Nvidia projeta mercado de CPUs de US$ 200 bi

A Nvidia reforçou uma mudança estratégica relevante ao projetar um mercado total endereçável de US$ 200 bilhões para CPUs. A estimativa foi confirmada pelo CEO Jensen Huang e inclui a demanda da China, apesar das restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos.

De fato, esse posicionamento chama atenção. As limitações regulatórias continuam restringindo a venda de chips avançados de inteligência artificial para empresas chinesas. Ainda assim, a Nvidia demonstra confiança ao incluir esse mercado em sua visão de longo prazo. Dessa forma, a empresa sinaliza expectativa de adaptação regulatória ou desenvolvimento de alternativas tecnológicas.

Ao mesmo tempo, o movimento indica expansão além do domínio tradicional em GPUs. A companhia passa a disputar espaço em um segmento historicamente controlado por outros players e, assim, amplia sua presença na infraestrutura global de IA.

Novo chip Vera impulsiona estratégia em CPUs

Foco em IA agentica e autonomia computacional

No centro dessa ofensiva está o Vera, CPU apresentada em março de 2026. Segundo a Nvidia, trata-se da primeira unidade desenvolvida especificamente para IA agentica, ou seja, voltada a sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Além disso, a empresa projeta quase US$ 20 bilhões em receita com CPUs no atual ano fiscal. Diferentemente de estimativas de longo prazo, esse valor representa uma expectativa concreta de curto prazo, o que reforça a confiança na adoção inicial da tecnologia.

As primeiras unidades do Vera já foram entregues a empresas relevantes do setor, incluindo Anthropic, OpenAI e Oracle. Assim, a Nvidia posiciona sua nova arquitetura diretamente entre os principais desenvolvedores de IA.

De acordo com a própria Nvidia, a proposta envolve integração mais profunda entre hardware e software. Com isso, a companhia busca otimizar desempenho e eficiência em cargas de trabalho complexas.

Resultados financeiros mostram crescimento acelerado

Data centers lideram receita da companhia

O avanço em CPUs ocorre em paralelo a um crescimento financeiro expressivo. A Nvidia registrou receita de US$ 81,6 bilhões no trimestre, alta de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Grande parte desse desempenho veio da divisão de data centers, que gerou US$ 75,2 bilhões. Ou seja, o resultado evidencia o domínio da empresa na infraestrutura que sustenta aplicações de IA em larga escala.

Além disso, a Nvidia projeta atingir US$ 91 bilhões em receita no próximo trimestre. No entanto, essa estimativa não inclui ganhos provenientes de data centers na China. Dessa maneira, a empresa separa claramente previsões de curto prazo e expectativas estruturais.

Ao mesmo tempo, a estratégia revela cautela diante do cenário geopolítico. Ainda que a China permaneça relevante, a companhia evita depender desse mercado nas projeções imediatas.

Entrada em CPUs altera competição com Intel e AMD

Integração vertical redefine posicionamento

Durante décadas, Intel e AMD dominaram o mercado de CPUs, enquanto a Nvidia construiu liderança em GPUs, essenciais para treinamento e inferência de modelos de IA.

Agora, a entrada da Nvidia no segmento de CPUs representa mais do que diversificação. Trata-se, sobretudo, de uma estratégia de integração vertical. Assim, a empresa passa a oferecer uma pilha completa de infraestrutura.

Com efeito, essa abordagem combina processamento gráfico com controle operacional. Dessa forma, permite gerenciar aplicações de IA com maior eficiência e, além disso, reduz a dependência de fornecedores externos.

Consequentemente, o movimento pode alterar o equilíbrio competitivo. Empresas tendem a buscar soluções integradas para reduzir custos, enquanto a eficiência operacional se torna um fator decisivo.

China permanece central na visão de longo prazo

Diferença entre projeção imediata e potencial futuro

A inclusão da China na estimativa de US$ 200 bilhões adiciona complexidade ao cenário. Por um lado, a Nvidia exclui receitas chinesas das projeções imediatas. Por outro, mantém o país como parte relevante do mercado futuro.

Esse contraste sugere dois caminhos possíveis. Primeiro, uma eventual flexibilização das restrições atuais. Em segundo lugar, o desenvolvimento de produtos compatíveis com as regras de exportação.

Em 23 de maio de 2026, Jensen Huang destacou essa diferença ao afirmar que a orientação de receita atual não reflete plenamente o potencial estrutural do mercado.

Em suma, com receita trimestral de US$ 81,6 bilhões, projeção de US$ 91 bilhões e expectativa de quase US$ 20 bilhões em CPUs, a Nvidia reforça sua estratégia de expansão. Ao mesmo tempo, mantém a China como peça-chave em sua visão de um mercado global de US$ 200 bilhões.