Operações com petróleo antes de anúncios sob suspeita
Uma sequência de operações com petróleo realizadas pouco antes de anúncios geopolíticos relevantes passou a chamar a atenção de reguladores e participantes do mercado. As movimentações envolvem grandes posições vendidas abertas minutos antes de decisões ligadas ao conflito entre Estados Unidos e Irã, o que levanta suspeitas sobre possível uso de informação privilegiada.
Movimentos com petróleo entram no radar regulatório
Em primeiro lugar, no dia 7 de abril, traders montaram uma posição vendida de aproximadamente US$ 950 milhões em contratos futuros de petróleo. O movimento ocorreu pouco antes da divulgação de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã. Assim, o timing da operação gerou questionamentos imediatos no mercado.
Além disso, um episódio semelhante ocorreu em 23 de março. Na ocasião, uma posição vendida de cerca de US$ 500 milhões foi aberta aproximadamente 15 minutos antes de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a suspensão de possíveis ataques à infraestrutura energética iraniana. Como resultado, o preço do petróleo caiu cerca de 15% após a declaração.
Posteriormente, o padrão voltou a se repetir. Investidores abriram posições vendidas equivalentes a cerca de 7.990 contratos futuros de petróleo Brent, avaliados em aproximadamente US$ 760 milhões. Esse movimento ocorreu cerca de 20 minutos antes da confirmação da reabertura do Estreito de Ormuz para navegação comercial.
Declarações e investigação ganham força
De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, o estreito permaneceu totalmente aberto para embarcações comerciais durante o restante do cessar-fogo. Em seguida, a informação foi confirmada publicamente por Donald Trump, o que reforçou a percepção de previsibilidade nas operações anteriores.
Com efeito, o comportamento recorrente não passou despercebido. A Commodity Futures Trading Commission (CFTC), reguladora dos Estados Unidos, iniciou a revisão das transações realizadas nos dias 23 de março e 7 de abril. Ambas ocorreram pouco antes de anúncios políticos relevantes, o que intensificou o escrutínio.
Reação do mercado após Ormuz
Enquanto isso, os mercados de energia reagiram rapidamente após a confirmação da reabertura do Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo e do gás natural europeu recuaram, refletindo expectativas de normalização no fornecimento global. Assim sendo, investidores ajustaram suas posições diante de um cenário menos tenso.
Vale destacar que a reabertura ocorreu após um período de forte instabilidade iniciado em 28 de fevereiro. Naquela data, ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel atingiram alvos no Irã. Em resposta, o país fechou o estreito e lançou ataques com mísseis e drones contra Israel e bases americanas.
Além disso, grandes empresas de transporte marítimo, como Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd, suspenderam operações na região durante a escalada. Dessa forma, a logística global sofreu impactos relevantes e pressionou os preços da energia.
Queda do petróleo e reflexos em outros mercados
No momento da apuração, o petróleo West Texas Intermediate era negociado a US$ 83,99 por barril, com queda de US$ 9,19, equivalente a 9,86% no período analisado. O ativo chegou a superar US$ 90 antes de iniciar trajetória de recuo.
Ao longo do dia, a pressão vendedora se intensificou, levando os preços abaixo de US$ 82. Posteriormente, houve leve recuperação, com o petróleo encerrando entre US$ 82 e US$ 84, ainda em território negativo.
Por outro lado, o mercado de criptomoedas apresentou valorização. O Bitcoin subiu 0,91%, alcançando US$ 76.583,02. Ao mesmo tempo, o Ethereum avançou 0,82%, sendo negociado a US$ 2.374,30.
Nesse contexto, as operações de US$ 500 milhões, US$ 950 milhões e US$ 760 milhões permanecem no centro das análises regulatórias. Em outras palavras, a repetição desses padrões amplia as dúvidas sobre a integridade do mercado e pode levar a uma supervisão mais rigorosa nos próximos meses.