MP apreende R$ 1,8 milhão em Bitcoin em nova fase da operação Ícaro

O Ministério Público de São Paulo apreendeu R$ 1,8 milhão em Bitcoin durante uma nova etapa da Operação Ícaro, que investiga corrupção na Delegacia Regional Tributária do Butantã. Além disso, os agentes recolheram US$ 68 mil e R$ 288 mil em espécie, ampliando o montante bloqueado pelas autoridades.

A ação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos, do Cyber Gaeco e da Polícia Militar. No entanto, os investigadores ainda não revelaram a origem das criptomoedas ou a forma de armazenamento usada pelos suspeitos. As análises periciais devem indicar os vínculos entre as carteiras digitais e os envolvidos no esquema.

Criptomoedas ganham destaque nas investigações

Em fases anteriores, a operação já tinha levado à prisão o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e o diretor estatutário da Fast Shop, Mário Otávio Gomes. Na ocasião, a polícia encontrou cerca de R$ 1,8 milhão em espécie e aproximadamente R$ 10 milhões em criptomoedas, reforçando a participação desses ativos em movimentações financeiras suspeitas.

Segundo o MP, os executivos investigados teriam participado de um sistema de pagamento de propinas para liberar créditos antecipados de ICMS. A promotoria estima que mais de R$ 1 bilhão em vantagens indevidas podem ter circulado pelo esquema, envolvendo empresários e auditores fiscais.

As autoridades tentam esclarecer o paradeiro das criptomoedas atribuídas aos investigados. Assim, o principal desafio envolve o acesso às carteiras digitais, pois os suspeitos seguem sem fornecer chaves privadas que permitam o controle dos ativos apreendidos.

Auditores são suspeitos de esconder parte do patrimônio digital

O MP teme o desaparecimento de parte relevante do patrimônio em criptomoedas. Isso ocorre porque os auditores fiscais Artur Gomes da Silva Neto e Marcelo de Almeida Gouveia podem ter acumulado milhões em ativos digitais. Artur é apontado como operador do esquema e suspeito de receber até R$ 1 bilhão em propina.

De acordo com informações, Marcelo se recusou a fornecer a senha da carteira digital durante o cumprimento de mandado de busca. Em um endereço ligado a ele, os agentes encontraram R$ 330 mil e US$ 10 mil em espécie, mas acreditam que o grosso do valor desviado esteja protegido em criptomoedas.

O avanço da investigação reforça a importância do Bitcoin na apuração, especialmente como possível mecanismo de ocultação de valores desviados. Portanto, a origem das criptomoedas apreendidas se tornou um ponto central para a linha de investigação conduzida pelo MP.

Com a continuidade da Operação Ícaro, as autoridades tentam rastrear o uso de criptomoedas como instrumento para movimentações financeiras ilícitas. Além disso, os investigadores trabalham para impedir que os suspeitos ocultem ou movimentem ativos digitais ainda não recuperados. A apreensão mais recente fortalece o entendimento de que parte significativa das propinas pode ter sido convertida em criptomoedas.