre staking. Já o ETHB, da BlackRock, tem taxa declarada de 0,25% e cede 10% das recompensas. O TETH, da 21Shares, e o ETHE, da Grayscale, operam com retenções de 25% e 23%, respectivamente.

Taxas de patrocinador e staking dos ETFs de Ethereum
Taxas de patrocinador e staking dos ETFs de Ethereum

Fonte: Farside Investors

Distribuição pode acelerar a escala

Morgan Stanley entra tarde, mas com alcance bilionário

A BlackRock ainda reduz temporariamente o custo nominal do ETHB por meio de uma isenção. Essa medida baixa a taxa para 0,12% sobre os primeiros US$ 2,5 bilhões em ativos por 12 meses a partir de março. Ainda assim, sua taxa padrão continua em 0,25%.

No caso do staking, o retorno ao investidor depende de mais do que a taxa do fundo. Também importam a parcela da carteira que participa da rede e o percentual das recompensas repassado a intermediários. O prospecto do MSSE, protocolado na SEC, indica que o fundo pretende manter em staking entre 50% e 80% de suas posições em Ethereum em condições normais de mercado. O teto projetado é de 80%, mas o percentual pode variar conforme necessidades de resgate, tempo de retirada da rede e liquidez.

O MSOL é mais agressivo. O trust pretende fazer staking de até 100% dos seus SOL. Ainda assim, deve manter parte sem staking de forma periódica para atender resgates esperados e exigências de liquidez. Ambos os fundos pretendem distribuir as recompensas líquidas de staking em dinheiro mensalmente, mas no mínimo a cada trimestre. As recompensas se acumulam em ETH ou SOL antes de os trusts venderem quantidade equivalente de tokens para financiar os pagamentos aos cotistas.

Assim, a estrutura permite ao investidor acessar rendimento de staking por meio de um produto tradicional de corretora. Com isso, ele não precisa custodiar tokens nem interagir diretamente com validadores.

Apesar do custo menor, a Morgan Stanley ainda enfrenta uma distância relevante em relação aos fundos que passaram meses ou anos acumulando liquidez e base de investidores. O BSOL, da Bitwise, já atraiu cerca de US$ 892 milhões em entradas líquidas acumuladas. Esse valor responde pela maior parte dos aproximadamente US$ 1,12 bilhão reunidos entre os produtos de Solana acompanhados pela Farside. No Ethereum, o ETHA, da BlackRock, soma cerca de US$ 11,4 bilhões. Já o ETHB, com staking, captou aproximadamente US$ 529 milhões.

Esses volumes dão aos produtos incumbentes um histórico de negociação mais profundo e bases de investidores mais consolidadas. Ainda assim, a Morgan Stanley leva para a disputa um diferencial de distribuição. O analista Eric Balchunas, da Bloomberg Intelligence, descreveu os novos produtos em publicação no X como as adições mais importantes aos mercados de ETFs de Ethereum e Solana desde o lançamento inicial desses segmentos, citando o porte e o alcance da instituição.

A instituição tem quase 16 mil assessores financeiros supervisionando cerca de US$ 2,6 trilhões em ativos combinados de clientes. Além disso, sua divisão de Wealth Management encerrou 2025 com US$ 7,4 trilhões em ativos de clientes e mais de 20 milhões de relacionamentos com investidores. A Morgan Stanley também vem apontando criptomoedas e tokenização entre as capacidades de produto que pretende expandir, à medida que mais clientes transitam entre seus canais E*TRADE, de benefícios corporativos e de assessoria.

Por fim, a E*TRADE concluiu em julho a oferta de negociação direta de Bitcoin, Ethereum e SOL. Ao mesmo tempo, a Morgan Stanley firmou um acordo de indicação com a Galaxy Digital para permitir que clientes elegíveis da área de patrimônio convertam exposição em criptomoedas em cotas de ETPs à vista. Na prática, a estreia dos fundos mostra dois sinais simultâneos. De um lado, o produto de Ethereum captou mais de um terço das entradas do segmento nos Estados Unidos no dia de lançamento. De outro, o fundo de Solana começou a negociar em meio a saídas de capital do mercado já existente.