OFAC sanciona exchanges do Irã e Binance nega falhas

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de sanções contra o Irã, com foco em canais de ativos digitais usados para movimentar recursos entre fronteiras. Segundo as autoridades americanas, o país passou a usar ferramentas do mercado de criptomoedas para contornar restrições financeiras e preservar acesso a fundos internacionais.

OFAC amplia pressão sobre exchanges iranianas

O Office of Foreign Assets Control, o OFAC, incluiu na terça-feira a Nobitex, que o órgão descreve como a maior exchange de ativos digitais do Irã, além de outras três exchanges iranianas, em uma ação chamada “Economic Fury”.

Além disso, o Tesouro enquadrou as novas designações em um esforço mais amplo do governo Donald Trump para reduzir o que as autoridades classificam como ameaça representada pelo regime iraniano. Assim, a nova ação coloca o mercado cripto no centro da estratégia de sanções de Washington.

Segundo o OFAC, a Nobitex prestou assistência substancial ao regime ao processar mais da metade de todas as entradas de ativos digitais no Irã em 2025. Ademais, as autoridades afirmam que a plataforma facilitou pagamentos ligados ao terrorismo, a esquemas de evasão de sanções e a transações associadas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o IRGC.

O Tesouro também alega que a Nobitex ajudou o Banco Central do Irã a acessar “centenas de milhões de dólares” em stablecoins. De acordo com a acusação, esses recursos serviram para dar suporte à forte desvalorização do rial iraniano. Além disso, o comunicado sustenta que a exchange permitiu que integrantes do regime alcançassem plataformas internacionais de ativos digitais e evitassem sanções em múltiplas jurisdições.

Tesouro mira operações fora do sistema bancário

Nos comentários vinculados ao anúncio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que a economia iraniana está em “queda livre”. Ainda assim, segundo ele, o regime buscou “cooptar tecnologias de ativos digitais” para uma agenda que descreveu como corrupta, com o objetivo de driblar as sanções dos Estados Unidos.

Bessent afirmou ainda que o Tesouro continuará “seguindo o dinheiro” para impedir que o regime desenvolva uma arma nuclear. Portanto, a estratégia não ficará restrita ao sistema bancário tradicional e avançará também sobre operações realizadas por meio de ativos digitais.

Binance rebate acusações sobre transações com o Irã

Embora as sanções do OFAC tenham como foco exchanges iranianas, o escrutínio já se espalha para além das fronteiras do país. Nesse sentido, a Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, também entrou no radar político em Washington.

Em carta enviada em 24 de fevereiro ao CEO da Binance, Richard Teng, o senador Richard Blumenthal citou relatos segundo os quais a empresa teria permitido “violações em larga escala” de sanções americanas e internacionais relacionadas ao Irã. Além disso, Blumenthal afirmou que a Binance aparentemente ignorou alertas e recomendações voltados a impedir esquemas iranianos de lavagem de dinheiro.

O senador alegou que a exchange permitiu cerca de US$ 1,7 bilhão em transferências conectadas ao país. Por outro lado, a Binance rejeitou as acusações antes da cobrança formal do senador. Em comunicado datado de 22 de fevereiro, a empresa informou que realizou uma revisão interna e não encontrou “nenhuma evidência de violações das leis de sanções aplicáveis”.

Valor total de mercado das criptomoedas
O gráfico diário mostra o valor total de mercado das criptomoedas em US$ 2,2 trilhões. Fonte: TradingView.

Mercado cripto entra no foco geopolítico dos EUA

Com a nova rodada de sanções, o Tesouro dos Estados Unidos coloca a Nobitex e outras três exchanges do Irã no centro da ofensiva. Em resumo, Washington sustenta que a plataforma processou mais da metade das entradas de ativos digitais do país em 2025, facilitou operações ligadas ao IRGC e ajudou o Banco Central do Irã a acessar centenas de milhões de dólares em stablecoins.

Ao mesmo tempo, a Binance segue negando qualquer violação após as acusações de movimentações de US$ 1,7 bilhão relacionadas ao país. Como resultado, o episódio reforça o avanço do mercado de criptomoedas nas disputas regulatórias e geopolíticas entre governos, reguladores e grandes empresas do setor.