Nvidia: ação coletiva por receita cripto avança

A Nvidia enfrenta novo avanço em uma disputa judicial nos Estados Unidos, após um juiz federal autorizar o prosseguimento de uma ação coletiva contra a empresa e seu CEO, Jensen Huang. O caso gira em torno de alegações de que a companhia não teria detalhado adequadamente a parcela de sua receita ligada à mineração de criptomoedas entre 2017 e 2018.

Processo destaca receitas associadas à mineração

O juiz Haywood S. Gilliam Jr., do Tribunal Distrital da Califórnia, certificou a ação como coletiva. Com isso, um grupo mais amplo de investidores passa a representar a acusação. A decisão pode ser consultada neste documento.

Segundo os investidores, a Nvidia teria classificado como vendas do segmento de jogos parte das receitas impulsionadas por mineradores de criptomoedas. Dessa forma, o mercado pode não ter percebido plenamente a exposição da empresa à volatilidade desse setor. Além disso, a prática teria influenciado expectativas e projeções financeiras.

Origem da disputa e reação do mercado

A ação começou em 2018, quando investidores passaram a questionar a transparência das divulgações financeiras. À época, estimativas indicavam que cerca de US$ 1 bilhão em vendas relacionadas à mineração podem ter sido subestimadas ou classificadas de forma inadequada. O processo também menciona comunicações internas que sugerem que executivos acompanhavam esse impacto.

Naquele período, o mercado de criptomoedas registrava forte valorização, com destaque para o Ethereum, o que elevou a demanda por GPUs. Ainda assim, a Nvidia sustentava que o crescimento vinha majoritariamente do setor de jogos. Posteriormente, essa leitura passou a ser contestada.

Em novembro de 2018, a diretora financeira Colette Kress afirmou que a receita de jogos ficou abaixo do esperado. Segundo ela, o excesso de estoque gerado durante o ciclo de alta das criptomoedas demorou mais para ser absorvido. Como resultado, os preços das GPUs levaram mais tempo para se estabilizar.

Naquele contexto, as ações da Nvidia recuaram cerca de 28% a 29%. Anos depois, em 2022, a empresa concordou em pagar US$ 5,5 milhões à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) por falhas na divulgação de informações relacionadas à mineração no exercício fiscal de 2018, conforme informou o órgão.

Certificação amplia impacto do caso

O processo teve reviravoltas ao longo dos anos. Inicialmente rejeitado em 2021, ele foi retomado após recurso dos investidores. A Nvidia chegou a tentar levar o caso à Suprema Corte dos Estados Unidos, mas não conseguiu encerrar a disputa.

Agora, com a certificação como ação coletiva, o alcance do processo aumenta significativamente. Em outras palavras, mais investidores podem ser incluídos, o que eleva o potencial impacto financeiro e reputacional para a companhia.

Os autores reiteram que uma parcela relevante das vendas ligadas à mineração foi registrada como receita de jogos. Por outro lado, a Nvidia argumenta que a atividade representava apenas uma fração limitada de seu negócio total.

O tribunal destacou que comunicações internas apresentadas no processo tendem a reforçar a tese dos investidores, incluindo mensagens que indicariam preocupação com a forma como o mercado precificava a exposição às criptomoedas.

O grupo inclui investidores que adquiriram ações entre 10 de agosto de 2017 e 15 de novembro de 2018. Uma audiência de gerenciamento está marcada para 21 de abril, quando devem ser definidos os próximos passos do caso.

Reflexos para o setor e investidores

O avanço da ação coletiva adiciona um novo elemento de risco para investidores. Atualmente, a Nvidia ocupa posição central no mercado de inteligência artificial, o que amplia a relevância de qualquer desdobramento jurídico.

Além disso, o episódio reforça a importância da transparência na divulgação de receitas, especialmente em setores sujeitos à alta volatilidade, como o mercado de criptomoedas. Nesse sentido, o caso pode influenciar práticas futuras de reporte financeiro em empresas de tecnologia.

Bitcoin BTCUSD gráfico

O preço do Bitcoin recuou levemente após atingir US$ 71 mil, sendo negociado próximo de US$ 69 mil. Fonte: TradingView

Em suma, a decisão recente fortalece pontos centrais da disputa, como a queda das ações em 2018, a penalidade aplicada pela SEC e os registros internos citados no processo. Assim, o caso segue como um dos mais relevantes envolvendo transparência financeira na interseção entre tecnologia e criptomoedas.