O que a Nasdaq pensa sobre o Bitcoin?

Em texto postado em seu site oficial, Nasdaq discorre sobre características que ajudam e atrapalham o Bitcoin como um ativo de segurança

Antes de falar qualquer coisa, é bom deixar claro é muito provável que a maior parte das pessoas que se envolvem com criptos conheçam a Nasdaq. Embora não negocie criptomoedas, a Nasdaq é extremamente importante quando falamos de mercado financeiro. É simplesmente a segunda maior bolsa de valores do mundo, com mais de 2800 ações de diferentes empresas listadas, perdendo apenas para a Bolsa de Nova Iorque. Sim falamos de uma gigante. Uma gigante do mercado financeiro mundial falando sobre o que o Bitcoin precisa para ser um ativo de segurança para os investidores.

Hoje, dia 25 de agosto, a Nasdaq postou em seu site oficial um texto intitulado “Bitcoin as the New Safe Haven“, ou em português “Bitcoin como um novo porto seguro”. Os principais pontos do texto você confere abaixo. Você também pode ler o texto completo (em inglês) clicando aqui.

O cenário

O conflito econômico entre Estados Unidos e China causou uma já confirmada desaceleração na economia global. Além de extensa, a guerra comercial está crescendo em proporção. Em outros tempos seria possível ver uma postura diferente do governo chinês, mas agora o presidente dos Estados Unidos é outro, e a abordagem também.

Desaceleração econômica interna e corte dos juros pelo FED foram repercussões diretas do modelo Trump de governo, mas outros desdobramentos ainda devem ser pesados. A política externa dos EUA não irritou apenas a China, mas também a a Rússia, UE e Irã, para citar apenas alguns. Todo esse conflito gera tensão nos investidores que, por medo de perder, buscam uma alternativa segura.

Por que o Bitcoin?

A guerra cambial que estamos vivendo agora pode ser diretamente responsabilizada ao presidente Donald Trump. À medida que as condições econômicas pioram, as restrições às remessas de dinheiro fiduciário para o exterior, a manipulação da taxa de câmbio e muito mais são riscos materiais atingem empresas e investidores individuais, grandes ou pequenos.

É aqui que encontramos o Bitcoin: Livre do controle de governos e bancos centrais. Uma saída para o caos econômico.

Risco e recompensa

Um problema sério para o Bitcoin é a elevada volatilidade.  Diferente do ouro ou de moedas tradicionais, é bastante comum ver o BTC variando 10% em uma semana, o que faz dele uma moeda insegura. Em bolsas como a própria Nasdaq, volatilidade não é uma boa coisa para se atrelar à segurança, e isso atinge em cheio o Bitcoin.

Entretanto, o Bitcoin, como já fora citado é livre e descentralizado, sem ter qualquer correlação com outra classe de ativos.

Isso é visto de forma muito positiva no texto:

“Investir em ouro pode fornecer uma rede de segurança em momentos de conflito no mercado, mas também significa que existe a possibilidade de perda de oportunidade. A ênfase está na possibilidade de…

 

No acumulado do ano, a cotação do ouro aumentou 16,8%. Em contraste, o Bitcoin subiu 164%. Embora o tempo venha a ser de total importância para o Bitcoin, a oportunidade perdida ao investir em outro lugar é significativa.”

As baleias do Bitcoin

Aqui o Bitcoin enfrenta aquele que pode ser seu maior problema: o acúmulo. A concentração de BTC em poucas mão é algo que preocupa quando se busca um ativo “porto seguro”. Um mercado altamente concentrado é um mercado manipulável pelas baleias do Bitcoin, que segundo a Nasdaq representam uma ameaça:

Até que haja alguma clareza sobre as identidades das baleias do Bitcoin, a manipulação do mercado é uma ameaça. Uma ameaça que a SEC levou a sério. A própria ameaça levou ao atraso das aprovações dos ETF do Bitcoin.

 

Um porto seguro que sofra um risco significativo de concentração realmente não pode ser considerado um porto seguro. Não é exagero pensar em governos e bancos centrais que fazem parte da lista dos 20 principais investidores do Bitcoin…

 

Até o presidente dos EUA, Trump, poderia estar na lista …

Regulamentação

A regulação é outro fato a se levar em conta quando falamos de uma criptomoeda. Não há um comitê global de regulação para o Bitcoin, apenas leis ordinárias em países de maneira individual. É difícil saber exatamente quão vulnerável à ameças regulatórias o ativo está.

Por outro lado, o aumento no interesse pelas criptomoedas por parte de empresas grandes, como é o caso do Telegram e do Facebook, contribui para uma maior aceitação das criptos. Dentre os motivos, é possível apontar velocidade e custos de transação, transparência, falta de limites geográficos, reservas permanentes, baixo risco de fraude e estornos.

Aquele papo sobre o Bitcoin ser uma bolha também já não mais visto com tanta frequência (na verdade é bem raro atualmente ouvir alguém falando disso). Sendo capaz de contornar a volatilidade do ativo, investidores atentos podem ter bons ganhos em uma moeda que segue em franca ascensão nos últimos anos.

Foto de Marcelo Roncate
Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader desde 2017. Aficionado por tecnologia e entusiasta das criptomoedas, viu no WeBitcoin a oportunidade de unir duas paixões.