Ouro cai em 2026 e GLD perde US$ 14,4 bilhões
Ouro negociado nos mercados globais, acumula queda de cerca de 7,9% em 2026. Esse recuo já pressiona o maior ETF lastreado no metal nos Estados Unidos. O SPDR Gold Shares, com negociação na NYSE Arca sob o ticker GLD, registrou saídas líquidas superiores a US$ 14 bilhões desde 1º de março.
Métricas da Bloomberg publicadas no X indicam que o ETF somou cerca de US$ 14,4 bilhões em retiradas entre 1º de março e 16 de julho. Ainda assim, dados do SPDR Gold Shares, consultados em 17 de julho, mostravam valor patrimonial líquido de aproximadamente US$ 128,61 bilhões em 16 de julho.

Fonte: Eric Balchunas, Bloomberg, no X.
Saídas do GLD aceleram com fraqueza do ouro
Março concentrou o pior momento. Naquele mês, o trust do GLD perdeu cerca de US$ 8,5 bilhões em ativos líquidos. Esse foi o maior volume mensal de saídas já registrado pelo produto.
Em seguida, o ETF anotou retiradas líquidas de US$ 1,7 bilhão em abril, US$ 872 milhões em maio e US$ 3,2 bilhões em junho. Em julho, até o momento do levantamento, o GLD havia perdido mais US$ 46 milhões.
Assim, o fluxo confirma que uma parcela relevante dos investidores reduziu exposição ao ouro durante a correção do metal. Além disso, o movimento no GLD reforça a sensibilidade dos ETFs às mudanças de apetite por risco.
Afinal, quando o ouro perde tração, produtos listados e usados por investidores institucionais costumam refletir essa mudança rapidamente. Nesse contexto, o interesse por ETF de ouro segue como termômetro importante para avaliar o sentimento do mercado. Ainda assim, o tamanho atual do GLD mostra que o fundo preserva relevância, mesmo após a sequência de retiradas.
Março concentrou a maior pressão
A saída recorde de março respondeu pela maior parte do ajuste. Depois disso, abril, maio e junho mantiveram a tendência negativa, embora com menor intensidade.
Dessa forma, o saldo acumulado desde o início de março consolidou uma perda expressiva de capital no principal veículo de exposição ao ouro nos Estados Unidos. Por consequência, o mercado passou a monitorar com mais atenção a relação entre fluxo de ETFs e desempenho do metal.
Embora nem sempre exista sincronia perfeita, a sequência de saídas ocorreu enquanto o ouro ampliava a correção no acumulado do ano. Portanto, os dados de fluxo ajudam a medir a mudança de posicionamento dos investidores.
Queda do ouro em 2026 reduz valor de mercado
No acumulado de 2026, o ouro recuava 7,89%. No momento da apuração, o mercado cotava o metal perto de US$ 3.994. Como resultado, o valor de mercado estimado caiu para aproximadamente US$ 27,82 trilhões, segundo atualização da plataforma CompaniesMarketCap.

Fonte: TradingView.
A correção do ouro em 2026 pode estar ligada à migração de capital para ações de semicondutores e metais industriais. Isso ocorre, principalmente, por causa da demanda acelerada por hardware ligado à inteligência artificial.
Robbie Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock Inc. (NYSE: BLK), já havia afirmado que o boom da IA vem drenando atenção e capital de ativos que não estão no centro desse tema. Portanto, a reprecificação do ouro também pode refletir uma redistribuição mais ampla de recursos entre classes de ativos.
Semicondutores e metais industriais atraem capital
Entre os destaques desse movimento estão Nvidia Corp. (NASDAQ: NVDA), Advanced Micro Devices, Inc. E (NASDAQ: AMD) e Broadcom Inc. Além de (NASDAQ: AVGO). Todas aparecem entre as ações citadas como sustentação de tendência de alta no acumulado do ano.
Além disso, metais industriais também ganharam espaço nesse ambiente. Com efeito, a expectativa de expansão da infraestrutura ligada à IA favoreceu empresas e setores associados à produção de chips, servidores e componentes estratégicos.
Em contrapartida, ativos defensivos como o ouro perderam parte do protagonismo. Ainda assim, o cenário para o metal não é totalmente negativo. O ouro continua respaldado por vetores relevantes, como a inflação global e a demanda consistente de bancos centrais.
Nesse sentido, uma retomada das entradas mensais no GLD poderia ajudar a sustentar uma recuperação de preços, caso esses fatores continuem prevalecendo. Em suma, os dados mais recentes mostram que o GLD perdeu cerca de US$ 14,4 bilhões desde março, após a saída recorde de US$ 8,5 bilhões naquele mês. Ao mesmo tempo, o ouro recuava 7,89% em 2026, enquanto seu valor de mercado encolhia para perto de US$ 27,82 trilhões.