Nvidia: Congresso apura alegação de espionagem chinesa

•

O Congresso dos Estados Unidos pediu explicações à Nvidia sobre suas medidas de proteção contra espionagem estrangeira. O pedido ocorre após trechos de uma reportagem citarem um memorando de inteligência sobre Jensen Huang e Alice Huang. Ela é executiva da Megaspeed, empresa sediada em Singapura e cliente da fabricante de chips.

Os trechos, compartilhados no X em 7 de novembro, afirmam que a inteligência americana acredita que Alice Huang foi recrutada pela China. O material atribui o recrutamento ao Ministério da Segurança do Estado do país. Além disso, o texto alegou um suposto relacionamento romântico entre ela e Jensen Huang, CEO da Nvidia. Contudo, o memorando não é público, e nenhuma evidência disponível confirmou as alegações.

De acordo com os excertos, autoridades americanas produziram o documento no início de 2026 com base em informações de inteligência. O memorando chegou a um pequeno grupo de altos funcionários antes da viagem do presidente Donald Trump a Pequim. Na ocasião, Trump participaria de uma cúpula com Xi Jinping. Ainda assim, a agência responsável pelo texto e a data exata de elaboração permanecem desconhecidas.

Parlamentares pedem reunião fechada com Jensen Huang

Brian Mast, John Moolenaar e Rick Crawford, presidentes de comitês da Câmara, assinaram uma carta em 4 de novembro. No documento, eles solicitaram uma reunião conjunta e fechada com Jensen Huang. A carta antecedeu a divulgação dos trechos compartilhados no X em 7 de novembro.

Os parlamentares querem esclarecimentos sobre as interações entre Jensen Huang e Alice Huang. Também buscam informações sobre os mecanismos usados pela Nvidia para impedir espionagem estrangeira. Em um comunicado público, os comitês citaram riscos relacionados ao acesso de adversários estrangeiros. Esses riscos envolvem tecnologia e informações sensíveis dos Estados Unidos.

Cronologia do pedido parlamentar

A carta foi assinada em 4 de novembro de 2026, enquanto os trechos da reportagem apareceram em 7 de novembro. Jensen Huang deveria aceitar a reunião ou sugerir outra data até 11 de novembro. Por sua vez, os parlamentares propuseram o encontro para 18 de novembro.

 

A Megaspeed integra a rede de parceiros de nuvem da Nvidia. Uma notícia que repercutiu a Bloomberg informou que a companhia compra equipamentos e aluga capacidade computacional. Desenvolvedores usam essa infraestrutura em projetos de inteligência artificial. Dessa forma, a relação comercial insere o caso no debate sobre o acesso à tecnologia americana de IA.

Nvidia nega compartilhamento de informações sigilosas

Em declaração à CNBC em 5 de novembro, a Nvidia afirmou que clientes regionais recebem informações comerciais rotineiras. A empresa negou fornecer segredos comerciais sensíveis ou dados relevantes para a segurança nacional. Ao mesmo tempo, classificou as reuniões de Jensen Huang com executivos de clientes como parte normal de suas funções.

Na reportagem posterior da Bloomberg, a companhia disse que parceiros de nuvem não pedem mudanças na legislação americana. Conforme a Nvidia, esses clientes também não solicitam que a empresa defenda vendas de chips para a China. A fabricante acrescentou: "Não temos nem compartilhamos informações confidenciais com clientes".

Questionada sobre o suposto relacionamento, a Nvidia citou a descrição anterior de Jensen Huang sobre uma relação comercial típica com Alice Huang. Já os trechos divulgados no X disseram que a companhia não comentou o memorando nem a alegação. Por outro lado, a Casa Branca e a CIA também recusaram comentar o caso.

Prazo para resposta termina em 11 de novembro

Os presidentes dos comitês propuseram a reunião para 18 de novembro. Porém, solicitaram que Jensen Huang aceitasse o convite ou apresentasse uma data alternativa até 11 de novembro. Em 5 de novembro, a Nvidia ainda não havia confirmado diretamente sua participação. Enquanto isso, a Megaspeed não respondeu de imediato ao pedido de comentário.

Outras manifestações oficiais trataram de reportagens anteriores e mais restritas. Em 30 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores da China classificou como infundada uma notícia anterior do New York Times. Entretanto, essa declaração ocorreu antes do relato mais recente sobre o memorando e o suposto relacionamento.

Em 31 de outubro, o Ministério de Assuntos Internos de Singapura afirmou que não conduziu uma investigação específica sobre Alice Huang. O órgão se referiu aos termos apresentados em uma reportagem do Wall Street Journal. No entanto, o anexo do comunicado confirmou uma investigação em andamento sobre a Megaspeed. Assim, a negativa relacionada a Alice Huang não abrange a apuração separada sobre a empresa.

Google Notícias

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.   Adicione-nos como sua fonte preferida no Google    e toque em “Favorito” para priorizar nossas atualizações.