NFTs: Porsche encerra projeto e Abstract fecha rede
O mercado de NFTs passa por mudanças, com o encerramento de iniciativas corporativas e a busca por usos práticos da blockchain. Nesta semana, Porsche e Abstract anunciaram o fim de projetos Web3 voltados à conexão entre marcas, consumidores e colecionáveis digitais. Ao mesmo tempo, a recuperação de recursos da SecondFi retomou dúvidas sobre segurança após o ataque a carteiras Cardano. Em contrapartida, a Coreia do Sul adotará ingressos digitais baseados em NFTs para incentivar o consumo local durante um festival esportivo.
Projetos de NFTs fecham enquanto surgem novas aplicações
Porsche encerra iniciativa ligada ao 911
A Porsche anunciou, em 1º de outubro, o encerramento de sua iniciativa Web3 vinculada à coleção NFT do esportivo 911. O projeto buscava aproximar a marca do mercado de colecionáveis digitais e oferecer experiências exclusivas aos proprietários. Embora não tenha detalhado os motivos, a empresa informou que os registros dos itens permanecerão na blockchain. Assim, a decisão afeta a coleção Porsche 911 e a comunidade Pioneers Circle, criada para reunir detentores e disponibilizar benefícios.
Os 2.363 NFTs emitidos permanecerão nas carteiras dos respectivos proprietários, na rede Ethereum. No entanto, a Porsche encerrará as atividades da comunidade e os serviços vinculados ao projeto. Enquanto isso, o servidor no Discord continuará disponível apenas como arquivo para consulta.
Hoje anunciamos a conclusão do projeto Web3 da Porsche e do Pioneers Circle. O que começou como uma exploração de novas formas de conectar o espírito Porsche ao mundo digital evoluiu para muito mais do que uma iniciativa tecnológica.
Abstract deixará de operar em dezembro
A Abstract, rede de segunda camada do Ethereum desenvolvida pela Igloo Inc., anunciou que encerrará as operações em 15 de dezembro. Por isso, os usuários precisam retirar ou transferir seus recursos antes do prazo. Após o fechamento, os valores remanescentes poderão ficar inacessíveis. A rede pretendia levar aplicações blockchain ao público geral.
Para facilitar a transição, a equipe disponibilizou ferramentas de retirada e migração, além de assistência para desenvolvedores transferirem aplicativos. De acordo com a empresa, manter uma blockchain concentrada em aplicações de consumo tornou-se economicamente insustentável. Entre os obstáculos, a Abstract citou crescimento estagnado, liquidez limitada e adoção institucional insuficiente para cobrir os custos operacionais. Ainda assim, o projeto processou milhões de transações, mas não consolidou um modelo de negócios independente.
SecondFi oferece 30 ADA por NFT irrecuperável
Após o incidente de segurança de junho de 2026, a SecondFi abriu um portal de recuperação. O ataque comprometeu cerca de US$ 21 milhões em recursos ligados a carteiras Cardano. Contudo, as regras de compensação para itens irrecuperáveis provocaram críticas entre integrantes da comunidade. Conforme relatou o Protos, a plataforma definiu um pagamento fixo de 30 ADA por NFT, equivalente a cerca de US$ 8 no anúncio.
O valor não considera o preço de mercado individual de cada item. Para solicitar a recuperação, os usuários devem verificar as carteiras afetadas e indicar um novo endereço Cardano. Além disso, a empresa alertou que as estimativas iniciais podem mudar durante a análise. O processamento dos pedidos pode levar até cinco dias úteis.
A ferramenta começou a operar em 7 de outubro, após vários atrasos. Ela solicita a frase de recuperação da carteira comprometida em uma interface web. Segundo a SecondFi, a ferramenta processa a informação localmente para gerar uma prova criptográfica de propriedade, sem transmiti-la ou armazená-la. Entretanto, inserir uma frase de recuperação em um site continua sendo uma prática de risco.
Mesmo com as proteções declaradas, páginas fraudulentas, falsificações e falhas no navegador podem expor as credenciais. Por essa razão, os titulares não devem compartilhar as frases nem inseri-las em links recebidos por mensagens não solicitadas. Enquanto a SecondFi encerra suas operações, a compensação fixa mantém as dúvidas dos colecionadores afetados. A empresa também não garante a restituição integral dos itens comprometidos.
Coreia do Sul testa ingressos digitais no esporte
A 107ª edição do Festival Nacional de Esportes da Coreia do Sul usará, pela primeira vez, um sistema de ingressos digitais baseado em NFT. O evento ocorrerá de 16 a 22 de outubro, na ilha de Jeju. A tecnologia verificará presenças e conectará o esporte ao turismo e ao comércio regional. Inicialmente, os visitantes poderão solicitar os ingressos no portal oficial e validar a presença em cerimônias ou instalações esportivas.
A cada verificação, os participantes receberão 10 mil wones na moeda digital local Tamnaneunjeon, com limite de 20 mil wones por pessoa. As recompensas poderão ser usadas em restaurantes, cafeterias, mercados tradicionais e determinados serviços turísticos de Jeju. Antes disso, a iniciativa foi testada na 46ª edição dos Jogos Nacionais para Pessoas com Deficiência. O teste emitiu 4.182 ingressos digitais e registrou 1.419 verificações por NFT.
Dessa forma, as autoridades provinciais pretendem ampliar o uso da blockchain e estimular a economia local por meio do evento. O programa também demonstra aplicações dos NFTs em ingressos, benefícios e experiências presenciais. Com isso, a tecnologia ganha espaço além do segmento de colecionáveis digitais.
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