Caso OnilX: Guedes e Gusttavo Lima aparecem em inquérito
OnilX voltou ao centro das atenções nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, após a Livecoins afirmar no X que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o cantor Gusttavo Lima aparecem em um inquérito da Polícia Federal relacionado ao caso OnilX, ligado ao Onil Group.
Segundo a publicação, o procedimento tramita sob segredo de Justiça na Justiça Federal do Paraná, na 9ª Vara Federal de Curitiba, e foi autuado em 10 de fevereiro de 2026. A apuração também envolveria relatos de investidores que não conseguiram sacar valores aplicados na plataforma. Como os autos não estão disponíveis ao público, ainda não há elementos suficientes para detalhar quais fatos a PF atribui a cada pessoa citada.
A presença de um nome em uma lista de investigados não significa condenação, denúncia formal ou comprovação de culpa. Além disso, a própria publicação destaca que o sigilo impede a verificação integral do conteúdo do inquérito. Portanto, o ponto factual verificável neste momento é a existência da afirmação publicada pela Livecoins, somada ao histórico regulatório e judicial já documentado sobre a empresa.
O que se sabe sobre o caso OnilX
A Livecoins afirmou que Paulo Roberto Nunes Guedes e Nivaldo Batista Lima, nome civil de Gusttavo Lima, constam na relação de investigados. A publicação também informou que o Ministério Público Federal acompanha a apuração e que o procedimento reúne doze pessoas físicas e uma pessoa jurídica.
Entretanto, o processo corre em segredo de Justiça. Por isso, a reportagem não permite concluir que todos os citados tenham a mesma relação com os fatos investigados. Também não permite afirmar que houve crime, fraude ou participação individual em irregularidades antes de manifestação oficial das autoridades.
O caso ganhou força nos últimos meses por outro motivo. Em setembro, o Portal do Bitcoin relatou que Paulo Guedes prestou consultoria, participou de reuniões estratégicas e teve sua imagem usada pela OnilX. A mesma reportagem citou ações judiciais de investidores que alegavam dificuldades para resgatar recursos.
Na ocasião, a OnilX negou atuar como gestora de investimentos e também negou promessa de rentabilidade fixa. A empresa afirmou oferecer compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas. Assim, a controvérsia envolve, de um lado, relatos de clientes e ações judiciais e, de outro, a versão apresentada pela companhia.
CVM manteve alerta com ressalva sobre criptoativos
A Comissão de Valores Mobiliários já havia colocado o grupo Onil ou OnilX sob atenção regulatória em janeiro de 2026. A autarquia alertou que identificou indícios de captação de clientes no Brasil para operações com valores mobiliários.
Naquele comunicado, a CVM informou que o grupo e sociedades ligadas a ele não possuíam autorização para intermediar valores mobiliários, atuar como assessores de investimento ou captar recursos de investidores para aplicação nesse tipo de ativo. A autarquia também determinou a suspensão imediata de ofertas públicas desses serviços.
Depois, em abril de 2026, a CVM ajustou os termos do ato declaratório. O colegiado esclareceu que a medida não alcançava atividades de intermediação de criptoativos que não se enquadrem como valores mobiliários.
Por outro lado, a restrição continuou válida para ofertas públicas de intermediação de valores mobiliários sem autorização. A decisão também reforçou que produtos com características de contrato de investimento coletivo, promessa de retorno ou captação pública podem atrair a competência da CVM, dependendo da estrutura oferecida ao investidor.
Reclamações de saque aumentam a pressão
Além da esfera regulatória, reclamações públicas de clientes ajudam a explicar a repercussão do caso OnilX. Em uma queixa registrada no Reclame Aqui, um investidor afirmou não conseguir sacar investimentos retidos pela empresa. O relato é individual e não substitui decisão judicial, mas ilustra o tipo de demanda apresentada por parte dos clientes.
Também surgiram páginas de escritórios de advocacia orientando investidores sobre medidas judiciais relacionadas à companhia. Esse movimento indica aumento de disputa civil, embora cada ação dependa de contrato, documentos, valores aplicados e provas apresentadas pelas partes.
A OnilX mantém uma área de conformidade em seu site. Nela, a empresa declara que seu programa foi construído com base em legislações nacionais e práticas internacionais aplicáveis ao mercado financeiro e de ativos virtuais.
Portanto, a nova publicação sobre a PF adiciona uma frente penal a um caso que já tinha dimensão regulatória, reclamações de investidores e disputas judiciais. O próximo ponto relevante será a eventual divulgação de documentos públicos, decisões ou manifestações oficiais capazes de esclarecer o alcance da investigação.
Até lá, investidores devem separar três planos. O primeiro envolve relatos de clientes sobre saques. O segundo trata das regras da CVM para valores mobiliários. O terceiro, segundo a Livecoins, envolve uma apuração policial sob sigilo. Sem avanço formal do processo, qualquer responsabilização individual precisa continuar condicionada a fatos comprovados e decisões das autoridades competentes.
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