Nakamoto cresce com Bitcoin, mas prejuízo avança
A Nakamoto, empresa focada em estratégia de tesouraria com Bitcoin, reportou forte alta de receita no primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, a companhia segue sob pressão financeira. Um dos sinais mais claros foi a venda de 284 Bitcoins no fim de março, realizada para sustentar as operações.
Assim, embora a expansão operacional seja evidente, a posição de caixa ainda exige cautela. Em outras palavras, os números mostram uma empresa em rápida transformação, mas ainda distante de um equilíbrio financeiro sustentável.
Resultados refletem volatilidade e ajustes contábeis
A Nakamoto registrou prejuízo líquido de US$ 238 milhões no período. No entanto, grande parte desse resultado decorre de ajustes contábeis sem impacto direto no caixa. Entre eles, destaca-se uma despesa de US$ 107 milhões ligada a uma opção pré-aquisição.
Além disso, a empresa contabilizou perda de US$ 102 milhões associada à reavaliação de mercado de suas 5.058 unidades de Bitcoin, após a criptomoeda recuar 23% no trimestre.
Por outro lado, a receita avançou de forma expressiva. A companhia arrecadou US$ 2,7 milhões, crescimento superior a 500% em relação ao trimestre anterior, impulsionado pela diversificação das operações.
As atividades de tesouraria em Bitcoin e derivativos geraram US$ 1 milhão. Ao mesmo tempo, a divisão de mídia contribuiu com US$ 800 mil. Já o segmento de saúde adicionou US$ 500 mil, enquanto a gestão de ativos respondeu por US$ 200 mil.
Atualização: Nakamoto divulga resultados do primeiro trimestre de 2026
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— Nakamoto (@nakamoto) 13 de maio de 2026
O CEO David Bailey classificou o período como decisivo. Segundo ele, as aquisições do portal BTC Inc. e da gestora UTXO Management foram fundamentais para reposicionar a empresa. Contudo, como os acordos foram concluídos apenas em 20 de fevereiro, o impacto no trimestre foi parcial.
Aquisições ampliam presença no setor cripto
A Nakamoto vem expandindo sua atuação além da simples retenção de Bitcoin. Dessa forma, passa a operar como uma plataforma integrada dentro do ecossistema da criptomoeda. As aquisições, portanto, representam pilares estratégicos dessa nova fase.
Bitcoin sendo negociado próximo de US$ 79.761 no gráfico de 24 horas. Fonte: TradingView
Para o restante de 2026, a empresa pretende executar essa estratégia com disciplina. Nesse sentido, busca ampliar receitas e gerar valor aos acionistas por meio de alocação de capital mais eficiente.
Entre as iniciativas, destaca-se o uso de Bitcoin como garantia em operações com derivativos que gerem rendimento. Ao mesmo tempo, a companhia confirmou que encerrará sua divisão de saúde até o fim do segundo trimestre, redirecionando recursos para o mercado cripto.
Além disso, a empresa passou por mudanças estruturais relevantes. Anteriormente conhecida como KindlyMD, realizou uma fusão com uma companhia de saúde sediada em Utah em agosto. Posteriormente, em janeiro, concluiu um rebranding completo.
Ações seguem pressionadas apesar da alta de receita
Apesar do crescimento operacional, o desempenho das ações continua refletindo desafios relevantes. Os papéis da Nakamoto acumulam queda superior a 99% em relação ao pico histórico, o que evidencia a cautela do mercado.
Após a divulgação dos resultados, as ações subiram 2,7% no after-market, sendo negociadas a US$ 0,18. Ainda assim, a reação foi moderada, indicando que investidores seguem atentos aos riscos.
No trimestre, a empresa não realizou novas compras de Bitcoin. Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla do setor. Atualmente, diversas companhias com estratégia de tesouraria em Bitcoin enfrentam pressão, sobretudo porque o ativo permanece cerca de 37% abaixo de sua máxima histórica.
Segundo dados de mercado, apenas algumas empresas, como Strategy e Metaplanet, mantiveram aquisições consistentes. Em contrapartida, a maioria reduziu o ritmo ou vendeu ativos para cobrir obrigações.
Em conclusão, os resultados do trimestre mostram uma companhia que cresce em receita e reposiciona sua estratégia. Ainda assim, enfrenta perdas contábeis relevantes, pressão de caixa e um histórico recente de forte desvalorização de suas ações.