Oracle: analistas projetam alta antes do balanço
Mercado aguarda resultados trimestrais da Oracle
A Oracle divulgará os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027 nesta quinta-feira, 10 de setembro. A companhia fará o anúncio após o fechamento do mercado. Os investidores acompanharão os números para avaliar se a empresa manterá o ritmo positivo do trimestre anterior. O consenso do mercado estima lucro por ação de US$ 1,74, com alta anual de 18%.
Já a projeção de receita alcança US$ 19,13 bilhões, avanço de 28% na comparação anual. Enquanto isso, as ações ORCL acumularam valorização de 8,4% nos últimos 30 dias. Ainda assim, os papéis negociavam cerca de 16% abaixo do nível observado no início do ano. Por isso, o balanço poderá indicar se a recuperação recente terá continuidade.
Guggenheim mantém recomendação de compra
Antes da divulgação, John DiFucci, do Guggenheim, reiterou sua recomendação de compra para a Oracle. O analista também estabeleceu preço-alvo de US$ 400 para as ações. Além disso, ele classificou a companhia como a principal indicação da instituição. DiFucci descreveu o papel como uma oportunidade de investimento para uma década.
No TipRanks, John DiFucci ocupa a 238ª posição entre mais de 12.500 analistas. Seu histórico na plataforma apresenta taxa de acerto de 63%. Ao mesmo tempo, suas recomendações registram retorno médio de 18,2%. Contudo, a emissão planejada de ações ainda representa a principal preocupação entre os investidores.
Para DiFucci, a oferta de ações at-the-market de US$ 20 bilhões pressionou os papéis após o quarto trimestre fiscal de 2026. Essa preocupação superou os receios sobre a concentração da relação comercial da Oracle com a OpenAI. Entretanto, a empresa não emitiu ações durante aquele trimestre. Portanto, qualquer atualização sobre a oferta estará entre os principais pontos do balanço.
Na avaliação do analista, uma conclusão substancial da operação poderia provocar uma reação positiva imediata nas ações. Por outro lado, a Oracle ainda poderá realizar uma nova captação por meio de ações. Nesse cenário, o mercado observará como a companhia pretende equilibrar financiamento, expansão e retorno aos acionistas.
Plano de financiamento prevê captação de US$ 40 bilhões
A estratégia de financiamento da Oracle para o ano fiscal de 2027 busca levantar US$ 40 bilhões no total. Apesar disso, a empresa não prevê novas captações durante o restante do ano civil de 2026. Inicialmente, os US$ 20 bilhões pendentes viriam de instrumentos de dívida no começo de 2027. Porém, conversas com agências de classificação de risco indicam que ações também podem integrar o plano.
Essa possível mudança amplia a atenção sobre o nível de diluição dos atuais acionistas. Ao mesmo tempo, a captação ajudaria a financiar a rápida expansão da infraestrutura da empresa. Assim, os investidores buscarão detalhes sobre os instrumentos escolhidos e o cronograma da operação. A reação do mercado poderá depender do avanço já alcançado pela oferta.
Expansão da nuvem e margens entram no foco
Para o primeiro trimestre fiscal de 2027, a Oracle projeta crescimento de 57% a 63% nos serviços de nuvem, em moeda constante. De acordo com DiFucci, a previsão indica forte aceleração da infraestrutura como serviço, ou IaaS. Cerca de US$ 9 bilhões em nova receita recorrente anual de IaaS devem entrar em operação no trimestre. Em comparação, esse volume alcançou US$ 4,2 bilhões no quarto trimestre fiscal de 2026.
A expectativa acompanha declarações do co-CEO Clay Magouyrk sobre a capacidade de infraestrutura. Segundo o executivo, a nova capacidade do primeiro trimestre fiscal de 2027 deve se aproximar de 1 gigawatt. Durante todo o ano fiscal de 2026, a Oracle implantou 1,2 gigawatt de capacidade. Dessa forma, o mercado também observará a velocidade de ativação dos clientes.
DiFucci espera alguma compressão nas margens brutas da nuvem. O efeito ocorreria pelo intervalo entre a implantação da infraestrutura e a ativação dos clientes. Mesmo assim, as margens operacionais devem apresentar maior resiliência, apoiadas pelo controle de despesas. O analista também prevê gastos de capital maiores no ano fiscal de 2028 do que em 2027.
Por sua vez, avaliações de parceiros do setor apontam um ritmo estável ou positivo nas ofertas de software como serviço. O mesmo cenário aparece nos negócios de bancos de dados da Oracle. Com isso, o balanço deverá mostrar se o avanço da nuvem compensará a pressão esperada sobre as margens. Os números também ajudarão a medir a sustentabilidade da recuperação recente das ações.