Oracle cai 24%, mas Wall Street vê alta de 88%
As ações da Oracle Corporation enfrentam forte pressão vendedora, apesar de a empresa ter divulgado resultados trimestrais acima das expectativas. Em nove pregões consecutivos de queda, os papéis ORCL recuaram 24%. Esse foi o período de perdas mais longo desde o fim de 2021. Ainda assim, analistas de Wall Street seguem majoritariamente otimistas e veem espaço relevante de valorização.
No quarto trimestre fiscal de 2026, divulgado em 10 de junho, a Oracle reportou receita de US$ 19,2 bilhões, alta de 21% na comparação anual. O resultado superou as projeções do mercado em faturamento e lucro. Além disso, a administração elevou sua perspectiva de rentabilidade. Mesmo assim, a reação dos investidores foi negativa.
Entre o pico de 2026, em US$ 248,15 no dia 1º de junho, e os pregões seguintes, a ação caiu em 18 de 22 sessões. Dessa forma, o papel acumula baixa de 28% em 2026. Além disso, negocia cerca de 57% abaixo do recorde histórico de fechamento registrado em 10 de setembro de 2025.
Setor de software sobe enquanto Oracle recua
O movimento chama atenção porque ocorre enquanto parte do setor mostra recuperação. O ETF iShares Expanded Tech-Software Sector ETF (IGV), da iShares, avançou por cinco sessões seguidas e acumulou ganho superior a 10% nesse intervalo. Em contrapartida, a Oracle seguiu na direção oposta.
A principal explicação apontada por observadores do mercado está na estratégia financeira da companhia. A empresa acelera gastos de capital para expandir sua infraestrutura voltada à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, parte desse movimento ocorre com financiamento por endividamento. Por isso, o ritmo de investimentos e a ampliação das obrigações financeiras elevaram a ansiedade dos acionistas.
Fonte: Knockout Stocks
Além disso, a recente correção ocorreu em um momento no qual investidores acompanham outras empresas de tecnologia e inteligência artificial com atenção redobrada. Nesse sentido, a Oracle passou a ser avaliada não apenas pelo crescimento de receita, mas também pela forma como financia sua expansão.
Analistas mantêm compra e projetam valorização
Mesmo com a queda recente, a correção não abalou a confiança dos analistas. Entre os profissionais que acompanham o papel, 84% mantêm recomendação de compra. Esse patamar só foi superado uma vez nas últimas duas décadas, por um breve período, em maio de 2011.
O preço-alvo médio do consenso está em torno de US$ 263,86. Isso implicaria potencial de valorização de aproximadamente 88% em relação aos níveis atuais. Entre as projeções mais otimistas está a de Siti Panigrahi, analista da Mizuho, que mantém alvo de US$ 320 para a Oracle. Panigrahi também classifica a empresa como uma de suas principais recomendações.
Para Panigrahi, a companhia ocupa posição estratégica em uma pilha completa de inteligência artificial. Essa estrutura abrange banco de dados, infraestrutura e aplicações. Ainda assim, o financiamento dessa estratégia continua como ponto de atenção relevante. Em sua avaliação, a Oracle provavelmente precisará de capital externo para sustentar o plano de investimentos.
Por outro lado, analistas da KeyBanc elevaram recentemente suas estimativas. Eles também disseram estar mais confiantes de que a expansão das despesas operacionais permanecerá controlada. A instituição reiterou classificação Overweight e preço-alvo de US$ 300. Além disso, defendeu que o controle disciplinado de custos operacionais é o principal vetor para novas altas no papel.
Varejo compra ORCL enquanto consenso segue positivo
Enquanto parte do capital institucional observa o cenário com cautela, investidores pessoa física vêm aproveitando a queda para comprar ações. Dados da plataforma Crowd Wisdom, da TipRanks, que monitora mais de 868 mil carteiras de varejo, mostram que a Oracle liderou as compras entre grandes empresas de tecnologia nos últimos 30 dias.
De acordo com esses dados, 3,8% das carteiras monitoradas iniciaram ou ampliaram posição em ORCL no período. O percentual ficou acima de Microsoft, com 3,6%, Nvidia, com 3,5%, Amazon e Alphabet, ambas com 2,9%, e Meta, com 2,2%.
Além disso, outro dado reforça a leitura positiva dos analistas. Entre 32 profissionais que cobriram a ação no último trimestre, 28 emitiram recomendação de compra e quatro mantiveram avaliação neutra. Não houve nenhuma recomendação de venda. Assim, formou-se um consenso de Strong Buy.
Próximo balanço entra no radar do mercado
A Oracle ainda não anunciou a data de divulgação do próximo balanço trimestral. No entanto, o resultado mais recente trouxe receita de US$ 19,2 bilhões e uma perspectiva de rentabilidade melhorada. Mesmo assim, isso não impediu a ação de acumular nove sessões seguidas de queda. Nesse período, o papel caiu 24%, ampliou a baixa de 2026 para 28% e passou a negociar cerca de 57% abaixo do pico histórico de setembro de 2025.
Em suma, a ação da Oracle atravessa uma fase de forte correção, mas Wall Street ainda aposta em recuperação relevante. O mercado segue dividido entre a preocupação com o financiamento da expansão em inteligência artificial e a confiança na capacidade da empresa de converter investimentos em crescimento e margem nos próximos trimestres.