Nakamoto vende Bitcoin abaixo do custo por US$ 20 mi

A Nakamoto (NASDAQ: NAKA) vendeu 284 unidades de Bitcoin por cerca de US$ 20 milhões no quarto trimestre de 2025. O preço médio da operação foi de US$ 70.422 por moeda. Ainda assim, o valor ficou bem abaixo do custo médio de aquisição estimado em US$ 118.171 por BTC, o que indica realização de prejuízo na transação.

A decisão ocorreu em meio a pressões de liquidez. Ao mesmo tempo, a companhia enfrentava forte desvalorização de suas ações, que acumulavam queda próxima de 99% desde o pico em maio de 2025, sinalizando um cenário financeiro desafiador.

Venda abaixo do custo levanta alerta sobre liquidez

Registros enviados à SEC em março de 2026, bem como o relatório anual de 2025, mostram que a Nakamoto vendeu parte de suas reservas não comprometidas com o objetivo de levantar capital. Ao fim de 2025, a empresa detinha 5.342 BTC. Desse total, 1.625 estavam livres, enquanto 3.717 estavam vinculados como garantia em operações de crédito.

Assim sendo, a venda corresponde a cerca de 5% das reservas totais. Embora o prejuízo seja relevante, a empresa indicou que o Bitcoin segue como principal ativo de reserva. Além disso, não há indicação de liquidações em larga escala no curto prazo.

Movimento ocorre após aquisições estratégicas

A operação também se relaciona à expansão recente da companhia. A Nakamoto realizou aquisições como KindlyMD, BTC Inc. e UTXO Management, ampliando sua presença em mídia, eventos e gestão de ativos ligados ao ecossistema do Bitcoin.

Por outro lado, essas aquisições exigem capital para integração e operação. Dessa forma, a venda de parte dos ativos funcionou como medida prática para sustentar a estrutura financeira, sem alterar significativamente sua exposição ao Bitcoin.

Queda das ações e diluição pressionam estrutura financeira

O contexto financeiro ajuda a explicar a decisão. A Nakamoto realizou aquisições com pagamento em ações, emitindo mais de 364 milhões de novos papéis. Como resultado, houve forte diluição para acionistas.

Além disso, os novos negócios demandam recursos para capital de giro e cumprimento de obrigações financeiras, incluindo compromissos com a Kraken. Nesse sentido, a necessidade de liquidez se tornou mais evidente.

Desvalorização acentuada no mercado

Paralelamente, as ações da empresa registraram queda expressiva. O preço recuou de US$ 34,77 em maio de 2025 para cerca de US$ 0,23 no fim de março de 2026. Esse movimento sugere uma perda significativa de valor de mercado, estimada em dezenas de bilhões de dólares no período.

Atualmente, a capitalização gira em torno de US$ 180 milhões. Esse cenário reforça os riscos enfrentados por empresas que adotam o Bitcoin como ativo de tesouraria, especialmente em ambientes de alta volatilidade.

Reação do mercado e próximos desafios

A venda gerou repercussão negativa entre investidores e usuários. Em redes sociais, críticas se concentraram no prejuízo estimado em cerca de US$ 13,4 milhões, interpretado por parte do mercado como reflexo de pressão financeira.

Ainda assim, a Nakamoto mantém aproximadamente 1.341 BTC livres. A estratégia, segundo executivos como o CEO David Bailey e a COO Amanda Fabiano, envolve priorizar integração das aquisições, ganho de eficiência e crescimento das receitas.

Outro ponto relevante envolve a permanência na Nasdaq. Para manter a listagem, a empresa precisa sustentar suas ações acima de US$ 1 por pelo menos 10 dias consecutivos até junho de 2026.

Em conclusão, a venda dos 284 BTC indica uma resposta direta à necessidade de liquidez. Ao mesmo tempo, a empresa sinaliza continuidade de sua estratégia baseada em Bitcoin, enquanto o mercado acompanha sua capacidade de estabilizar as finanças.