Ouro cai após inflação elevar chance de alta do Fed

Ouro sofre pressão após dados de inflação dos EUA

O ouro recuou nesta segunda-feira após a inflação dos Estados Unidos superar as expectativas. Os dados reforçaram as apostas de que o Federal Reserve aumentará os juros nesta semana. Como resultado, o metal era negociado perto de US$ 4.331 por onça, com queda de 0,4% no dia.

Os contratos futuros de ouro também recuaram 0,8%, para US$ 4.371,65. Além disso, o metal acumulou três semanas consecutivas de perdas. Na semana passada, a cotação caiu 1,8%.

Gráfico dos contratos futuros de ouro para dezembro de 2026

Fonte: Gold Dec 26

 

Enquanto isso, o índice do dólar americano avançou 0,3%, para 99,42 pontos. Um dólar mais forte costuma encarecer o ouro para compradores que utilizam outras moedas. Dessa forma, a valorização da divisa ampliou a pressão sobre o metal.

Inflação reforça apostas em aumento dos juros

O núcleo do índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,3% em agosto ante o mês anterior. O indicador exclui alimentos e energia, componentes que costumam apresentar maior volatilidade. Após a divulgação, o mercado passou a precificar cerca de 88% de probabilidade de aumento dos juros nesta semana.

Juros mais altos costumam prejudicar o ouro, pois o metal não oferece rendimento. Em contrapartida, aplicações que pagam juros se tornam mais atraentes aos investidores. Por isso, a perspectiva de aperto monetário pressionou a cotação.

O presidente Donald Trump, porém, voltou a defender juros menores no domingo. Ainda assim, o mercado concentrou as atenções nos dados de inflação e na próxima decisão do Federal Reserve. A expectativa de aumento prevaleceu após a divulgação dos indicadores.

Petróleo amplia preocupações com a inflação

Ao mesmo tempo, a alta do petróleo complicou o cenário inflacionário. O barril do Brent se aproximou de US$ 107 após avançar quase 9% na semana passada. Assim, as tensões no Oriente Médio continuaram afetando os mercados de energia.

Uma reunião prevista entre Irã e países do Golfo foi adiada na segunda-feira. O encontro buscava estabelecer uma rota temporária de navegação pelo Estreito de Ormuz. Portanto, as rotas de fornecimento de energia permaneceram incertas.

ANZ e UBS mantêm perspectiva positiva

Apesar da pressão imediata, parte dos analistas mantém uma perspectiva favorável para o ouro no longo prazo. O ANZ afirmou que continua otimista com o metal, mesmo diante da expectativa de novas altas dos juros. Ainda assim, o banco prevê mais três aumentos de 25 pontos-base até março de 2027.

Além disso, o ANZ manteve sua projeção de US$ 5.400 por onça para os próximos 12 meses. Segundo o banco, a inflação impulsionada por tensões geopolíticas deve preservar o apelo do ouro como proteção. Enquanto isso, posições especulativas e volumes em ETFs de ouro se recuperaram nos últimos meses.

A demanda institucional na China continua forte, enquanto cresce o interesse dos investidores na Índia. Já a estrategista da UBS Joni Teves avaliou que os investidores podem estar olhando além da próxima decisão do Fed. Para ela, a expectativa de aperto monetário pode já estar refletida nos preços.

Nesse contexto, compradores voltam a atenção ao papel do ouro na diversificação e às compras contínuas dos bancos centrais. Teves também destacou a proximidade da temporada de maior demanda na Índia. Embora espere volatilidade, ela considera cada vez mais provável uma alta até o fim do ano.

A estrategista alertou que um aumento dos juros em setembro pode provocar uma correção no curto prazo. No entanto, ela não espera que esse movimento interrompa a recuperação mais ampla do metal. Na atualização mais recente, o ouro à vista caía 0,3%, para US$ 4.332,84 por onça.