Oracle avança com backlog de IA de US$ 664 bilhões

Oracle ganha força em sessão pressionada por juros

A Oracle ganhou destaque nos mercados após divulgar forte crescimento da receita e um backlog de nuvem voltado à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a inflação persistente nos Estados Unidos, o petróleo caro e os rendimentos dos títulos públicos pressionaram as ações. Nesse cenário, os contratos futuros elevaram para 85% a probabilidade implícita de uma alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro.

O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto, ante julho. Na comparação anual, o indicador avançou 3,4%. Já a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,3% no mês. Como o resultado superou ligeiramente as expectativas, os futuros passaram a sinalizar maior chance de aperto monetário.

Juros mais altos encarecem o crédito para as empresas e reduzem a atratividade das ações de crescimento. Além disso, os rendimentos elevados dos títulos públicos disputam recursos diretamente com a bolsa. Por isso, empresas de tecnologia com avaliações altas tendem a enfrentar mais pressão nesse ambiente.

Petróleo recua após se aproximar de US$ 110

Durante a sessão, o petróleo Brent subiu para pouco menos de US$ 110 por barril, seu maior nível desde maio. No entanto, a cotação recuou mais de 3% após relatos sobre possíveis negociações envolvendo rotas marítimas na região. Ainda assim, o Brent caminhava para encerrar a semana com alta superior a 8%.

As preocupações com a oferta permanecem. A produção da Arábia Saudita enfrentou interrupções, enquanto os ataques a navios-tanque aumentaram. Além disso, as rotas pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho continuam sob risco. Dessa forma, o petróleo mais caro pode ampliar a inflação por meio dos custos de combustíveis, transporte e fabricação.

O rendimento do Treasury de dez anos também alcançou brevemente 4,99%, maior patamar em quase três anos. Depois, recuou para cerca de 4,93%. Déficits públicos elevados, forte emissão de títulos, inflação persistente e energia cara impulsionaram os rendimentos. Portanto, a proximidade de 5% aumenta os custos de financiamento em toda a economia.

Receita e contratos de IA impulsionam Oracle

A Oracle registrou receita trimestral de US$ 19,3 bilhões. Esse desempenho representou crescimento de 30% e superou as expectativas de Wall Street. Durante o trimestre, a companhia assinou mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem para IA. Com isso, suas obrigações de desempenho remanescentes, que medem receitas futuras contratadas, atingiram US$ 664 bilhões.

O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,4 bilhões. Mesmo assim, o resultado superou a projeção dos analistas, que esperavam uma saída de US$ 9,6 bilhões. Na sexta-feira, as ações avançaram cerca de 3%, pois os números reduziram receios sobre os custos dos investimentos em data centers.

Adobe enfrenta cautela apesar dos resultados

Em contrapartida, a Adobe superou as estimativas de receita e lucro, mas suas ações recuaram. A companhia informou receita trimestral de US$ 6,76 bilhões e lucro ajustado de US$ 6,13 por ação. Também informou que a receita recorrente anual de seus novos produtos centrados em IA mais que dobrou em relação ao ano anterior.

Apesar dos resultados, a administração projetou receita para o quarto trimestre ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas. Por esse motivo, investidores mantiveram cautela sobre a posição competitiva da empresa no longo prazo. Ferramentas da Canva e da Figma representam ameaças crescentes ao principal negócio de softwares criativos da Adobe.

A reação distinta às duas empresas refletiu uma tendência mais ampla do mercado. Assim, companhias diretamente expostas à infraestrutura de IA receberam avaliações mais favoráveis. Enquanto isso, empresas que ainda enfrentam temores de disrupção tecnológica passaram por um escrutínio maior.