NYSE lança plataforma tokenizada 24h para ativos dos EUA
A New York Stock Exchange (NYSE) anunciou em 19 de janeiro que trabalha em uma plataforma voltada à negociação contínua de ativos tokenizados, incluindo ações e ETFs dos Estados Unidos. A bolsa divulgou que o sistema oferecerá liquidação totalmente on-chain e operação ininterrupta, dependendo de aprovação regulatória.
Operações tokenizadas avançam com nova infraestrutura
A NYSE, pertencente ao grupo Intercontinental Exchange (ICE), explicou que a solução utiliza um modelo híbrido. Assim, combina o mecanismo de correspondência de ordens existente, o Pillar, com processos pós-negociação estruturados em blockchain. Além disso, a plataforma terá suporte para múltiplas redes, ampliando a liquidação e a custódia em diferentes blockchains.
O projeto também prevê liquidação quase instantânea, uso de stablecoins para financiamento e ordens emitidas em valores denominados em dólar. Outro ponto relevante é a negociação fracionada de ações e ETFs tokenizados, recurso que aproxima o mercado tradicional das práticas já populares em ambientes digitais.
“Estamos conduzindo o setor rumo a soluções totalmente on-chain, sustentadas por padrões regulatórios rigorosos e proteções amplamente reconhecidas”, afirmou Lynn Martin, presidente do NYSE Group.
A NYSE reforçou que a tokenização não altera a economia do acionista. Assim, ações tokenizadas seguirão equivalentes às emitidas pelos meios tradicionais, garantindo dividendos e direitos de governança.
Para dar suporte ao plano, a NYSE atua com bancos como BNY Mellon e Citi. Essas instituições contribuirão com depósitos tokenizados dentro do ecossistema de clearinghouses do ICE. Portanto, membros de compensação poderão movimentar recursos fora do horário bancário, atendendo demandas de margem em fusos diversos.
Impacto no mercado financeiro e mudanças operacionais
No momento do anúncio, a ação da ICE era negociada a US$ 173,98, alta de 0,43%. Já o BNY Mellon apresentava queda de 2,16%, cotado a US$ 121,33, enquanto o Citigroup registrava alta de 0,50%, operando a US$ 118,04.

A operação contínua reduz a limitação técnica de negociação, deslocando o foco para infraestrutura de corretoras, fluxos de CCP e capacidade de liquidação financeira em horários como 03h00 ET. Além disso, a integração de stablecoins e depósitos tokenizados pode facilitar movimentações de margem aos finais de semana, influenciando setores dependentes de crédito de prime brokers.
O avanço do projeto dependerá do diálogo com a Securities and Exchange Commission (SEC), que analisará documentos da NYSE e possíveis regras relacionadas ao risco de CCP em operações sem pausa.
O anúncio surge após a Depository Trust Company (DTC) informar que a SEC, em 11 de dezembro de 2025, concedeu uma No-Action Letter autorizando um serviço de tokenização para ativos custodiados pela instituição. A previsão de início operacional é o segundo semestre de 2026. Paralelamente, cresce a pressão por janelas ampliadas de negociação, incluindo proposta da Nasdaq para operar 23 horas por dia durante cinco dias na semana.
Assim, a iniciativa da NYSE intensifica a corrida pela integração entre blockchain e mercado financeiro tradicional. O ICE, o BNY Mellon e o Citi reforçam o papel de protagonistas na construção de uma infraestrutura digitalizada, enquanto o setor aguarda os próximos passos regulatórios da SEC.