Nvidia e Bristol Myers ampliam IA para fármacos

A Bristol Myers Squibb ampliou sua parceria com a Nvidia ao anunciar a implementação de um segundo Nvidia DGX SuperPOD. A nova estrutura terá oito sistemas DGX Vera Rubin NVL72. Assim, a farmacêutica reforça sua infraestrutura de pesquisa baseada em inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de medicamentos.

Após o anúncio, as ações da Bristol Myers Squibb avançaram 0,31%. Ao mesmo tempo, os papéis da Nvidia subiram 2,28%. O mercado leu a colaboração como um avanço de escala, com foco em aplicações mais amplas na pesquisa farmacêutica.

O novo investimento aprofunda uma relação iniciada há cerca de três anos, quando a companhia instalou seu primeiro DGX SuperPOD. Segundo a empresa, a estrutura inicial já teve impacto direto na descoberta de alvos terapêuticos com apoio de IA. Dessa forma, um processo que antes levava semanas passou a ser concluído em poucos dias.

“Isso aumenta a probabilidade de que cada programa que avançamos seja o correto.”

A avaliação é de Robert Plenge, Chief Research Officer da Bristol Myers Squibb. Para o executivo, a prioridade consiste em elevar a chance de acerto antes que os projetos avancem para etapas mais caras.

SuperPOD amplia capacidade de IA na pesquisa farmacêutica

A plataforma Vera Rubin representa um salto relevante de capacidade computacional dentro da parceria. A Nvidia afirma que a arquitetura entrega desempenho até 10 vezes maior por megawatt em comparação com gerações anteriores. Portanto, a Bristol Myers Squibb poderá executar cargas de IA mais exigentes sem elevar o consumo de energia na mesma proporção.

As empresas não divulgaram os valores financeiros do acordo. Ainda assim, a expansão indica um compromisso de longo prazo com o uso de inteligência artificial em pesquisa, desenvolvimento e operações científicas.

A Bristol Myers Squibb pretende integrar os dois SuperPODs em uma plataforma consolidada. Com isso, pesquisadores das unidades globais da empresa terão acesso mais amplo à computação de alto desempenho. Antes, em contrapartida, apenas grupos mais especializados acessavam esses recursos com frequência.

Além disso, a infraestrutura unificada permitirá o desenvolvimento de modelos fundacionais próprios. Do mesmo modo, a empresa poderá executar fluxos de IA agêntica. Nesses processos, agentes de inteligência artificial conduzem etapas do trabalho com maior autonomia, mas ainda dentro de supervisão humana.

Entre as tarefas citadas estão a identificação e a validação de alvos terapêuticos. Nesse sentido, a estratégia muda a distribuição interna de poder computacional. Em vez de concentrar recursos em poucos times, a farmacêutica passa a ampliar o acesso para diferentes frentes de pesquisa.

Predict First busca reduzir falhas iniciais

Um dos pilares da estratégia é a metodologia chamada “Predict First”. Em vez de iniciar o processo com síntese imediata de compostos e testes em laboratório, os cientistas usam previsões geradas por IA para selecionar os candidatos mais promissores. Dessa maneira, a equipe descarta programas menos viáveis ainda no começo da jornada.

Como resultado, os recursos laboratoriais se concentram nas frentes com maior probabilidade de sucesso. Ademais, a abordagem tende a reduzir desperdícios, encurtar ciclos de avaliação e melhorar a alocação de capital científico.

O reforço de capacidade também deve permitir uma exploração mais ampla de espaços químicos. Além disso, a empresa espera executar simulações moleculares mais sofisticadas. A meta é ampliar a profundidade das análises em múltiplas áreas terapêuticas.

BioNeMo combina software científico e hardware da Nvidia

No escopo da expansão, a Bristol Myers Squibb também passa a ter acesso à plataforma BioNeMo, da Nvidia, além do BioNeMo Agent Toolkit. Esse conjunto de ferramentas foi desenvolvido para fluxos de IA aplicados aos setores biológico e farmacêutico. Assim, a parceria deixa de se limitar ao hardware e inclui uma camada mais ampla de software científico.

Essa combinação deve permitir aos pesquisadores rodar previsões, estruturar fluxos agênticos e desenvolver modelos com base nos dados científicos proprietários da Bristol Myers Squibb. Dessa forma, a empresa busca transformar sua base de dados em uma vantagem operacional e competitiva.

A companhia informou ainda que suas capacidades atuais de IA já ajudaram a ampliar o portfólio de compostos CELMoD. Essas moléculas foram desenhadas para eliminar seletivamente proteínas causadoras de doenças. Atualmente, esses tratamentos estão em investigação para cânceres do sangue e outras condições.

As áreas apoiadas pela nova infraestrutura incluem pequenas moléculas, biológicos, aplicações clínicas e tecnologias de gêmeos digitais. Segundo Greg Meyers, Chief Digital and Technology Officer da Bristol Myers Squibb, a empresa fez uma aposta deliberada em IA. Além disso, já observa benefícios concretos tanto na esteira de desenvolvimento quanto nas operações do negócio.

A expansão reforça um movimento mais amplo da indústria farmacêutica. Afinal, empresas do setor tentam usar IA para reduzir tempo, custo e incerteza na descoberta de medicamentos. Para a Nvidia, a parceria também evidencia a demanda crescente por computação de alto desempenho muito além do segmento financeiro.