OnlyMarms na Solana financia estudo de marmotas
Negociadores de uma memecoin criada na Solana ajudaram a financiar um estudo de 64 anos sobre marmotas-de-barriga-amarela em Gothic, no Colorado. A iniciativa ganhou força após a National Science Foundation recusar o pedido mais recente de renovação do apoio ao projeto.
Durante o verão, pesquisadores atraem as marmotas para armadilhas de arame com aveia e manteiga de amendoim. Em seguida, eles pesam cada animal, coletam amostras, verificam as etiquetas e aplicam uma marca temporária antes da soltura.
Esses encontros ocorrem há mais de seis décadas. Com isso, o projeto se tornou o segundo estudo mais longo do mundo sobre mamíferos selvagens identificados individualmente.
Pesquisa preserva dados de várias gerações
O registro acompanha linhagens familiares, saúde, comportamento, reprodução e sobrevivência entre gerações. Dessa maneira, os biólogos observam padrões que demoram mais para surgir do que a duração comum de uma bolsa de pesquisa de três anos.
Kenneth Armitage iniciou o monitoramento da população de marmotas em Gothic em 1962. Ele dirigiu o trabalho até 2001, quando Daniel Blumstein, professor da UCLA, assumiu o projeto.
Atualmente, Blumstein conduz a pesquisa com Julien Martin, professor da Universidade de Ottawa. Ambos mantêm observações recorrentes nos mesmos vales e aplicam métodos compatíveis aos animais identificados.
Em 2025, pesquisadores publicaram um estudo com 11 gerações e 2.196 animais para avaliar a possível herança do comportamento de alerta. Outros trabalhos relacionaram adversidades iniciais à longevidade, comportamento social à sobrevivência e mudanças climáticas à saúde da população.
Uma única temporada permite contar as marmotas. Em contrapartida, seis décadas de dados ajudam a explicar as mudanças populacionais e a identificar quais animais apresentaram melhores condições de sobrevivência.
Baixa cobertura de neve aumentou as perdas
As marmotas passam a maior parte do ano sob a terra e dependem da gordura acumulada durante o verão. Na hibernação, a frequência cardíaca, a respiração, o metabolismo e a temperatura corporal caem de forma acentuada.
Por esse motivo, a neve sobre as tocas funciona como uma importante camada de isolamento. Blumstein afirmou que a equipe acompanhou mais de 160 animais antes da última hibernação, mas encontrou cerca de 60 no retorno ao campo.
O pesquisador associou grande parte das perdas à cobertura insuficiente de neve. Ainda assim, o histórico permite comparar o resultado com a condição corporal, o parentesco, as temperaturas e os dados de invernos anteriores.
Ao longo de seis décadas, diferentes bolsas federais sustentaram o trabalho. Conforme o relato da UCLA sobre o corte, a National Science Foundation recusou a renovação no fim de maio, em meio a cortes mais amplos nas universidades dos Estados Unidos.
OnlyMarms e memecoin atraem doações
Blumstein adaptou uma ideia da série da Apple TV Margo’s Got Money Troubles e criou o conceito OnlyMarms. Depois, a estudante de pós-graduação Emily Renkey abriu no OnlyFans uma conta gratuita e sem conteúdo explícito, com vídeos frequentes e explicações sobre o trabalho de campo.
A página permite que visitantes enviem gorjetas por fotos e vídeos das marmotas. Nos primeiros meses, a iniciativa atraiu milhares de visitantes e arrecadou cerca de US$ 6 mil antes da retenção de 20% pela plataforma.
Esse valor cobriu parte dos suprimentos e das horas de trabalho da equipe. Contudo, o montante ficou muito abaixo do necessário para manter o trabalho de campo de forma recorrente.
Posteriormente, um grupo independente lançou a memecoin $OnlyMarms na Pump.fun, plataforma de criação e negociação de tokens na Solana. Os criadores destinaram os royalties das negociações aos pesquisadores.
O laboratório não participou do lançamento. Mais tarde, Martin apoiou a iniciativa, aceitou os repasses e incluiu o endereço do contrato na página de arrecadação.
As negociações geram taxas que se acumulam em uma carteira controlada pelo laboratório. Assim, a equipe pode resgatar os valores como doações destinadas à pesquisa.
A página do projeto de Martin informa uma arrecadação superior a US$ 150 mil. Por sua vez, a comunidade responsável pela memecoin afirma que todos os royalties dos criadores seguem para o projeto.
Receita depende da atividade dos negociadores
O laboratório não controla a emissão, as negociações, a distribuição ou as expectativas de retorno dos compradores. Portanto, os pesquisadores recebem apenas os royalties destinados ao projeto na forma de doações.
O modelo lembra a proposta de Vitalik Buterin para memecoins filantrópicas. Nesse formato, a atividade especulativa direciona parte da receita para uma finalidade pública.
Os valores atribuídos à memecoin já superam em mais de 25 vezes as gorjetas brutas recebidas no OnlyFans. Entretanto, a receita futura dependerá da continuidade do interesse dos negociadores após a redução da repercussão.
As marmotas também atraíram o público com nomes como Jamba Juice e Egg, além do tamanho e da gordura acumulada antes do inverno. A equipe organizou ainda a primeira Fat Marmot Week, entre 24 e 28 de agosto, e programou o anúncio do resultado para o dia 29.
Durante a campanha, os visitantes escolheram a marmota que melhor representava uma preparação saudável para a hibernação. A mobilização reuniu potenciais doadores, embora também tenha exposto a imprevisibilidade do financiamento viral.
Enquanto as marmotas se preparam para fechar as tocas durante o inverno, os pesquisadores aguardam a primavera. Os recursos arrecadados garantem mais uma temporada de campo e evitam uma interrupção irreversível na série histórica.