OKXICE enfrenta veto de Walmart, Microsoft e JPMorgan

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Walmart e outras 37 empresas contestaram versões tokenizadas de suas ações que a OKXICE poderia negociar. A plataforma proposta funcionaria 24 horas por dia e conta com apoio da proprietária da Bolsa de Valores de Nova York. Entre as opositoras, também aparecem Microsoft, Alphabet e JPMorgan.

A notificação de 28 de outubro relaciona as 38 empresas contrárias ao modelo. O documento formaliza a recusa à negociação de tokens vinculados às ações dessas companhias. Com isso, a OKXICE enfrenta dificuldades para atrair emissores, embora possa receber taxas de negociação.

Plataforma enfrenta resistência dos emissores

A OKXICE pertence, em partes iguais, a uma subsidiária da Intercontinental Exchange e à OKC USA. A ICE opera a NYSE, mas a OKXICE funcionaria como um ambiente separado. Ainda assim, a participação da controladora da bolsa americana amplia a relevância do projeto.

A proposta prevê negociações secundárias por meio da blockchain XLayer. Nesse formato, pools automatizados de liquidez substituiriam o livro convencional de ofertas. Conforme o modelo regulatório da SEC, os tokens precisam conceder direitos equivalentes aos dos acionistas tradicionais.

Em 24 de outubro, 16 empresas constavam na lista de objeções. Poucos dias depois, esse número chegou a 38 companhias. Desde então, o aumento das recusas ampliou as dúvidas sobre a adesão dos emissores à estrutura de tokenização.

A OKXICE ficaria com a taxa de serviço cobrada pela plataforma. Enquanto isso, os investidores que fornecerem recursos aos pools receberiam as taxas dessas estruturas. Já as tarifas de rede seguiriam para a blockchain responsável pelo processamento das transações.

A isenção concedida pela SEC em 17 de setembro proíbe emissões primárias e ofertas iniciais nas plataformas abrangidas. Portanto, as empresas não podem usar esse mecanismo para captar recursos. Assim, o possível benefício para os emissores se limita à ampliação do acesso às ações.

Prazo de objeção incentiva recusas antecipadas

Antes de oferecer um token criado por terceiros, a plataforma precisa notificar a empresa emissora das ações. Se a companhia contestar a proposta até o trigésimo dia após o aviso, a plataforma não poderá listar o instrumento. Nesse cenário, a janela de 30 dias concentra a decisão inicial dos emissores.

As orientações da equipe da SEC diferenciam esse processo da consulta pública exigida antes do início das operações. Além disso, a Seção II.D da ordem não prevê um veto rotineiro após o encerramento do prazo. Portanto, as empresas têm incentivo para recusar a oferta enquanto avaliam riscos e benefícios.

Dessa forma, entidades do mercado pedem regras que ampliem o controle das companhias sobre essas listagens. Em 19 de outubro, a Securities Industry and Financial Markets Association propôs mudanças no processo. Entre as sugestões, estão consentimento afirmativo, prazo maior e uma opção universal de exclusão para os emissores.

Preços dos tokens podem divergir das ações

A SEC cita a manutenção do registro de acionistas e a possível desorganização dos preços como riscos relevantes. Na prática, esses efeitos podem atingir a cotação das ações subjacentes. Consequentemente, as empresas avaliam possíveis impactos antes de aceitar a negociação contínua.

Os pools propostos pela OKXICE calculam preços com base nos saldos disponíveis, sem usar um livro convencional de ofertas. Por isso, os valores dos tokens podem divergir das cotações registradas nas bolsas tradicionais. Esse risco aumenta quando os mercados convencionais estão fechados ou quando os pools apresentam baixa liquidez.

Uma cotação separada para um instrumento que representa ações pode gerar dúvidas sobre o valor real do papel. Para limitar alguns riscos, a OKXICE prevê interrupções quando a bolsa suspender a ação subjacente. Mesmo assim, essa medida não elimina diferenças de preço durante a negociação regular.

Por outro lado, a plataforma não adotará faixas adicionais de referência além das pausas divulgadas. Logo, a operação contínua não garante compras ou vendas próximas da cotação convencional. Em períodos de menor liquidez, o investidor pode enfrentar diferenças mais acentuadas entre os mercados.

Canton adota modelo patrocinado pelo emissor

A Canton Strategic Holdings anunciou em 29 de outubro uma estrutura diferente. Nesse arranjo, a empresa escolheu a TSV LLC para disponibilizar suas ações. Além disso, a companhia contratou a Fairmint para realizar a tokenização.

A Fairmint TA emitiria os tokens e manteria na blockchain o registro oficial de propriedade. As partes esperavam iniciar a negociação em 2 de novembro. Em ambos os modelos, os instrumentos precisam preservar direitos equivalentes aos dos acionistas.

Dois caminhos para ações tokenizadas: o modelo proposto da OKXICE permite objeção dos emissores, enquanto a Canton Strategic Holdings escolheu TSV e Fairmint.
As ações propostas pela OKXICE dão aos emissores uma janela para objeção, enquanto o modelo da Canton preserva registros oficiais do emissor.

 

As 38 objeções colocam a OKXICE diante de um desafio que ultrapassa a infraestrutura tecnológica. Agora, a plataforma precisa demonstrar que o acesso ampliado compensa os riscos de preço e registro. O teste prático mostrará se esse mercado exigirá mais acordos prévios com as empresas emissoras.

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