O fim da Proof of Play contrasta com nova fase dos games Web3
Proof of Play encerra ciclo após aposta ambiciosa na blockchain
A desenvolvedora americana Proof of Play, responsável pelo jogo Pirate Nation, confirmou o encerramento de suas operações após concluir que não conseguiu transformar sua visão em um modelo de negócios sustentável.
Quando surgiu, em 2023, o estúdio chamou atenção ao captar US$ 33 milhões em uma rodada seed liderada por grandes investidores do setor. Além disso, o projeto contava com Amitt Mahajan, um dos criadores de FarmVille, fator que aumentou as expectativas em torno da iniciativa.
Ao longo de sua trajetória, a empresa apostou em uma arquitetura totalmente on-chain. Grande parte da lógica de Pirate Nation funcionava por meio de contratos inteligentes, enquanto as blockchains Apex e Boss foram desenvolvidas para suportar o crescimento da plataforma.
Além da infraestrutura própria, a Proof of Play criou um ecossistema baseado no token PIRATE, em NFTs e em mecanismos de recompensas para estimular a participação dos jogadores. Embora essas iniciativas tenham impulsionado milhões de transações, elas não garantiram uma comunidade ativa no longo prazo.
Como resultado, a empresa decidiu encerrar suas atividades e disponibilizar em código aberto parte da tecnologia desenvolvida durante o projeto. O cliente de Pirate Nation, contratos inteligentes e ferramentas internas passam a integrar esse legado, enquanto a Pirate Nation Foundation continuará apoiando o token PIRATE.
O caso reforça um aprendizado importante para a indústria. Tecnologia robusta e grande volume de transações não substituem uma experiência capaz de manter jogadores engajados por muitos anos.
The Sandbox amplia criação com inteligência artificial
O mercado de games Web3 viveu uma semana marcada por movimentos opostos. Enquanto um dos projetos mais ambiciosos do setor encerrou suas atividades, outras desenvolvedoras anunciaram novas iniciativas voltadas à inteligência artificial, mundos persistentes e ferramentas para criadores.
Esse contraste reforça uma mudança importante na indústria. Em vez de concentrar esforços apenas em tokens e economias digitais, cada vez mais estúdios direcionam investimentos para infraestrutura, produção de conteúdo e experiências capazes de manter suas comunidades engajadas.
Nesse cenário, o encerramento da desenvolvedora Proof of Play simboliza o fim de uma estratégia baseada em grandes investimentos e incentivos financeiros. Em contrapartida, projetos como Gigaverse e The Sandbox seguem apostando em modelos que priorizam sustentabilidade, colaboração e evolução contínua.
Gigaverse aposta em MMORPG persistente para ampliar seu ecossistema
Enquanto a Proof of Play encerra um ciclo, a Gigaverse segue o caminho oposto e prepara a maior expansão de sua história. O projeto anunciou o desenvolvimento do Gigaverse Online, um RPG social de mundo aberto que substituirá o atual modelo baseado em masmorras instanciadas por um universo persistente.
Segundo a equipe, a proposta é alcançar um público mais amplo e construir uma economia voltada para a sustentabilidade, reduzindo a dependência dos modelos que marcaram os primeiros anos dos jogos blockchain. Além disso, a nova estrutura adotará temporadas, permitindo renovar parte da progressão sem perder o histórico dos jogadores.
Antes da estreia do novo título, a comunidade participará do evento The Awakening, que fará a transição entre as duas versões do jogo. Itens conquistados ao longo da jornada continuarão relevantes, seja como recursos para fabricar novos equipamentos ou como registros permanentes da participação dos jogadores no ecossistema.
Outro diferencial está na infraestrutura aberta da plataforma. A Gigaverse já disponibiliza APIs para desenvolvedores e incentiva a criação de ferramentas, mods e aplicações externas. Essa estratégia ficou evidente durante o GIGATHON #1, hackathon realizado em junho, que estimulou projetos baseados em inteligência artificial, análises de dados e novos serviços para o universo do jogo.
The Sandbox amplia acesso às ferramentas de IA
Outra novidade da semana vem do The Sandbox, que realizará sua Beta Creator Game Jam a partir de 12 de agosto. O evento amplia os testes do The Sandbox Studio, plataforma de criação assistida por inteligência artificial apresentada neste ano.
Diferentemente da fase alfa, restrita a um grupo reduzido de participantes, a nova etapa permitirá que mais criadores experimentem as ferramentas e desenvolvam jogos com o tema “Overgrown”. A competição distribuirá US$ 7.500 em prêmios e contará com Larry Hryb, o Major Nelson, ex-Xbox, como jurado principal.
Além da competição, a iniciativa representa mais um passo na estratégia do The Sandbox de reduzir as barreiras para a produção de conteúdo. Com o apoio da IA, a plataforma pretende permitir que um número cada vez maior de usuários desenvolva experiências próprias, enquanto os NFTs de LAND passam a funcionar principalmente como ativos voltados à publicação e monetização.
O contraste entre as três movimentações mostra que os games Web3 continuam em transformação. Enquanto alguns projetos encerram ciclos iniciados durante o auge da economia dos tokens, outros apostam em mundos persistentes, inteligência artificial e ferramentas para criadores como caminho para crescer de forma sustentável. Mais do que acompanhar tendências tecnológicas, a indústria parece buscar modelos capazes de equilibrar inovação, engajamento e viabilidade no longo prazo.